Mais oportunidade para capacitação de profissionais da educação básica no exterior

Coordenadores e professores

A CAPES retomou em 2019 oferta de cursos de capacitação no exterior para profissionais da Educação Básica da rede pública de ensino do País. Para concorrer às 588 vagas para os Estados Unidos e Canadá, foram recebidas 2.335 inscrições de professores. O número de coordenadores e supervisores pedagógicos inscritos ao edital de 30 vagas para Irlanda ainda está sendo apurado. Além da passagem aérea, os participantes terão ajuda de custo, seguro-saúde e alojamento.

Recebidas as inscrições, será feita a verificação da documentação exigida no edital. No dia 02 de abril, está prevista a divulgação do resultado preliminar, com prazo para apresentação de recursos até 10/4. Os selecionados serão conhecidos no dia 15 de abril.

Em parceria com a Comissão Fulbright, a capacitação nos Estados Unidos atenderá 486 professores de língua inglesa das redes publicas estadual, municipal e distrital, em efetivo exercício da profissão. O curso intensivo terá duração de seis semanas em universidades norte-americanas.

Outros 102 professores de todas as áreas da educação básica das redes municipal, estadual e distrital irão ao Canadá, numa parceria com o Colleges and Institutes (CICan). O curso está organizado em duas partes: uma destinada ao treinamento básico de inglês e a outra ao desenvolvimento profissional, por meio do aprimoramento de habilidades socioemocionais e pedagógicas.

No caso da Irlanda, irão 30 coordenadores e supervisores pedagógicos de toda a rede pública, inclusive a federal. A parceria é com o Mary Immaculate College em cursos de inglês, desenvolvimento de habilidades em liderança e gestão pedagógica. A duração será de doze meses.

A iniciativa marca a retomada dos investimentos para a educação básica com parcerias em países estratégicos na formação de professores, "valorizando a prática docente e as experiências internacionais que possam agregar mais conhecimento ao ensino brasileiro", afirma Carlos Lenuzza, diretor de Educação a Distância e Educação Básica da CAPES.

Iowa State University

Três mil docentes da educação básica já fizeram cursos fora do Brasil

Ao longo dos últimos anos, a CAPES apoiou a capacitação no exterior de quase três mil docentes, por meio do Programa de Desenvolvimento Profissional para Professores de Língua Inglesa nos Estados Unidos (PDPI), em parceria com a Comissão Fulbright. A iniciativa oferece curso intensivo de seis semanas em universidades nos EUA, com atividades acadêmicas e culturais, desenvolver a fluência oral e escrita, além de compartilhar metodologias de ensino e avaliação que estimulem a participação do aluno em sala de aula.

Um dos participantes é José Roberto do Nascimento Júnior, professor da rede municipal de Igarassu (PE), onde atua nos anos finais do ensino fundamental em língua portuguesa, inglesa e arte. Com duas licenciaturas na área pelas universidades federais do Ceará e de Pernambuco e mestrado na Espanha, ela avalia que essa capacitação foi uma experiência singular. "Sempre quis estar imerso num ambiente em que pudesse praticar e desenvolver o idioma".

José Roberto fez o curso intensivo de desenvolvimento de metodologias na University of Miami, em Coral Gables, na Flórida, Estados Unidos, em 2017. Ele recebia oito horas de aulas diárias, presenciais. "O resultado foi muito acima de qualquer previsão que eu tinha", destaca. Após seu retorno, suas atividades em sala de aula ficaram melhores. Ao final, os participantes escreveram planos de aulas que serão publicados em um livro. "Além de todo o conhecimento adquirido, da experiência de vida, ainda houve uma preocupação em replicar tudo para outros professores", comemora.

Para Oselias Lima, professor de língua inglesa nas redes estadual e municipal de Landri Sales, no Piauí, a participação no PDPI permitiu seu acesso a conhecimento metodológicos no processo de ensino e aprendizagem, além do enriquecimento pessoal e cultural. Ele fez a capacitação em 2017, e durante o curso, na Iowa State University, em Ames, EUA, além das aulas, participou de discussões de ideias, atividades culturais, trocas de experiências e reflexões sobre as dificuldades dos docentes. "A capacitação permitiu sincronizar diferentes perspectivas educacionais que contribuíram para a melhoria do meu desempenho no processo de aprendizagem, no meu contexto escolar", avalia.

Oselias conta que "todas as expectativas de aproveitamento do curso, recursos humanos e tecnológicos foram atendidos para além do que se imaginava. Tive aulas para motivar a produção oral, estratégias de avaliação e metodologias de ensino/aprendizagem. Tudo isso foi bem planejado e adaptado para nossa realidade".

Na visão do professor, a CAPES assume um papel importante no processo não só por apoiar financeiramente, mas pelo reconhecimento da necessidade de garantir o progresso profissional para os professores de todas as regiões do País. "É uma capacitação democrática e inclusiva", ressalta Oselias.

Canadá é o destino dos 30 vencedores do Prêmio Professores do Brasil

Professora Maria de Lourdes Severino Cosmo com seus alunos

A professora Maria de Lourdes Severino Cosmo é uma das selecionadas, junto com outros 29 professores de todo o País, para irem ao Canadá, como parte do reconhecimento alcançado no 11º Prêmio Professores do Brasil. Docente no Centro de Ensino Fundamental Cerâmicas Reunidas Dom Bosco, na área rural de Planaltina, a cerca de 70km do centro de Brasília, ela desenvolveu o projeto "Produtor Leitor: plantando histórias, colhendo os frutos".

Com três caixas de tamanhos diferentes, que serviam de palanque e viravam um pódio, mais 29 livros em um balaio, Maria de Lourdes incentivou seus alunos a ler e trabalhar a oralidade, melhorando a interpretação, a postura e a interatividade entre eles. Após a leitura silenciosa, os estudantes fazem ilustrações e uma síntese sobre o que entenderam do texto. Em seguida, a leitura é feita em voz alta, de forma individual, em dupla ou continuada. Ao fim de toda interação, três alunos que se destacaram são premiados com medalhas de bronze, prata e ouro, respectivamente. A professora trabalha de forma que, ao fim do ano, todos tenham sido premiados.

"A ideia nasceu da necessidade de despertar nos meus alunos o gosto pela leitura", explica Maria de Lourdes, que incentivou suas crianças a saírem da leitura silenciosa e ensinou-as a exporem a oralidade, lembrando-as de que quem lê bem não tem medo de se expressar. Para ela, trabalhar com projetos não é fácil, "mas é a oportunidade de o professor colocar suas digitais no ensinar", diz, em um incentivo para que seus colegas não desistam.

Mostrando toda a articulação que adquiriu durante o projeto, a aluna Lyara Caetano Pereira, 11 anos, explica: "hoje, eu vejo os benefícios que teve essa leitura. A gente fazia isso toda segunda-feira. Sempre estava lendo os textos de autores famosos como Paulo Freire, Graça Batituci e vários outros". Beatriz Ferreira de Oliveira, 12, fala com orgulho que aprendeu coisas simples, mas que nem imaginava que existiam: "Esse projeto foi muito bom para mim. Eu aprendi até que abacaxi não tem caroço, e sim miolo".

Aluna exibindo trabalho realizado

Professora Vandete Pereira Lima

"Mensagem para você"

Vandete Pereira Lima, professora do 2º ano do Ensino Fundamental, trabalha com crianças de sete e oito anos, em período de alfabetização e foi uma das mestras que recebeu a viagem ao Canadá. O reconhecimento veio pelo projeto "Uma mensagem para você", desenvolvido na Escola Classe 08 do Cruzeiro, em Brasília.

"O projeto veio da dificuldade de incentivar as crianças a escrever", explica a professora que lembra o interesse imediato dos alunos, quando ouviram falar sobre o aplicativo. Para desenvolver suas atividades, Vandete imprimiu celulares em folha branca, que cada um decora como preferir, trabalhando a criatividade, memória e coordenação motora.

Antes de começar a escrever suas mensagens, a turma discute o assunto, quando os próprios alunos apontam termos que caibam no contexto, mas não sabem como escrever. Com isso, montou-se um banco de palavras no quadro da sala. "Todas essas palavras usadas por eles, foram assimiladas e a fixação foi muito mais rápida do que em ditados comuns", destaca.

A professora conseguiu trabalhar todo o conteúdo previsto para seus alunos. Ao longo do ano, "as crianças produziram receitas, bilhetes, cartões de aniversário, de pêsames, de Halloween, além, de convites, conversas, troca de ideias sobre eventos e, no fim, o WhatsApp virou a nossa comunicação escrita oficial", conta. Vandete incentiva os colegas professores a aderirem à sua sequência didática e aponta: "minha experiência mostrou que esse meio é um facilitador da aprendizagem de crianças que não tem o celular para uso comum".

Prêmio

Prêmio

O prêmio é uma ação do Ministério da Educação que reúne diversas instituições para homenagear e divulgar práticas de professores de escolas públicas, como forma de reconhecimento por seu trabalho. A CAPES é parceira no Prêmio desde sua criação em 2005.

Para incrementar a parceria, na 10ª edição, a CAPES concedeu aos premiados uma viagem à Irlanda. Na 11ª edição do Prêmio Professores do Brasil (PPB), os 30 finalistas da etapa regional ganharão uma viagem ao Canadá. Lá, eles farão uma imersão na cultura e na realidade educacional de um país que está entre os dez melhores do mundo em qualidade da educação.

Nesta 11ª edição, o Prêmio recebeu quatro mil projetos de professores de todo o país e selecionou 30, após as etapas estadual e regional, até à nacional.

CLIQUE AQUI E CONHEÇA TODOS OS PROFESSORES QUE IRÃO AO CANADÁ E OS PROJETOS VENCEDORES DA ETAPA REGIONAL

Alunos do Paraná

Alunos do Paraná fazem curso na Alemanha

Um grupo de 15 alunos da Universidade Federal do Paraná (UFPR) completou o estudo de alemão como segunda língua pelo Programa Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor). O objetivo é fomentar turma especiais em cursos de licenciatura para professores em serviço sem formação superior na disciplina em que atuam. A parceria do curso de alemão do Parfor/UFPR com o governo alemão pretende desenvolver a fluência linguística dos professores a partir da imersão no cotidiano da cultura e da língua alemãs.

Como estratégia, o último módulo da formação ocorreu na Alemanha, durante o mês de janeiro. Os alunos, que são professores da educação básica, puderam vivenciar cultura e língua alemãs com docentes nativos. Desde 2016, a UFPR participa do Parfor. Atualmente, três turmas do curso de licenciatura em Alemão fazem parte do Programa. Marcilene Reinert é professora de inglês e completou recentemente a licenciatura em Alemão. As principais motivações para o novo curso foram a procura pela língua, a influência germânica em Joinville (SC) – cidade onde mora –, além da presença de empresas daquele país no seu município.

A professora destacou a riqueza de aprendizado durante o período passado em imersão, explicando como esta experiência pode mudar a forma de ensinar a seus alunos. "Vivenciamos a cultura, a história. Tivemos a oportunidade de conversar com pessoas que viveram a guerra. A gente se sentia dentro da história. Agora partimos de outro ponto de vista. Dá para trazer essas experiências para os alunos", completou.