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Cerimônia de Entrega

Prêmio CAPES de Tese 2017 consagra melhores trabalhos de doutorado do país

Publicado: Quinta, 07 Dezembro 2017 23:15 | Última Atualização: Quarta, 13 Dezembro 2017 09:47

Os melhores trabalhos de doutorado do Brasil foram consagrados no Prêmio CAPES de Tese 2017, cuja cerimônia aconteceu nesta quinta-feira, 7 dezembro, em Brasília. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) premia as melhores teses em 49 áreas do conhecimento e três trabalhos agrupados por grande área são escolhidos como os melhores do ano. A edição 2017 premiou teses defendidas no país durante o ano de 2016.

 

 

Os grandes vencedores da noite foram Amanda Costa Thomé Travincas com a tese “A tutela jurídica da liberdade acadêmica no Brasil: a liberdade de ensinar e seus limites”, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS); Mychael Vinícius da Costa Lourenço, com a tese “Mecanismos de estresse neuronal, disfunção sináptica e neuroproteção em modelos experimentais da Doença de Alzheimer”, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); e Tiago Barbin Batalhão, com a tese “Avanços teóricos e experimentais em Termodinâmica Quântica” da Universidade Federal do ABC (UFABC).

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O trabalho de Amanda pretende enfrentar o seguinte problema: que limites e restrições à liberdade de ensinar são legítimos no Brasil? (Foto: Edson Morais - CCS/CAPES)

“É uma grande honra. O trabalho acadêmico exige muita dedicação e após um processo de produção visceral que é a realização de uma tese de doutorado, eu nunca imaginiaria receber esse tipo de homenagem”, ressaltou Amanda Travincas, vencedora da grande área de Ciências Humanas, Linguística, Letras e Artes e Ciências Sociais Aplicadas e Multidisciplinar (Ensino). O trabalho de Amanda pretende enfrentar o seguinte problema: que limites e restrições à liberdade de ensinar são legítimos no Brasil? “Vivemos um contexto mundial de cerceio da liberdade de expressão e o momento brasileiro é dramático. Temos um projeto de lei tramitando no Congresso Nacional com uma suposta pretensão de neutralizar os campos de ensino para evitar doutrinação, mas na verdade perverte o sentido de educação, que pressupõe o debate e a crítica e tende a tornar as universidades a ambientes silenciosos. É isso que a gente não quer”, definiu.

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A tese de Mychael identificou novos mecanismos moleculares que acontecem no cérebro e causam a perda de memória na doença de Alzheimer (Foto: Edson Morais - CCS/CAPES)

Vencedor da grande área Ciências Biológicas, Ciências da Saúde e Ciências Agrárias, Mychael Lourenço, revelou surpresa com o resultado. “Ao mesmo tempo sinto muita satisfação em ter trabalhado duro, conseguido resultados importantes, não apenas para o avanço do conhecimento científico, mas também contribuir com o meu laboratório e com meu instituto, no Programa de Pós-Graduação em Química Biológica da UFRJ”. Os resultados obtidos pelo pesquisador contribuem para a identificação de novos alvos terapêuticos na doença de Alzheimer. “Nosso grupo de pesquisa tenta entender quais são os mecanismos que levam a perda de memória nessa doença, grave, que afeta milhões de pessoas ao redor do mundo e que, infelizmente, não possui cura nem diagnóstico eficiente”. A tese de Mychael identificou novos mecanismos moleculares que acontecem no cérebro e causam a perda de memória na doença de Alzheimer. “Esses mecanismos estão muito associados a patogenese da diabetes. De uma forma transnacional descobrimos que medicamentos utilizados na clínica para diabetes conseguem bloquear a perda de memória em modelos animais”, explicou. Além disso, o trabalho buscou entender o efeito positivo do exercício físico como neuroprotetor e realizou pesquisa com pacientes para melhorar o diagnóstico da doença. “De fato, os exercícios ajudam memória, e agora existem testes clínicos em andamento no âmbito da pesquisa. A partir daí, estamos em um esforço de identificação molecular da doença. Já encontramos uma molécula que está seletivamente aumentada nos cérebros de pacientes com Alzheimer e esse será um trabalho subsequente”.

O vencedor da grande área de Engenharias, Ciências Exatas e da Terra e Multidisciplinar (Materiais e Biotecnologia), Tiago Barbin Batalhão, não esteve presente na cerimônia pois atualmente realiza pós-doutorado em Cingapura. O interessante é que o orientador do trabalho, professor Roberto Menezes Serra, do Programa de Pós-Graduação em Física da UFABC, recebeu o Grande Prêmio pela segunda vez, repetindo o feito de 2013. Para o pesquisador, a segunda conquista como orientador tem especial relevância à luz da pouca idade da instituição. “É extremamente gratificante para uma instituição jovem como a nossa ter esse reconhecimento tão cedo, nossa universidade tem pouco mais de dez anos. O primeiro prêmio, em 2013, foi uma das primeiras teses defendidas em nosso programa. Hoje temos pouco mais de 50 teses defendidas”, lembra. O professor destaca a proposta diferente de relação com o conhecimento. “A UFABC tem um foco interdisciplinar, não apenas como projeto pedagógico, mas na estrutura física da instituição. Alunos de diferentes áreas interagem entre si e isso faz que o conhecimento se desenvolva de maneira diferente, integrada”, ressalta. A tese vencedora é também um trabalho interdisciplinar. “Esse trabalho conecta conhecimentos da área de Física, Engenharia e Ciência da Informação, com resultados teóricos e experimentais. É um trabalho bem diferente, que só poderia ter sido desenvolvido nesta universidade.”

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O presidente da CAPES, Abilio Baeta Neves, definiu o prêmio como uma justa homenagem à ciência e à educação brasileira (Foto: Edson Morais - CCS/CAPES)

O presidente da CAPES, Abilio Baeta Neves, definiu o prêmio como uma justa homenagem à ciência e à educação brasileira. A secretária-executiva do Ministério da Educação, Maria Helena Castro, também destacou os êxitos da experiência da pós-graduação-brasileira. “Essa é uma homenagem que muito merecida, já que a pós-graduação é responsável por alguns dos maiores avanços da produção científica no país”.

Grande Prêmio
O Grande Prêmio consiste em certificado de premiação, troféu e bolsa de pós-doutorado internacional de até 12 meses para o autor da tese; auxílio para uma participação em congresso internacional, para o orientador, no valor de R$ 9 mil; certificado de premiação ao orientador, coorientador e ao programa em que foi defendida a tese; e passagem aérea e diária para o autor e um dos orientadores da tese premiada para que compareçam à cerimônia de premiação. Pela Fundação Conrado Wessel, são oferecidos três prêmios no valor de U$ 15 mil cada um para cada premiado nas três grandes áreas.

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Os grandes vencedores da noite foram Amanda Costa Thomé Travincas, Mychael Vinícius da Costa Lourenço e Tiago Barbin Batalhão (Foto: Edson Morais - CCS/CAPES)

Em cada ano, um cientista ilustre, brasileiro ou que se tenha radicado no Brasil, cuja pesquisa se tenha enquadrado no conjunto em que a premiação é concedida, é homenageado em cada uma das grandes áreas. Em 2017, foram homenageados Vital Brazil, na grande área Ciências Biológicas, Ciências da Saúde e Ciências Agrárias; Casimiro Montenegro Filho, nas Engenharias, Ciências Exatas e da Terra e Multidisciplinar (Materiais e Biotecnologia); e Aurélio Buarque de Holanda, nas Ciências Humanas, Linguística, Letras e Artes e Ciências Sociais Aplicadas e Multidisciplinar (Ensino).

Prêmio
O Prêmio Capes de Tese foi criado em 2005 e consiste em diploma, medalha e bolsa de pós-doutorado nacional de até 12 meses para o autor da tese; auxílio para participação em congresso nacional, para o orientador, no valor de R$ 3 mil; distinção a ser outorgada ao orientador, coorientador e ao programa em que foi defendida a tese; além de passagem aérea e diária para o autor e um dos orientadores da tese premiada para que compareçam à cerimônia de premiação.

Entre os destaques curiosos desse ano, um casal protagonizou a vitória em duas categorias. Pedro Herculano de Souza, vencedor na área de Sociologia com o trabalho “A desigualdade vista do topo: a concentração de renda entre os ricos no Brasil, 1926-2013”, é casado com Ligia Gonçalves Diniz, vencedora da área Linguística e Literatura, com o trabalho “Por uma impossível fenomenologia dos afetos: imaginação e presença na experiência literária”. Ambos apresentaram as teses na Universidade de Brasília (UnB). “Estava no cardiologista quando recebi a notícia e tive um pico de pressão”, brinca Ligia. Mesmo com temas bastante diferentes, os dois pesquisadores saíram juntos para o doutorado-sanduíche no exterior e defenderam o trabalho com apenas dez dias de diferença. “Na minha área, os prêmios em outros anos, muitas vezes foram concedidos a trabalhos de literatura brasileira ou linguística. A minha tese é totalmente teórica, o que vejo como uma certa resposta a um desejo de ver o Brasil produzindo teoria na universidade”, definiu Ligia. Diferente do tema e área de Pedro. “O tema da desigualdade é um tema clássico no Brasil, mas todo tipo de reconhecimento que coloque em pauta a desigualdade só tem a colaborar para que o futuro seja menos sombrio”, enfatizou.

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Pela Fundação Conrado Wessel, são oferecidos três prêmios no valor de U$ 15 mil cada um para cada premiado nas três grandes áreas (Foto: Edson Morais CCS/CAPES)

O Prêmio CAPES de Tese 2017 contou ainda algumas parcerias que ofereceram prêmios especiais:

Fundação Carlos Chagas
Pela Fundação Carlos Chagas foram concedidos prêmios especiais, cobrindo as áreas de Educação e de Ensino, sendo um prêmio para o autor da tese vencedora no valor de R$ 15 mil em cada uma das duas áreas e quatro prêmios na categoria Menção Honrosa no valor de R$ 5 mil cada, sendo duas premiações de Menção Honrosa em cada uma das duas áreas. A vencedora foi Silvana Soares de Araujo Mesquita, com a tese “O exercício da docência no ensino médio: a centralidade do papel do professor no trabalho com jovens da periferia”, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Na área de Ensino, a premiada foi Leila Cristina Aoyama Barbosa Souza, com o trabalho “A problematização do princípio da precaução na formação do técnico agrícola: reflexões para o enfrentamento da racionalidade instrumental a partir de uma questão sociocientífica”, pela Universidade Federal de Santa Catarina.

Interfarma
O Prêmio Capes-Interfarma de Inovação e Pesquisa é outorgado às duas melhores teses de doutorado defendidas em 2016 relacionadas à inovação e pesquisa na área de Saúde Humana ou Ética/Bioética no Brasil, nas áreas e subáreas de avaliação Medicina, Odontologia, Farmácia, Enfermagem ou de Ciências Biomédicas (que inclui Genética; Fisiologia, Bioquímica, Farmacologia; Imunologia, Microbiologia, Parasitologia e Biologia Celular). A premiação se constitui de um valor bruto de R$ 31.045, 24 e foi concedida a Henrique Gama Ker, da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e Juliana Carvalho Santos, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

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Um acordo específico com a Comissão Fulbright Brasil concedeu um prêmio especial a tese que envolva as relações entre Brasil e Estados Unidos (Foto: Edson Morais CCS/CAPES)

Premiação Fulbright
Em 2017, o Prêmio CAPES contou com uma nova parceria. Um acordo específico com a Comissão Fulbright Brasil concedeu um prêmio especial a tese que envolva as relações entre Brasil e Estados Unidos. A autora Ana Cristina Santos Matos Rocha foi a premiada, com a tese “Experiências Norte-Americanas e projetos de educação no Distrito Federal e em São Paulo (1927-1935): Anísio Teixeira, Noemi Silveira, Isaías Alves e Lourenço Filho”, defendida na Fundação Oswaldo Cruz.

Acesse o resultado do Prêmio Capes de Tese 2017.

(Pedro Arcanjo – Brasília – CCS/CAPES)
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