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Pós-doutorado

Bolsista Obeduc é contemplado com bolsa americana por trabalho social

Publicado: Quinta, 13 Setembro 2018 17:52 | Última Atualização: Sexta, 14 Setembro 2018 11:10

Gustavo Oliveira Pugliese construiu uma trajetória para fazer a diferença na vida de muitos. Formado em Letras e Ciências Biológicas pela Universidade de Campinas (Unicamp), ele fez seu mestrado em genética e biologia molecular na mesma instituição. Nesse tempo, passou cinco meses estudando na Universidade de Washington (EUA). Ao voltar, tinha uma nova perspectiva em mente: atuar em um projeto social que transformasse a realidade do estudo das ciências nas escolas públicas brasileiras.

Gustavo na formação de STEM para professores do programa MESA nos EUA.
Gustavo na formação de STEM para professores do programa MESA, nos EUA. (Arquivo pessoal)

O reconhecimento não demorou a chegar: recentemente, o bolsista da CAPES recebeu a Young Leaders of the Americas (YLAI) para cursar seu doutorado. A bolsa, oferecida pelo governo dos EUA, resultou do seu esforço e envolvimento no Programa Aprendizagem e Ciências na Escola (ACES). Gustavo coordenou uma equipe de professores de escolas públicas e trabalhou na elaboração de materiais didáticos e na formação de professores em tecnologias educacionais.

Durante o tempo de financiamento da ACES, Gustavo alcançou seis escolas de Campinas e quase mil alunos. Além disso, foram oferecidas bolsas para professores do ensino público e estudantes universitários que faziam estágio no programa, como parte da iniciação à docência.
“Fui coordenador do ACES, uma organização que se dedicou a promover a alfabetização científica e melhoria na qualidade do ensino de ciências, oferecendo atividades STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics) em escolas públicas de Campinas”, explicou, destacando que “esse pontapé inicial só foi possível com o apoio da CAPES”.

Interesse pelo assunto
Rodolfo Azevedo, autor do Programa ACES e diretor do Instituto de Computação da Unicamp, teve a iniciativa de moldar o Programa motivado pela falta de interesse dos alunos pela ciência e pelas aulas dessa disciplina. O projeto ajudou os professores das escolas participantes a criar maior engajamento entre os alunos, ao tornar as aulas de ciências mais significativas para a vida deles.

O ACES foi baseado em uma parceria com outro programa dos EUA, chamado MESA (Mathematics, Engineering and Science Achievement), cujo foco é promover justiça social e igualdade de oportunidades para minorias não representadas em carreiras STEM.

Para que o projeto ACES pudesse funcionar nas escolas, Rodolfo Azevedo convidou alunos de licenciatura da Unicamp para atuar como monitores. “Eu fui um desses alunos, na época estava concluindo a segunda graduação. Gostei muito do projeto. Me identifiquei tanto com a causa, que resolvi fazer meu mestrado sobre os dois programas, MESA e ACES. Ao mesmo tempo, tornei-me coordenador do ACES e atuei estruturando-o como organização. Eu consegui ainda uma bolsa para ir para os EUA, acompanhar o projeto MESA. Vivenciei de perto os resultados fantásticos que eles têm apresentado e, desde então, venho trabalhando no sentido de reescrever o ACES e iniciar um centro oficial do programa MESA no Brasil”, disse Gustavo.

O bolsista ressalta a importância do projeto no combate ao paradigma de estudantes pobres de escolas marginalizadas que não conseguem acessar carreiras em ciências, engenharia e tecnologia. “Devido à falta de oportunidades, esses estudantes estão expostos a um caminho que envolve criminalidade ou empregos mal remunerados. Essa situação gera desigualdade na Ciência e Tecnologia e escassez de mão de obra qualificada para o país. Isso sem contar a falta de alfabetização científica, que é reflexo da baixa qualidade do ensino de ciências”.

Apoio da CAPES e impacto do projeto
Foi por meio do edital OBEDUC (Observatório da Educação) da CAPES que a organização pôde se estruturar, auxiliando Gustavo na conquista da bolsa nos EUA. “Olhando para os alunos, professores e graduandos com os quais atuamos ao longo dos anos do programa, pudemos ver mudanças profundas nas práticas de ensino e aprendizagem”, revela.

Para o bolsista, com tantos resultados positivos obtidos, fica a certeza de que projeto precisava ter continuidade. “Os alunos superaram todas as nossas expectativas. Os professores claramente saíram do convencional e se sentiram à vontade para experimentar novas atividades, metodologias e desafios para os alunos e para a própria carreira”.

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Visita dos diretores do programa americano MESA James e Phyllis à feira de ciências do ACES, no Museu de Ciências da Unicamp. (Arquivo pessoal)

Hoje o projeto encontra-se desativado, mas busca apoio para se tornar um empreendimento social sustentável no Brasil. Gustavo planeja estabelecer um centro do programa MESA no Brasil, adaptado à nossa realidade, mas seguindo os princípios do modelo americano, gerando impacto profundo nas comunidades que abraçarem. “A principal meta no momento é conseguir estabelecer uma nova rodada de atividades do programa em escolas públicas de São Paulo, a partir de uma mescla de investimento público e privado. À medida em que a organização se estabelecer e adquirir mais robustez, ampliaremos a escala de atuação”, finaliza.

(CCS/CAPES)
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