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Obeduc Indígena colabora com cursos de licenciatura em Mato Grosso

Publicado: Quinta, 12 Janeiro 2012 16:20 , Última Atualização: Sexta, 24 Abril 2015 16:35

Com cerca de 26 mil indígenas de 42 etnias, Mato Grosso oferece cursos de licenciatura especialmente dirigidos a integrantes desses povos. A Faculdade Indígena Intercultural (FII), no câmpus de Barra do Bugres da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), promove cursos de licenciatura específica para a formação de professores indígenas desde 2001.

Ciências sociais; línguas, artes e literaturas; ciências da natureza e matemática e pedagogia intercultural são os cursos oferecidos. Com duração de cinco anos, são dirigidos apenas a candidatos que já exercem atividades na área da educação, como professores, diretores ou coordenadores. Os cursos estão estruturados em regime especial. São dez etapas de estudos presenciais, na própria faculdade, em janeiro, fevereiro e julho; outras dez intermediárias, de atividades de ensino e pesquisa; estágio curricular supervisionado e trabalho de conclusão de curso.

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Desde 2001, a Faculdade Indígena Intercultural oferece, a educadores, cursos de licenciatura em ciências sociais, línguas, artes e literatura, ciências da natureza e matemática e pedagogia intercultural (Foto: Acervo Joana Saira–FII)

"Já formamos 276 professores indígenas em nível superior e temos no momento mais 140 que estão cursando", diz o fundador e diretor da faculdade, Elias Januário. Segundo ele, há necessidade de abrir novas turmas de licenciatura, pois ainda há demanda de professores nas aldeias, principalmente com a abertura de turmas de ensino médio. Do total de formados nos cursos de licenciatura para indígenas, três já concluíram mestrado e um faz doutorado.

Os cursos têm currículo intercultural. Ou seja, o conteúdo inclui tanto os conhecimentos universais de um curso regular quanto os tradicionais indígenas — arte, cosmologia, danças e rituais. "A vantagem de um indígena fazer um curso intercultural é que os saberes estarão em um nível de igualdade", destaca Elias. Na visão dele, de modo diferente de um curso regular, no qual o conhecimento científico se sobrepõe aos demais, na licenciatura específica para indígenas também os professores estudantes terão visibilidade, e seus conhecimentos reforçarão a identidade étnica dos povos.

A faculdade oferece ainda curso de pós-graduação com especialização em educação escolar indígena, já concluído por 96 professores. Este mês, mais 52 apresentarão as monografias.

Doutor em educação, pós-doutor em antropologia, com licenciatura e bacharelado em história, Elias Januário atua na educação indígena há 14 anos. Ele coordena diferentes grupos de pesquisa e projetos na área. Entre os projetos estão os de informática para professores indígenas, realizado em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat); de elaboração de material didático nas escolas indígenas do estado e o Observatório da Educação Escolar Indígena (Obeduc Indígena), em colaboração com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e com Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi) do Ministério da Educação.

Publicações — A Faculdade Indígena Intercultural também edita as séries Experiências Didáticas, adotada como material de apoio pedagógico nas aldeias; Práticas Interculturais, que engloba temas das etnias atendidas pela educação superior da Unemat; Institucional, com relatórios de avaliação e projetos pedagógicos dos cursos, e Periódicos, de caráter mais científico. As obras, produzidas pela Editora Unemat, são distribuídas gratuitamente a instituições de ensino e de pesquisa.

(Com informações do MEC)

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