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Bolsista usa drones na detecção de óleo no mar

Publicado: Quarta, 08 Abril 2020 09:31 , Última Atualização: Quarta, 13 Mai 2020 09:33

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Doutor em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Heitor Judiss Savino, é atualmente professor do Instituto de Computação da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). A utilização de drones no monitoramento dos mares foi realizada durante seu pós-doutorado no Laboratory for Analysis and Architecture of Systems (LAAS), em Toulouse, na França.

Fale um pouco sobre o seu trabalho.
Atualmente, no projeto CAPES - Entre Mares, coordeno as atividades com os demais colegas da equipe. A primeira etapa que está sendo executada é o levantamento de requisitos de cenário, onde levantamos vários dos aspectos envolvidos no evento de dispersão de óleo e a utilização de robôs para seu monitoramento.

Como se deu o interesse em trabalhar com o assunto?
O surgimento de óleo na costa do Brasil se deu quando eu já estava na França. Acompanhava as notícias com perplexidade e, em conversas com demais cientistas, o assunto sempre era comentado.O interesse maior surgiu ao ver resultados em demais projetos no LAAS, de monitoramento de nuvens com drones, e ao conhecer plataformas de superfície aquática, como o wave glider.

Antes mesmo de surgir o edital da CAPES Entre Mares, comecei a pesquisar sobre o assunto e a escrever sobre o tema de robótica aplicada ao monitoramento ambiental.

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Qual o objetivo da pesquisa?
O objetivo da pesquisa é estudar a aplicação de drones e veículos de superfície aquática no monitoramento dos mares. Os agentes devem ser capazes de buscar e detectar um processo de dispersão de óleo, além de acompanhar o processo enquanto coletam dados, funcionando como uma rede de sensores móveis num ambiente dinâmico.

Qual a importância deste trabalho para a realidade brasileira?
O emprego destes veículos permitiria resposta mais rápida a diversos eventos que impactam a saúde dos mares e a própria segurança da costa brasileira. Permite a coleta de dados com dispersão temporal e espacial adequadas para a análise do evento de interesse. Estes dados podem ser usados, por exemplo, para ajudar na identificação da origem de um processo de contaminação.

Isso tem um impacto com âmbito internacional?
Diversos trabalhos vêm sendo desenvolvidos em diferentes países no âmbito de robótica ambiental, em número ainda pequeno. A maioria focada em detecção de fontes de poluentes, com aplicações também em defesa e salvamento. Além disso, o trabalho envolve colaboradores internacionais no LAAS. A execução deste projeto permite a inserção da UFAL num contexto internacional.

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O que ele traz de diferente daquilo que já é visto na literatura?
A diferença está na aplicação de um sistema distribuído, isto é, diversos agentes, e heterogêneo, com veículos aéreos e de superfície aquática, no rastreamento de um processo dinâmico como a dispersão de óleo, que se movimenta com o passar do tempo. O sistema considerará a capacidade de cada agente para a estimação e coleta de dados, respeitando as restrições dos veículos.Além disso, será focado na costa do nordeste brasileiro, que possui todo um conjunto de especificidades.

Qual a importância do apoio da CAPES?
O apoio da CAPES é muito importante no financiamento e divulgação da pesquisa.

Os recursos permitirão o financiamento de um aluno de mestrado, participações em congressos, realização de reuniões entre a UFAL e a Universidade de Campina Grande, alavancando a integração regional e internacional. Além disso, o impacto da aceitação deste projeto, no número de proponentes deste edital, destaca que a pesquisa que vem sendo realizada por nossa equipe é de importância fundamental.

 

Quais são os próximos passos?
A execução deste projeto, que foca primeiramente na análise de um cenário de monitoramento ambiental com robôs, deve fornecer a base teórica para a aplicação real destes robôs num cenário de monitoramento dos mares. Nossa equipe irá continuar buscando fundos e parceiros para a implementação do sistema físico. Isto deve contar com a aquisição de robôs e financiamento de mais pessoal.

(Brasília – Redação CCS/CAPES)
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