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Artigo - A excelência na formação de pessoal qualificado

Publicado: Terça, 31 Março 2009 12:01 , Última Atualização: Quarta, 21 Mai 2014 20:04

A excelência na formação de pessoal qualificado

Por Jorge Almeida Guimarães

Neste ano, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), fundação do Ministério da Educação que cumpre um papel estratégico na qualidade do ensino superior e na formação de mestres e doutores, completa 58 anos. Ao longo dessa trajetória, a Capes recebeu investimentos substanciais do governo brasileiro o que possibilitou ao país alcançar avanços significativos na capacitação de recursos humanos, assumir posição de destaque na produção científica internacional e liderança em muitos segmentos na produção tecnológica. Fruto da atuação conjunta com outras agências nacionais de fomento à pesquisa construiu-se um invejável parque técnico-científico, patrimônio sem similares em países em desenvolvimento e até entre alguns desenvolvidos.

Com quase seis décadas de experiência, a Capes passou, desde o final de 2007, a investir também na formação de professores para a educação básica (educação infantil, ensinos fundamental e médio), ampliando desta forma o alcance da atuação da agência na formação de pessoal qualificado.

Com essa nova competência, a Capes subsidia o Ministério da Educação na formulação de políticas nacionais para as áreas de educação básica, educação a distância e pós-graduação, corporificando na sua missão o conceito de educação sistêmica, que cobre desde a educação infantil ao pós-doutorado. São cinco as grandes linhas de atuação: avaliação da pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado), formação de recursos humanos de alto nível no País e exterior, cooperação internacional, acesso e divulgação da produção científica pelo Portal dos Periódicos e a formação qualificada de professores para a educação básica.

As atividades da Capes são alicerçadas na efetiva participação da comunidade acadêmica nacional. As ações são baseadas em decisões tomadas no âmbito de colegiados e comissões de avaliação, coordenados por pesquisadores, docentes e especialistas de diversas áreas do conhecimento, indicados pelos programas de pós-graduação e associações e sociedades científicas e entidades representativas de suas comunidades técnico-científicas e educacionais.

Na pós-graduação constata-se que, apesar dos extraordinários avanços alcançados ao longo dos últimos 40 anos, aumentar o número de mestres e doutores, de modo a atender as demandas do País, é uma meta ainda longe de ser atingida, quando se compara nossa situação atual com a de países concorrentes como a Coréia do Sul, Espanha, Rússia, Índia, China e Taiwan. A atuação da Capes, nesse contexto, é uma das prioridades da política nacional de educação expressa no Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), assim como no Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação para o Desenvolvimento Nacional - Pacti 2007-2010, do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

A agência concede bolsas por meio de programas de caráter permanente que promovem a pós-graduação. Para os cursos de pós-graduação no Brasil, a Capes concede quotas de bolsas, sendo estes responsáveis pela seleção dos estudantes de mestrado e doutorado. Já as bolsas no exterior podem ser individuais, concedidas por meio de seleção realizada pela própria Capes, ou embutidas em projetos de cooperação internacional. Os dois processos obedecem a calendário pré-definido e contemplam as mais respeitadas instituições de ensino superior do mundo.

No ano de 2008, mais de quatro mil bolsas no exterior foram concedidas pela Capes, nas modalidades de doutorado pleno, doutorado sanduíche, pós-doutorado e graduação sanduíche. A meta é expor nossos estudantes a ambientes de pesquisa internacional, promovendo a cooperação e a abertura de novas linhas de pesquisa, além de capacitar recursos humanos em áreas não consolidadas no Brasil.

Outra vertente de atuação mais recente são as ações induzidas pela Capes no apoio à formação de pesquisadores em áreas específicas como Oceanografia, Bioenergia e Nanobiotecnologia. Exemplo ilustrativo é o edital em Oceanografia, resultante da parceria Capes e Marinha, que será lançado na próxima semana e representa um grande desafio ao Brasil na capacitação de recursos humanos, que buscam pela pesquisa, gerar conhecimentos necessários à plena exploração do Mar Territorial Brasileiro, as 200 milhas marítimas.

No âmbito da qualificação para a educação básica, um dos maiores desafios que o país enfrenta, o modelo de atuação da Capes, sobretudo no fomento, consagrado ao longo de quase seis décadas, deverá ser novamente posto em prática, explorando, de forma estratégica, as parcerias com as IES do governo Federal (universidades e IFETS), outras IES públicas estaduais e municipais e a comunidade científica, buscando superar gargalos para atingir, o quanto antes, resultados altamente positivos. A excelência na formação de professores para educação básica seguirá os mesmos passos e já se constitui em meta primordial da Capes/MEC, num planejamento de curto, médio e longo prazo.

Jorge Almeida Guimarães é presidente da Capes

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