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Ciência sem Fronteiras

Estudantes vão aos EUA apresentar trabalho sobre desmonte de rochas

Publicado: Quinta, 07 Janeiro 2016 11:40 | Última Atualização: Segunda, 06 Junho 2016 12:16

Os ex-bolsistas do programa Ciência sem Fronteiras (CsF) Hiago Gonçalves Vasconcelos e Luis Felipe Marinho desenvolveram, durante a graduação-sanduíche na University of Kentucky, nos Estados Unidos, um projeto de pesquisa na área de Explosivos e Desmonte de Rochas. O trabalho foi aprovado para apresentação técnica em uma conferência internacional da organização International Society of Explosives Engineers (ISEE), que será realizada em Las Vegas, de 31 de janeiro a 3 de fevereiro.

Os revisores da organização consideraram o trabalho dos estudantes brasileiros “fascinante” e com várias aplicações na área. A conferência reúne pesquisadores e profissionais da área de desmonte de rochas de todo o mundo. Inclusive um brasileiro, o professor Enrique Munaretti, é um dos colaboradores da entidade, que também possui um capítulo no Brasil, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), sob sua direção.


O estudante Luis Felipe realiza visita técnica em mina de carvão no estado de Kentucky (Foto: Arquivo Pessoal)
O estudante Luis Felipe realiza visita técnica em mina de carvão no estado de Kentucky (Foto: Arquivo Pessoal)


O projeto trata de um processo de inovação por meio da aplicação de um material comum e de baixo custo como tampão de furo de desmonte. “Para a realização de desmonte de um maciço rochoso, várias furos são feitos no mesmo para que esses grandes blocos sejam cominuídos em fragmentos menores, a fim de serem transportados de maneira eficiente para posteriores etapas de beneficiamento. No fundo destes furos de detonação, são colocados explosivos com alto poder de liberação energética, que são responsáveis por esse fenômeno de cominuição da massa rochosa. Para confinar a energia liberada por um explosivo durante a detonação, uma camada de materiais inertes é colocada acima da carga explosiva. São usados vários tipos de materiais para esta finalidade, como brita, restos da perfuração do próprio furo presentes na perfuratriz, areia, entre outros. Essa camada projetada para contenção de energia é chamada de tampão”, explicam os estudantes.

Por meio da pesquisa, os alunos obtiveram resultados contundentes em parâmetros que poderão ser fundamentais na melhoria do desmonte de rochas e outros processos ligados. “O produto feito por nós proporcionou uma otimização do uso da energia do explosivo dentro do furo de detonação, em vez da mesma ser perdida para a atmosfera. Parâmetros como distribuição de tensão ao longo do maciço rochoso, perda de energia por sobre-pressão de ar, ejeção de tampão e pressão audível liberada durante a detonação, foram utilizados como comparativos a partir do uso do produto para com métodos utilizados atualmente pelas empresas no desmonte de rochas”, contam.

O ex-bolsista Hiago visita a mina subterrânea em que desenvolveu o projeto de pesquisa (Foto: Arquivo Pessoal)
O ex-bolsista Hiago visita a mina subterrânea em que desenvolveu o projeto de pesquisa (Foto: Arquivo Pessoal)

Aplicação

O projeto de inovação no processo de desmonte de rochas pode trazer melhorias à realidade brasileira e às pesquisas da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). “Com da aplicação de um material de baixo custo e fácil obtenção, obteve-se melhorias na ordem de 300 a 400% nos parâmetros citados anteriormente. Assim, foram alcançadas melhorias em um processo que tem se mostrado pouco mutável nos últimos anos e vale-se quase que exclusivamente de técnicas já conhecidas”, comentam os ex-bolsistas.

Os alunos acreditam que, eventualmente, será possível reduzir custos de produção de minério por meio da aplicação e avanço dessa linha de pesquisa. “Isto será de grande importância ao setor, considerando os baixos preços das commmodities. Com isso, todo incentivo e suporte, financeiro e intelectual, providenciado pela nossa instituição, UEMG, servirá de testemunho à comunidade que somos capazes de gerar impacto e inovação na comunidade científica, do mesmo modo que outras instituições já consagradas.”

De volta ao Brasil, Hiago pretende partilhar o conhecimento obtido no exterior com os colegas da universidade. “Toda experiência que trouxe na bagagem será de extrema importância para ser compartilhada em sala de aula com meus colegas de curso e, também, em aplicações no campo por meio de estágios ou outros projetos científicos.”

Experiência no exterior
Hiago e Luis Felipe são estudantes do mesmo curso e da mesma instituição, graduandos do curso de Engenharia de Minas da UEMG. Hiago teve oportunidade de realizar o curso de língua estrangeira já nos Estados Unidos. “No primeiro semestre, fiz o curso de inglês em um programa de imersão da universidade e, após atingir uma pontuação no TOEFL exigida pela instituição, dei início às minhas atividades acadêmicas na University of Kentucky, onde estudei pelos outros dois semestres.”

Os ganhos culturais promovidos pelo intercâmbio são destacados por ambos os estudantes. “Tanto no programa de inglês como nas atividades acadêmicas tive a oportunidade de conhecer várias culturas: norte-americana, árabe, chinesa, japonesa, sul-africana, entre outras, sendo voluntário em um ministério cristão presente no campus da universidade e, também, em sala de aula. Por meio destes relacionamentos interculturais, pude aperfeiçoar os meus conhecimentos na língua inglesa e lapidar minhas habilidades na fala, escrita e escuta em inglês, sendo este nosso único meio comunicativo”, conta Hiago.

Hiago e Luis Felipe são estudantes de engenharia de minas da Universidade do Estado de Minas Gerais (Foto: Arquivo Pessoal)
Hiago e Luis Felipe são estudantes de engenharia de minas da Universidade do Estado de Minas Gerais (Foto: Arquivo Pessoal)

Os ex-bolsistas também são enfáticos no que a experiência oferece de ganho de currículo e de inserção no mercado de trabalho. “A experiência proporcionada pelo Ciência sem Fronteiras foi, sem dúvida, um ponto de grandes mudanças positivas em todos os aspectos da minha vida. Adicionar ao currículo a qualidade oferecida por uma das tão qualificadas instituições de ensino americanas é, de fato, um grande trunfo para alavancar a carreira de qualquer um e, consequentemente, proporcionar futuras experiências de trabalho excepcionais”, afirma Luis Felipe. 

O aprendizado de novas técnicas e ferramentas também foi parte da graduação-sanduíche. “Quando dei início ao programa acadêmico de Engenharia de Minas, tive a oportunidade de conhecer outros vários métodos de lavra em minas pouco falados em sala de aula, manipular softwares usados em empresas de mineração multinacionais instaladas em todo Brasil, entender um pouco mais de pesquisas e testes realizados para controle de emissão de gases em minas subterrâneas e também para estabilidade de taludes em laboratórios com equipamentos da mais alta qualidade. Inclusive, ser instruído por professores conhecidos mundialmente pelos seus trabalhos e contribuições para a comunidade científica e, especialmente, ser orientado por um deles em um projeto de pesquisa científico que rendeu resultados promissores para o tópico abordado”, relata Hiago.

Além de resultados imediatos, como a aprovação na conferência internacional, Luis Felipe acredita que a experiência com o CsF trará ensinamentos importantes pro futuro. “O mercado de trabalho atual busca profissionais que tenham a capacidade de 'pensar fora da caixa' e serem dinâmicos na resolução de problemas diários. Desse modo, sair da zona de conforto foi um desafio que me ensinou a ser mais ágil em minhas tomadas de decisões e ampliou a minha ótica sobre o mundo. Acredito, então, que estas características serão fundamentais no desenvolvimento de minha carreira”, conclui.

CsF
Lançado em dezembro de 2011, o Ciência sem Fronteiras busca promover a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional. A iniciativa é fruto de esforço conjunto dos Ministérios da Educação (MEC) e da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) por meio de suas respectivas instituições de fomento – Capes e CNPq. Ao todo, 101.446 bolsas foram concedidas em quatro anos, conforme meta inicial do programa.

Consulte nesta página matérias sobre a atuação dos bolsistas do CsF.

(Pedro Arcanjo)

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