Associação promove ensino online de qualidade

Ao longo de 2019, os desafios, a inovação pedagógica e a regulação do ensino online estiveram em discussão entre os países de língua portuguesa. Durante três seminários virtuais, realizados em maio, julho e outubro, representantes governamentais, professores, estudantes e especialistas de Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste trocaram experiências para promover a educação a distância de qualidade.

Os diálogos foram promovidos pela Associação de Educação a Distância dos Países de Língua Portuguesa (EADPLP), fundada em 2018, e que tem a CAPES como uma de suas parceiras. A organização reúne universidades da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), assim como outras instituições de ensino superior e entidades da sociedade civil que atuam com esta modalidade de ensino.

A criação da EADPLP veio em momento apropriado, “especialmente pelo crescimento da educação a distância”,

como disse Anderson Correia, presidente da CAPES. Ele incentiva as instituições de educação brasileiras a conhecerem melhor a Associação e suas ações.

Entre os objetivos da Associação de Educação a Distância dos Países de Língua Portuguesa, está o fomento, a promoção e o estímulo à capacitação acadêmica e profissional, além da realização de iniciativas conjuntas e partilhas nos campos científico e tecnológico. A entidade busca valorizar a criação e o compartilhamento de conhecimento em rede entre os membros da Comunidade.

Curiosidade

Conforme consta no regimento da EADPLP, a Língua Portuguesa é falada por cerca de 260 milhões de pessoas – considerando os países em que o português é língua oficial e as diásporas – e está em grande expansão. Além disso, é a quinta língua mais falada no mundo, sendo a mais popular no hemisfério sul, estimando-se que venha a ser usada por cerca de 400 milhões de pessoas, no final do século. É também largamente utilizada na Internet e nas redes sociais, oscilando entre o terceiro e o quinto lugar, entre os idiomas falados.

Entrevista: Paulo Dias, presidente da Associação de Educação a Distância dos Países de Língua Portuguesa

Reitor da Universidade Aberta de Portugal, Paulo Dias afirma que a missão da associação é desenvolver oferta educativa conjunta em áreas prioritárias, como por exemplo, a formação de professores para trabalhar no digital. Outro objetivo é assegurar a qualidade pedagógica dos cursos ofertados. Na entrevista a seguir, ele descreve os projetos e as parcerias do grupo, criado em 2018, com a presença de sete países.

Como surgiu a ideia da criação da Associação de Educação a Distância dos Países de Língua Portuguesa?

Educação a distância é o futuro e a língua portuguesa é uma língua falada por 260 milhões de pessoas no mundo. É uma língua também com imenso futuro e, naturalmente, acho que é extremamente importante para os países de língua portuguesa, que integram a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), trabalharmos em conjunto, no sentido de desenvolvermos uma educação a distância com qualidade. Essa foi a grande ideia orientadora da constituição da Associação de Educação a Distância dos Países de Língua Portuguesa. Teve um período inicial de grande contato com todos os países; procuramos representantes de cada país para criar o grupo dos fundadores. Temos a CAPES, do Brasil, a Universidade de Cabo Verde, a Universidade de São Tomé e Príncipe, a Universidade de Agostinho Neto, de Angola, a Universidade Eduardo Mondlane, de Moçambique, e a Universidade Nacional Timor Lorosa’e, do Timor Leste. Este é o grupo, o núcleo duro, grupo dos fundadores juntamente com a Universidade Aberta de Portugal.

Quais são os objetivos da Associação?

O que nós pretendemos fazer é, dentro desta missão da grande associação, desenvolver oferta educativa conjunta em áreas prioritárias, como por exemplo a formação para ciência online, que quer dizer formar professores para trabalhar no digital. Outra área muito importante é a qualidade, definir os padrões e referenciais que garantem um desenvolvimento da educação a distância, em particular no domínio da qualidade pedagógica, da inovação pedagógica. E também uma outra área de intervenção que considero muito importante, que é da regulação, que é uma área fundamental, pois é necessário regular o ensino a distância, porque o ensino a distância é diferente, em sua natureza, do ensino presencial.

Quais são os projetos da Associação?

Uma das iniciativas imediatas e muito importante é reunir as pessoas e partilhar o pensamento que temos sobre essa matéria. Para isso fizemos dois encontros virtuais, cada um deles teve mais de mil participantes.

O primeiro encontro foi organizado pela CAPES, o segundo encontro por Cabo Verde, Universidade de Cabo Verde, e o terceiro encontro pela Universidade Eduardo Mondlane, de Moçambique. Mas, o mais importante para além desses encontros, é desenvolver uma cultura partilhada, com conhecimento entre todos nós, que permita no futuro elaborar propostas ou oferta educativa em conjunto, com dupla titulação, o que seria uma vantagem tremenda para todos nós no espaço da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, de estudar ao mesmo tempo em diferentes universidades. Poderia fazer um curso em engenharia certificado pela Universidade Agostinho Neto, USP, Universidade Eduardo Mondlane, ou qualquer outra. Ao mesmo tempo, o curso é certificado por várias universidades, se tiver essa capacidade, e isso é o que estamos a desenvolver, um trabalho conjunto. Nosso grande objetivo não é só trabalhar no plano da formação para licenciados, é capacitação de professores, inovação pedagógica, desenvolvimento da regulação, mas também a capacidade de vir a produzir oferta executiva conjunta. Neste momento, estamos já a preparar uma primeira oferta executiva conjunta para ser trabalhada em regime de aprendizagem ao longo da vida.

O que está surgindo dessa parceria?

Nós temos diferentes concessões, temos agora que trabalhar por um caminho comum. Educação a distância não é gravar uma aula e passar na televisão ou fazer uma aula gravada. É muito mais do que isso e é esse caminho que estamos a percorrer agora. O que me chama mais atenção é essa capacidade enorme que toda a gente tem de estar a trabalhar em direção ao futuro e antecipar o futuro, procurando a inovação pedagógica, procurando dentro de uma perspectiva que é muito importante. A educação a distância hoje é construída de acordo com um modelo computacional, um modelo de educação para a inovação, fundamentalmente. Todos nós partilhamos uma vontade enorme de trabalhar em conjunto e produzir mais, criarmos valor. Valor é muito importante, e esse valor consegue se construir com uma nova escala e todos juntos conseguimos ter essa escala para valorizarmos a língua e sermos capazes de valorizar a criação de conhecimento em língua portuguesa nessa comunidade. É isso o que estamos a fazer e é para isso que estamos a trabalhar.

Qual a importância do papel da CAPES para a Associação?

A CAPES tem uma diretoria dedicada exclusivamente a educação a distância e é extremamente importante para funcionar como instrumento de ligação com todas as universidades do Brasil que estão a trabalhar em educação a distância. A CAPES é uma estrutura, por natureza, da maior importância para criarmos essa forte ligação com todas as universidades.

Brasil e Portugal fazem parceria em favor da EaD

A CAPES trabalha em parceria com as instituições de ensino superior e de pesquisa do Brasil e Portugal, por meio das Universidades Abertas dos dois países, para qualificar os cursos de educação a distância. Dois projetos gratuitos da Fundação são utilizados nesta cooperação: EduCAPES e Repositório Aberto, que são plataformas digitais de acesso universal.

A parceria permite também aulas de professores brasileiros e portugueses, na plataforma Ambiente Virtual de Aprendizado (AVA) da UAB Brasil, também utilizada pelos alunos da UAB de Portugal. Para se ter uma ideia da dimensão do conteúdo ofertado, só com o EduCAPES são cerca de 300 mil objetos de estudo no sistema.

“A verdadeira democratização passa pela disponibilização dos materiais para toda a comunidade. Ou seja, uma pessoa que tem poucos recursos vai ter o mesmo acesso aos materiais da que tem muitos recursos. Então, esta disponibilidade gratuita de material com acesso livre, para nós, é muito significativa. Porque universaliza o acesso ao conteúdo e amplia o conhecimento”, enfatiza Alexandre Martins, coordenador de Tecnologia em Educação a Distância da Diretoria de Educação a Distância da CAPES

O reitor da UAB de Portugal, Paulo Dias, ressalta o trabalho da CAPES juntos às instituições para elevar a qualidade do ensino a distância. “Há uma diretoria dedicada exclusivamente à EaD. Isso é extremamente importante porque funciona como instrumento de ligação com as universidades do Brasil, que trabalham com educação a distância”, frisou.

Paulo Dias diz ainda que a cooperação contribui para o desenvolvimento de uma educação a distância de excelência. “EaD é o futuro. E a língua portuguesa é falada por 260 milhões de pessoas no mundo. Uma língua com imenso futuro. É extremamente importante para os países da língua portuguesa, que integram a CPLP, trabalhar em conjunto no sentido de desenvolvermos uma EaD de qualidade”.

UAB e EduCAPES

A UAB Brasil foi criada em 2006 para desenvolver e expandir cursos EaD, em parceria com 133 IES públicas, para a formação inicial e continuada de professores, dirigentes e gestores da educação básica, nos 777 polos de atendimento. Em 2018, foram realizadas mais de 63 mil matrículas para cursos de graduação e cerca de 13 mil, de pós-graduação.

Já a UAB Portugal conta com 7 mil alunos de licenciatura, mestrado e doutorado, em mais de 20 cursos, de humanidades à engenharia e informática. Além de 15 mil alunos que frequentam aulas gratuitas. A universidade atende alunos de 31 países.

Em 2016, a Diretoria de Educação a Distância da CAPES criou o EduCAPES. O objetivo do portal é oferecer milhares de objetos de estudo licenciados para serem acessados de forma universal e híbrida, por meio da tecnologia DSpace. Ela sincroniza os repositórios de materiais de pesquisa das instituições parceiras com o EduCAPES, permite que os sistemas de busca identifiquem a inclusão ou exclusão de objetos de estudo, e remete o pesquisador ao repositório do respectivo material desejado, para download do arquivo.