Em maio, instituições poderão acessar a plataforma online

Pátio de escola, com alunos sentados e outros andando

Após o lançamento do Ciência é 10!, em abril, a CAPES disponibiliza neste mês de maio a plataforma da especialização destinada aos professores da disciplina que lecionam no segundo ciclo do ensino fundamental (6º ao 9º ano). A ferramenta traz para as instituições parceiras todas as informações e o conjunto de materiais didáticos do curso, cujas inscrições serão abertas em setembro, com as aulas se iniciando em fevereiro de 2020.

Nesta primeira edição serão oferecidas quatro mil vagas em 133 polos de ensino a distância pertencentes a 20 instituições integrantes da Universidade Aberta do Brasil (UAB). A expectativa da CAPES é de que essa formação tenha um impacto direto na vida escolar de 400 mil alunos da rede pública.

"O Ciência é 10! se enquadra na proposta do Ministério da Educação de reconhecimento da CAPES como elo central do programa de formação de professores em nível nacional, nas esferas federal, estadual e municipal, a partir de parcerias", destaca Anderson Correia, presidente da CAPES. Ele afirma que a meta é especializar 50% dos professores em suas áreas de atuação, até 2024.

C10 - Ciência é 10

Também chamada de C10, a iniciativa da CAPES integra o Programa Ciência na Escola, que engloba ações dos ministérios da Educação (MEC) e Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC), além do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O objetivo é melhorar a qualidade das aulas de ciências nas escolas públicas.

Ciência na Escola
Aluna exibindo trabalho realizado

Ciência na Escola

O objetivo é melhorar o ensino de ciências na educação básica, incentivar o aprendizado pela investigação, aumentar a qualificação de professores, estimular o interesse dos alunos pelas carreiras científicas e pelo uso de novas tecnologias, fortalecer a interação entre escolas e instituições de ensino superior, democratizar o conhecimento e popularizar a ciência.

Os resultados esperados do Programa Ciência na Escola são o aprimoramento do ensino de ciências nas escolas de educação básica, a promoção do ensino por investigação voltado à solução de problemas, a qualificação de professores da educação básica pública para o ensino de ciências, o estímulo do interesse dos alunos da educação básica pelas carreiras científicas, a identificação de jovens talentos para as ciências, a promoção da implementação de soluções inovadoras que contribuam para a melhoria do ensino e do aprendizado de ciências, o uso de novas tecnologias educacionais e novos métodos de ensino de ciências, o fortalecimento da interação entre escolas de educação básica, instituições de ensino superior, espaços de ciência e outras instituições de ciência, tecnologia e inovação e a democratização do conhecimento e popularização da ciência.

Com 480 horas de duração, especialização é dividida em três módulos

Aluno pregando trabalho em mural

O curso de especialização lato sensu é dividido em três módulos, com uma carga total de 480 horas. O primeiro módulo tem 150 horas, o segundo, 240 horas e o terceiro, 90 horas. O Ciência é 10! tem quatro eixos temáticos: vida, ambiente, universo e tecnologia.

Baseado no estímulo do ensino por investigação e com uma abordagem criativa e transversal, o Ciência é 10! oferece aos professores ferramentas, conteúdos e metodologias que auxiliam na qualidade das aulas, propondo novos desafios e reflexões sobre a prática pedagógica.

"O curso colabora com o desenvolvimento pessoal e social dos alunos e os aproxima do conhecimento científico. É focado na prática docente dos processos de investigação pergunta-resposta. Não é o ensino teórico tradicional da ciência. Ele vai preparar esses professores das redes de educação básica para ensinar prática na área de ciências aos seus alunos", ressalta Carlos Lenuzza, diretor de Educação a Distância e Formação de Professores da Educação Básica da CAPES.

Além das aulas a distância, uma vez por mês os professores se reúnem nos polos da UAB, que são espaços com estrutura de apoio pedagógico, tecnológico e administrativo, para as atividades de ensino e aprendizagem. Localizam-se, preferencialmente, em municípios de porte médio, com população estimada entre 20 e 50 mil habitantes, e que não possuam instalações acadêmicas públicas de nível superior.

Veja aqui a relação das instituições participantes
https://c10.capes.gov.br/o-c10/instituicoes-participantes

Mudar a dinâmica da sala de aula é um dos objetivos do C10

Professora Maria de Lourdes Severino Cosmo com seus alunos

Garantir que o ensino das ciências nas escolas seja enriquecedor, criativo, participativo e atualizado. Atingir esse alvo passa pela formação continuada dos professores da rede pública de educação básica. Foi para isso que surgiu o Ciência é 10!.

Um dos seus objetivos é contribuir para a efetiva mudança da dinâmica da sala de aula, para que a busca, a socialização e a reconstrução do conhecimento sejam assegurados por meio de um processo de ensino aprendizagem participativo e significativo.

O Ciência é 10! também pretende contribuir para a qualificação do professor em uma gestão democrática e no aprendizado com qualidade. Outra meta é estabelecer o diálogo permanente entre as salas de aula e os conhecimentos que os professores irão adquirir e construir nas universidades.

"Esse curso tem como foco principal o chão da escola. Seu objetivo é trazer para a sala de aula, para o laboratório, para o pátio e para a vizinhança da escola a metodologia investigativa, que consiste em ensinar ciências com os métodos usados na construção da ciência. Despertar a curiosidade, questionar, levantar conhecimentos prévios, formular hipóteses, predizer, experimentar, explicar, registrar, construir e testar teorias. São esses os conceitos emblemáticos de nossa metodologia", argumenta Nelson Studart, professor da Universidade Federal de São Carlos (SP) e um dos mentores do Ciência é 10!.

Primeira turma se formou em Pernambuco

Alunos de Pernambuco

Em Pernambuco, as aulas da professora Gorete Alves, de Santa Cruz do Capibaribe, e do professor Gilmax Lima, de Lagoa de Itaenga, ganharam uma nova dinâmica: com acesso à informação por diferentes meios e trabalhos que modificam o espaço tradicional da classe, seus alunos se tornaram mais participativos e discutem com interesse renovado o conteúdo proposto. Isto é resultado de um processo de ensino e aprendizagem diferente, que mostra ao estudante que ciência pode – e deve – ser atrativa.

Gorete e Gilmax, que atuam em escolas distantes 130 km uma da outra, e outros 98 professores de diversas partes do estado, fizeram o primeiro curso do Ciência é 10!. Experiência piloto no País, a capacitação envolveu seis polos da Universidade Aberta do Brasil, ao longo de 18 meses, em 2017 e 2018, em parceria com o Instituto Federal de Pernambuco (IFPE).

"Com a participação no curso, vi que é possível utilizar diversas maneiras de estimular os alunos a aprender", descreve Gorete, que usa vídeos, exemplos reais e dinâmicas participativas como forma de despertar o interesse do estudante. "Dou liberdade ao aluno para apresentar posições sobre determinados assuntos para além do que está sendo apresentado em sala de aula, para que possam mostrar suas experiências e trazer um pouco das suas realidades", conta Gilmax, que organiza debates na classe para que seus pupilos defendam suas posições.

Na avaliação do coordenador do Polo Universidade Aberta do Brasil (UAB) do município de Carpina, Manoel Terêncio dos Santos, o Ciência é 10! é uma experiência exitosa, pois apresentou uma formação diferenciada e inovadora, que levanta a autoestima do profissional, muda a sua prática de ensino e contribui para uma melhor qualidade da educação. "Atingiu um grande objetivo que é levar para o interior do País o conhecimento e contribuir para a redução das desigualdades".