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Estágio Pós-Doutoral

Coordenador de Nutrição publica estudo sobre ganho de peso na gestação

Publicado: Terça, 15 Março 2016 17:22 | Última atualização: Segunda, 06 Junho 2016 12:20

O coordenador da área de Nutrição da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Gilberto Kac, publicou no início de março um artigo na revista British Medical Journal que tem potencial para alterar o sistema de monitoramento de ganho de peso em gestantes usado no Brasil e no mundo. O estudo é um dos frutos do pós-doutorado realizado pelo pesquisador na Universidade de Oxford, Inglaterra, como bolsista da Capes entre 2010 e 2011.

O professor Gilberto Kac é docente da UFRJ e atua como coordenador da área de Nutrição na Capes (Foto: Haydée Vieira - CCS/Capes)
O professor Gilberto Kac é docente da UFRJ e atua como coordenador da área de Nutrição na Capes (Foto: Haydée Vieira - CCS/Capes)

Como bolsista do Programa de Pesquisa Pós-doutoral no Exterior, Gilberto Kac passou a integrar o estudo feito em oito países que acompanhou cinco mil gestantes. “O Brasil passou a ser um dos países monitorados dentro desse estudo complexo, e bastante caro: foram 12 milhões de libras investidos por uma fundação internacional com o objetivo de propor curvas de ganho de peso fetal e assim termos um padrão internacional do ganho de peso gestacional”, explica.

Segundo o pesquisador, que também atua como professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o sistema utilizado pelo Brasil há algum tempo tem incentivado um ganho de peso desnecessário das mulheres grávidas. “Em 2008 identifiquei que o Ministério da Saúde brasileiro usava um sistema para avaliar o ganho de peso da mulher gestante que estava ultrapassado e que tinha consequências ruins para essa avaliação. Especialmente em dizer que uma mulher poderia ganhar mais peso do que deveria e assim ter como consequência o impacto de ganhar muito peso com os bebês.”

As consequências desse processo podem prejudicar a saúde da mãe, como no caso de doenças cardiovasculares, ou do bebê, em casos de obesidade infantil. “O estudo coordenado pela universidade Oxford busca um padrão internacional. Foi assim que surgiu a proposta que eu fizesse um ano de pós-doutorado na Inglaterra para utilizar os dados brasileiros na construção desse padrão ”, afirma.

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O estudo integrado por Kac foi realizado em oito países e acompanhou cinco mil gestantes (Foto: Acervo pessoal)

Repercussão
Durante os cinco anos desde que voltou de Oxford, o professor Gilberto tem trabalhado com os dados até a publicação do artigo no início do mês. Um dos diferenciais da publicação é o fato da revista British Medical Journal ter fator de impacto 17. “A métrica de impacto é utilizada na avaliação de qualidade de uma revista científica. O fator de impacto é produzido por uma agência internacional e quanto mais alto o fator de impacto, significa que a revista é mais lida e utilizada pela comunidade internacional. Para dar um exemplo, Caderno de Saúde Pública tem impacto 0,8. Uma revista com impacto 17 significa que cada artigo publicado é citado em média 17 vezes nos dois anos subsequentes”, ressalta o professor.

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O artigo é um dos frutos do pós-doutorado realizado pelo pesquisador na Universidade de Oxford, Inglaterra, como bolsista da Capes entre 2010 e 2011 (Foto: Acervo pessoal)

Ainda assim, o impacto mais importante da pesquisa para Gilberto é a possibilidade de mudança da realidade da saúde brasileira. “O artigo pode trazer impacto no sistema de saúde brasileiro. O modelo brasileiro de acompanhamento de ganho de peso da gestante está ultrapassado, tem efeitos negativos e com esse artigo a gente poderá mudar o padrão que o SUS utiliza hoje.”

De acordo com o professor, o próximo passo é colocar a nova curva de peso proposta na prática. “Agora a curva precisa ser testada em diferentes populações. O melhor ganho de peso deve gerar os melhores produtos fetais: crianças sem serem prematuras, com bom peso ao nascer, mães que não tenham hipertensão, diabetes, obesidade pós-parto. Acredito que é um trabalho que pode ter um impacto forte na realidade”, conclui.

Experiência no exterior
O professor ressalta as vantagens da realização da pesquisa no exterior. “Acho fundamental a experiência no exterior, incentivo muito meus alunos a fazerem o mesmo, pois muda a nossa perspectiva de ciência. Dificilmente o estudo que fiz parte poderia ser financiado pelo governo brasileiro, era um estudo robusto, financiado por uma fundação internacional. Esse tipo de trabalho gera frutos futuros, e hoje continuo trabalhando com a Universidade de Oxford mesmo após cinco anos”, afirma o pesquisador que já está planejando o próximo pós-doutorado na Universidade de Columbia, EUA.

Acesse o artigo do professor Kac e conheça outras histórias de bolsistas de destaque da Capes.

(Pedro Arcanjo)

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