Notícias Desenvolvimento das Agrárias permite participação crescente da área na pauta de exportação brasileira

Desenvolvimento das Agrárias permite participação crescente da área na pauta de exportação brasileira

Publicado: Quinta, 17 Outubro 2013 20:09 , Última Atualização: Quarta, 21 Mai 2014 20:32

A produção agrícola e animal é um dos importantes itens na pauta de exportação brasileira. Dentre outros fatores, o reconhecido patamar atingido se deve fortemente aos conhecimentos científicos produzidos nas últimas três décadas na pós-graduação e pesquisa e que foram repassados ao setor produtivo. O tema foi tratado durante a terceira semana da Avaliação Trienal 2013.

16out13-EntrevTrienal-GF 1249"A área de Ciências Agrárias tem uma contribuição muito grande no desenvolvimento do agronegócio no país. Os programas de pós-graduação (PPGs) estão formando mestres e doutores que estão estudando tecnologias para melhorar a qualidade dos alimentos que chegam à mesa e aumentar a produção para a exportação", disse a coordenadora da área de zootecnica/recursos pesqueiros, Telma Berchielli, vinculada à Universidade Estadual Paulista (Unesp-Jaboticabal).

Para Maria Beatriz Abreu Glória, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenadora da área de Ciência de Alimentos, o desafio atual é agregar valor à matéria prima. "Temos que deixar de exportar commodities e passar a exportar produtos com valor agregado. Grande parte da matéria prima exportada pelo Brasil não é trabalhada. É preciso desenvolver novas tecnologias para gerar produtos de qualidade e essa pode ser a maior contribuição da área de alimentos."

Controle de doenças
Além de agregar valor aos produtos, dois coordenadores de área participantes da Avaliação Trienal 2013 ressaltaram a importância do controle de doenças em animais e plantas e desenvolvimento de produtos mais resistentes. "O Brasil precisa de certificação de laboratórios, de um desenvolvimento na área de sanidade animal para que nosso produto seja melhor aceito lá fora. O país já dominou a produção animal, mas essa questão da doença ainda é a causa de muitas vezes exportarmos carnes e os outros países não aceitarem e mandarem de volta. Isso tem uma implicância exorbitante no impacto econômico brasileiro", revelou Maria Angélica Miglino, da Universidade de São Paulo (USP), coordenadora da área de Medicina Veterinária.

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"Um dos principais temas que a área Ciências Agrárias como um todo aborda é a produção de materiais genéticos ou variedades mais produtivas, mais resistentes às principais doenças e pragas. Se isso for atendido, automaticamente estaremos aumentando a produtividade das culturas. A produção de novas variedades nas mais diferentes culturas, elevando a produtividade, vão, consequentemente, resultar em aumento da participação na pauta de exportação. Nessa linha, temos diversos PPGs trabalhando na área de genética e melhoramento de plantas e, em um futuro próximo, teremos resultados bastante significativos", completou Moacir Pasqual, da Universidade Federal de Lavras (UFLA), coordenador da área de Ciências Agrárias 1.

16out13-EntrevTrienal-GF 1324Sobre esse assunto, Maria Angélica ainda complementou. "Nós temos uma biodiversidade magnífica. Penso que nossos animais, dentro dessa biodiversidade, podem ter genes que garantam, por exemplo, a resistência ao calor, ao frio, a doenças. Sendo assim, deveríamos ter centros relevantes de genética – já temos, mas precisamos multiplicá-los – para que esses genes possam ser selecionados e transferidos para animais trazendo, assim, melhorias para nossa exportação e para a Medicina Veterinária como um todo."

Falta de pessoal
Quanto ao principal gargalo para o desenvolvimento contínuo da pós-graduação na grande área das Agrárias e, consequentemente, para o crescimento expressivo na pauta da exportação, a resposta foi unânime: a falta de pessoal especializado. "Precisamos de investimento em infraestrutura, pessoal de apoio para desenvolvimento de pesquisas e funcionários especializados – deficiente na maioria dos programas. A pós-graduação cresceu, temos laboratórios com vários equipamentos, mas não temos técnicos para manusear adequadamente", ressaltou Telma Berchielli.

Segundo Maria Beatriz, atualmente, a média de docentes permanentes por programa é de 12, 13. "Isso é muito baixo considerando a importância que a alimentação tem. Sem a alimentação o ser humano não sobrevive, fica também sem saúde e sem uma série de condições que são necessárias para a sobrevivência. Precisamos aumentar o pessoal para poder atender a todas as demandas."

Na Medicina Veterinária, Angélica revelou que foram tituladas neste triênio cerca de 3 mil pessoas. "É um número considerável, mas leva tempo até que eles se estabeleçam e reproduzam o conhecimento. Precisamos de uma injeção imediata de talentos, de líderes. Nisso, o programa Ciência sem Fronteiras é fantástico, pois permite que pessoas de fora venham e tragam novas ideias, arejem as nossas linhas de pesquisa e, com isso, permitam nosso crescimento."

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Moacir Pasqual, das Ciências Agrárias 1, ainda realçou a necessidade de expansão dos PPGs para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. "A produção agrícola já está aumentando muito nessas regiões, especialmente na região Centro-Oeste do país, então, a melhor forma de acompanhar e dar suporte a esse grande crescimento, seria implementar cursos nessas regiões. O grande gargalo é ter professores estabelecidos nestes locais."

(Gisele Novais e Natália Morato)

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