CAPES mantém mobilidade internacional dos bolsistas

A pandemia provocada pela COVID-19 ao longo de 2020 alterou o ambiente acadêmico internacional. Para atender as necessidades dos estudantes que estavam ou ficaram no exterior neste período, a CAPES atuou de forma a preservar o bem-estar e a segurança de todos os bolsistas, especialmente os que desenvolviam estudos e pesquisas em instituições estrangeiras.

Assim, a CAPES reorganizou suas atividades para garantir o conforto dos bolsistas no exterior e atender às expectativas dos que estavam no Brasil e aguardavam a ida para estudar fora do País. O calendário foi readequado e uma série de estratégias estabelecidas para manter a continuidade dos acordos internacionais que promovem a pesquisa brasileira em redes de colaboração internacional.

“Nestes tempos de grande incerteza, a solidariedade e a assistência aos nossos bolsistas que se encontram no exterior foi sempre a nossa maior preocupação”, enfatizou Benedito Aguiar, presidente da CAPES.

A partir do início da pandemia, a CAPES ativou um grande aparato institucional para apoiar 3.300 pesquisadores com bolsas internacionais, com atendimento personalizado aos bolsistas pelo canal de comunicação Linha Direta. Também solucionou as demandas específicas durante os dias mais críticos da pandemia, quando os países adotaram medidas diferentes como o lockdown, fechamento de fronteiras, isolamento da população, cancelamento de voos internacionais, suspensão de aulas presenciais ou interrupção temporária de programas de pesquisa.

“Garantir a continuidade da internacionalização da pós-graduação e da pesquisa brasileira é compromisso essencial da CAPES, que acredita firmemente que a moderna universidade intensiva em pesquisa está intimamente relacionada com as redes de pesquisa internacionais”, afirma Heloisa Hollnagel, diretora de Relações Internacionais.

A iniciativa da CAPES, que continua em andamento, possibilitou o retorno ao Brasil de 612 bolsistas que, após consulta, manifestaram o desejo de voltar. “Outros pesquisadores decidiram permanecer no exterior por considerarem que não correriam risco de saúde nas localidades em que se encontravam, preferindo dar continuidade aos seus trabalhos em programas que mantiveram atividades on-line”, explica a diretora.

Medidas Implementadas

A CAPES estabeleceu um conjunto de medidas técnicas e administrativas para atender a totalidade das demandas surgidas durante a expansão da pandemia pelo mundo. Inicialmente foi adotada a flexibilização da regra de retorno para os bolsistas. Esta alteração teve como meta a manutenção das pesquisas e das redes de cooperação no exterior.

Para os estudantes que decidiram retornar, a CAPES autorizou a volta antecipada sem custo para o bolsista, inclusive com o acréscimo para a remarcação da passagem aérea. Foi assegurado o pagamento do auxílio-deslocamento para aqueles que tiveram dificuldade em conseguir novos bilhetes para antecipar o retorno. “Houve situações em que o pesquisador pediu autorização para retornar com recursos próprios e posteriormente receber o ressarcimento da CAPES”, comenta Heloisa Hollnagel.

Também não foram cobradas as taxas e multas em relação ao cancelamento do seguro-saúde. Os pesquisadores que anteciparam o pagamento de seus aluguéis foram ressarcidos mediante comprovação. Em outra medida, a CAPES permitiu que a devolução de recursos, em período superior a 30 dias, fosse feita sem cobrança de atualização monetária ou multas.


Para os bolsistas impedidos de retornar ao Brasil por causa de lockdown, indisponibilidade de voos ou fechamento de fronteiras, a CAPES decidiu pela prorrogação do pagamento das bolsas por até 60 dias, com possibilidade de renovação. Receberam o auxílio os estudantes cuja vigência da bolsa encerrava-se em março e nos meses seguintes.

No caso dos bolsistas que têm contrato de aluguel em andamento, a CAPES concordou em não cobrar a restituição do valor de multas e taxas relativas ao cancelamento dos contratos. Autorizou também a suspensão da bolsa no exterior, em caráter temporário, enquanto durar a pandemia, para os estudantes que retornaram ao Brasil mas que têm interesse em voltar ao país de estudo para a conclusão da pesquisa. Neste caso, retorno ao exterior será pago pelo bolsista. À CAPES caberá reativar a bolsa até que sejam completados os meses restantes de vigência. Enquanto o benefício estiver suspenso, o pesquisador receberá o valor que tinha no Brasil, sem descontinuidade do trabalho de pesquisa, em seu programa de pós-graduação.

Em relação aos bolsistas do Programa Institucional de Internacionalização (PrInt), a CAPES alterou o calendário de indicação de pesquisadores pelas instituições. Ao suspender a indicação em abril de 2020 e adiar a mobilidade, a Coordenação pretendeu oferecer às instituições de ensino superior (IES) e aos alunos a oportunidade de avaliarem a situação da pandemia. Desse modo, as decisões em relação à viagem poderiam ser tomadas com mais segurança e chances de êxito, diminuindo o risco de desistências.

O PrInt teve alterado o seu calendário de renovação. A alteração para datas posteriores pretende manter o planejamento e o fluxo dos projetos do Programa, das IES e dos bolsistas. A reprogramação, para datas pós-pandemia, das missões de trabalho já autorizadas, também foi permitida.

Necessidade de adiamento

A CAPES adiou para 2021 todas as mobilidades internacionais previstas para iniciar este ano. Nenhuma ação foi suspensa ou encerrada e sua retomada ocorrerá quando a normalidade acadêmica for restabelecida. “A decisão foi tomada em comum acordo com as instituições estrangeiras. Os editais lançados serão cumpridos, havendo apenas a readequação dos programas em função da realidade mundial, incluindo questões de ordem orçamentária”, justifica a diretora. Para informar os bolsistas selecionados, a CAPES contatou pessoalmente os pesquisadores, por meio de um sistema chamado de Linha Direta, e também divulgou todas as orientações pelos canais públicos de comunicação.

Agradecimento

Vários bolsistas que estavam ou permaneceram no exterior registraram agradecimentos à CAPES pela atuação neste período de pandemia. É caso de Patrícia Cuervo, pesquisadora da Fiocruz e professora visitante em uma universidade na Alemanha. No dia 16 de março, ela solicitou uma passagem de volta, que foi marcada para o dia 23. Entretanto, devido às restrições no tráfego aéreo, o voo foi cancelado e ela pediu ajuda novamente para solucionar este problema. Os técnicos conseguiram remarcar o retorno para o dia 18. “Senti que havia boa vontade, eficiência e profissionalismo para resolver a situação dos bolsistas no exterior da melhor maneira possível”, declarou.

Situação semelhante foi vivida por Caroline Jerke, que estava concluindo seu doutorado-sanduíche na Universidade de Queensland, na Austrália. A volta da pesquisadora estava marcada para o dia 29 de março. Entretanto, no dia 12, ela fez contato com a equipe técnica da CAPES e pediu para voltar o quanto antes. Em 48 horas, seu embarque ocorreu. “A equipe me atendeu muito bem, resolveu tudo muito rápido, todos foram extremamente solícitos”, agradeceu.

Acordos com universidades estrangeiras permanecem ativos

Após a declaração da situação de Emergência Sanitária Internacional feita pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em 31 de janeiro, a CAPES decidiu adiar, durante o ano de 2020, a mobilidade internacional estabelecida nos acordos de cooperação com universidades estrangeiras. A retomada dos programas ocorrerá quando as condições de segurança e saúde para todos os bolsistas volte à normalidade.

A decisão foi tomada após reuniões bilaterais com seus diversos parceiros internacionais. Daí concluiu-se que a melhor saída seria a manutenção integral dos acordos, de modo mais igualitário e cooperativo, inclusive com a redução das taxas administrativas e acadêmicas para os estudantes brasileiros. “Em muitos casos, a CAPES renegociou acordos de cooperação que foram benéficos para o Brasil”, informa a Heloisa Hollnagel.

Diversos programas conjuntos de bolsas de doutorado foram renegociados. É o caso do acordo com a República Federal da Alemanha (CAPES/DAAD), que levou a uma menor contribuição financeira do Brasil. O mesmo ocorreu com os acordos dos Programas Bolsas para Pesquisa CAPES/Humboldt - chamada 16, CAPES-Purdue, de doutorado em Agricultura, e CAPES-Yale, de doutorado em Ciências Biomédicas.

A CAPES manteve os editais com seleção em cursos realizados em vários países. “Entre eles os programas com Alemanha, Estados Unidos, Portugal, Canadá e Áustria, assim como com empresas multinacionais para fomento de projetos de pesquisa conjuntos e bolsas individuais”, afirma a diretora.

Em outra linha de atuação, a CAPES trabalha para aumentar e diversificar as possibilidades de aperfeiçoamento dos estudantes de pós-graduação brasileiros. Pelas Plataformas e Tecnologias de Informação e Comunicação estimula iniciativas que permitam manter a interação entre os pesquisadores do Brasil e universidades do País ou do exterior.

Garantir a mobilidade internacional dos brasileiros por meio das chamadas Missões de Trabalho, é outro ponto de destaque nas ações da CAPES. Pesquisadores e equipes de projetos poderão retomar seus contatos com universidades estrangeiras, a partir de setembro de 2020, desde que as condições, no âmbito da pandemia, permitam a atividade.


Para que a divulgação e a disseminação das pesquisas não sejam interrompidas, evitando um blackout no acesso ao conhecimento produzido e apresentado em congressos ou simpósios internacionais, a CAPES decidiu estimular a organização de eventos virtuais, a partir das tecnologias de comunicação. O exemplo mais concreto desta ação será a realização da Bragfost 2020 em modo on-line.

O Bragfost, Simpósio Brasil-Alemanha em Fronteiras da Ciência e Tecnologia, é um programa que conta com o apoio da Fundação Alexander von Humboldt e tem a meta de desenvolver e cultivar novas fronteiras de investigação para aprofundar os conhecimentos internacionais e interdisciplinares. O evento ocorre alternadamente na Alemanha e no Brasil, e reúne sessenta jovens cientistas brasileiros e alemães.

Início das aulas

A expectativa geral dos bolsistas é que o início efetivo das aulas presenciais no exterior aconteça o mais rápido possível. Beatriz Lima Ribeiro, bolsista de doutorado pleno, iniciou em 24 de agosto, de maneira virtual, suas aulas na Indiana University, nos Estados Unidos. Participante do programa CAPES/ Fulbright, ela esperou mais de seis meses pelo começo do intercâmbio, com aulas presenciais previstas para a partir de janeiro de 2021. “Minha sensação é de alegria por estar tendo o privilégio de começar este programa, um sonho que começa a se realizar, mesmo que seja inicialmente apenas on-line”, exultou.

Outro bolsista brasileiro que está pronto para embarcar aos Estados Unidos é Valter Monteiro, mestrando em Imunologia Básica e Aplicada da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo (USP). Ele vai participar do Programa CAPES-Yale de doutorado em Ciências Biomédicas. Ele deve iniciar seus estudos na universidade ainda em agosto.

Yale também receberá Gustavo Santana, mestrando da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que celebrou a oportunidade de ir para uma instituição respeitada no mundo inteiro. “A experiência é muito importante para nós, mas também para o País. Estou na expectativa de aprender lá e na volta conseguir disseminar o conhecimento aqui no Brasil, poder retribuir para a pesquisa brasileira nessa área de ciência biomédica”, disse.

A internacionalização é realizada dentro e fora do Brasil

A internacionalização é um eixo de atuação da CAPES com diversas frentes, como a concessão de bolsas para estudantes realizarem pesquisas no exterior e o intercâmbio de conhecimentos entre professores do Brasil e de fora do país. Nesse ponto, o trabalho tem o objetivo de trazer avanços à ciência nacional ao fazer a sua integração com as redes de pesquisa e programas de pós graduação no exterior.

São 3.300 bolsistas da CAPES no exterior. A psicóloga Maíra Colombarolli é uma delas. Aluna do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP) desde 2018, a pesquisadora rumou em janeiro deste ano para a Universidade de Turim, na Itália. No mês seguinte, as atividades presenciais foram paralisadas por causa da pandemia de coronavírus. Com a ajuda da Coordenação, ela conseguiu prolongar a estadia em solo italiano por 90 dias. A universidade se adaptou para o trabalho remoto.

A doutoranda avalia o funcionamento afetivo e cognitivo de mulheres que passaram por cirurgia bariátrica para identificar quais circunstância levam a um novo ganho de peso. “O valor da bolsa é suficiente para uma experiência confortável financeiramente. A CAPES foi muito atenciosa durante esse período”, relata Maíra.

Para a geógrafa Breylla Campos Carvalho, o período no exterior foi primordial para a qualidade da pesquisa. Graduada pela Universidade de São Paulo (USP), ela criou interesse pela oceanografia, tema mais presente em estados costeiros. De 2012 a 2019, fez seus mestrado e doutorado na


Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e, entre 2017 e 2018, passou um período estudando na instituição holandesa TUDelft.

O trabalho de Breylla comparou a costa da Restinga da Marambaia, área de conservação no Rio de Janeiro, com as das praias da Macumba e da Barra, também cariocas. Ela queria ver como a atuação humana influencia na erosão do solo e ressaca no mar. Usou imagens de satélites de mais de 30 anos e fez um levantamento topográfico do período mais recente. Optou por uma modelagem numérica que foi bastante desenvolvida durante a estadia na Holanda.

Segundo a ex-bolsista, o auxílio da CAPES foi fundamental para poder ir para o exterior. “Fiquei seis meses no exterior depois de um processo seletivo aberto pela Coordenação e consegui avançar na pesquisa”, conta. Para Breylla, o desafio dos bolsistas é saber se comunicar com a sociedade, tornar as pesquisas importantes para a população, não apenas para a academia. “Os pesquisadores devem ter a consciência da importância de a sociedade entender o que fazemos na academia. Enquanto ficarmos apenas publicando em revistas científicas, não chegaremos de fato à sociedade”, afirma.

Internacionalização em casa

A internacionalização pode ser feita ao aproximar o trabalho de pesquisa de estrangeiros no Brasil. Segundo Heloisa Hollnagel, diretora de Relações Internacionais da CAPES, “o professor ou pesquisador estrangeiro pode enriquecer os espaços acadêmicos com a experiência internacional não apenas da instituição que o recebe. A internacionalização em casa pode ser aproveitada inclusive por outras instituições, gerando sinergia intra e interinstituições”, conclui.