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Pesquisa marinha

Ex-bolsista da CAPES realiza missão no Atlântico Sul

Publicado: Quinta, 15 Março 2018 10:15 | Última Atualização: Quinta, 22 Março 2018 09:00

Cristiano Chiessi, pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), integrou a missão internacional de pesquisa oceânica DosProBio, que explorou a costa da Argentina e do Uruguai entre janeiro e fevereiro. O objetivo da expedição foi coletar material para entender a interação entre as correntes oceânicas que colidem entre si na região das Ilhas Falklands (Malvinas).

Professor Ciristiano Chiessi
Chiessi integrou missão internacional de pesquisa marinha (Foto: Divulgação)

O cruzeiro partiu de Buenos Aires em 12 de janeiro. Na metade do período, aportou em Montevidéu para mudança de tripulação e o embarque de equipamentos para a segunda fase. No total, 46 cientistas de Brasil, Alemanha, EUA e Uruguai participaram da expedição, que retornou à capital argentina em 14 de fevereiro.

Integrante do Programa Internacional de Descobertas Oceânicas (IODP, em inglês), o professor Chiessi foi bolsista de pós-doutorado da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) em 2015. Por meio do financiamento da CAPES, o Brasil participa do IODP desde 2013, enviando pesquisadores de diversas áreas para missões de pesquisa e divulgação científica.

Missão
Os cientistas da expedição DosProBio querem descobrir como as correntes oceânicas e os diferentes sistemas de sedimentação se influenciam mutuamente, de onde provém o material depositado e quais os efeitos dos diferentes processos de sedimentação nas reações químicas e ciclos de elementos no fundo do mar. Outra meta é entender quais micro-organismos utilizam o material depositado e de que maneira.

Parte do material foi extraída por uma plataforma de perfuração. Conhecida como MeBo (abreviatura alemã para perfurador do fundo do mar), a máquina trouxe mais de 60 metros de amostras do fundo do mar, a cerca de 1,4 mil metros da superfície. A análise do material, iniciada nos laboratórios de bordo, usou métodos de geofísica, sedimentologia, biogeoquímica, microbiologia e análise de pólen.

Navio alemão RV Sonne
Navio alemão RV Sonne possui recursos avançados para estudo do oceano. Foto: Arquivo pessoal

Mar profundo: registro do passado
As áreas da margem continental da Argentina e do Uruguai foram escolhidas para estudo por apresentar locais altamente dinâmicos de depósito de sedimentos, principalmente em função da intensidade das suas correntes marinhas. “Os depósitos sedimentares e cânions submarinos ali presentes constituem valiosos arquivos do clima do passado, particularmente da dinâmica da região da confluência entre as correntes oceânicas do Brasil e das Falkland/Malvinas”, esclarece Chiessi.

“Estudos científicos sobre o material coletado permitirão elucidar a dinâmica da confluência das correntes do Brasil e das Falkland/Malvinas, um importante sumidouro oceânico de gás carbônico”, segundo o professor. Sumidouros são regiões que absorvem o gás carbônico da atmosfera.

Para o cientista, o patrocínio à participação em expedições como essa impulsiona a oceanografia no país. “No Brasil, as ciências do mar profundo carecem de pessoal qualificado. Por isso, é fundamental a presença de pesquisadores brasileiros em cruzeiros oceanográficos. Essa área é marcantemente internacional”, conclui.

Tecnologia de ponta
Inaugurado em 2014, o navio de pesquisas oceanográficas de bandeira alemã RV Sonne é uma poderosa unidade de pesquisa. Com 115 metros de comprimento, o barco pode abrigar até 40 cientistas e uma tripulação de 35 pessoas. Entre seus recursos estão 17 laboratórios, sete guindastes e dois guinchos capazes de operar equipamentos a 12 mil metros de profundidade – o suficiente para alcançar as maiores profundidades do oceano. “Isso faz com que os trabalhos científicos a bordo sejam extremamente produtivos e proveitosos”, assinala Chiessi.

Equipamento para recolher amostras de solo marinho
Equipe a bordo do RV Sonne recolhe amostras de solo marinho. (Foto: Arquivo pessoal)

A embarcação, que custou € 124 milhões ao estado alemão, recebeu a certificação Blue Angel por sua operação eficiente, econômica e ecológica. Para se locomover, usa apenas combustível diesel de baixo teor de enxofre, e seus catalisadores reduzem os óxidos de nitrogênio para minimizar o impacto ambiental.

Com informações do Zentrum für Marine Umweltwissenschaften

(Lucas Lopes e Pedro Arcanjo - Brasília – CCS/CAPES)

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