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Ciência sem Fronteiras

Bolsista de doutorado da CAPES publica artigo sobre tumores cerebrais

Publicado: Quarta, 22 Fevereiro 2017 17:52 | Última Atualização: Quinta, 02 Março 2017 13:20

O bolsista de Doutorado Pleno no exterior da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) Raul Bardini Bressan acaba de publicar um artigo científico no renomado periódico Development. O trabalho descreve a implementação da tecnologia CRISPR/Cas9 para edição genômica de células troncos neurais e uso desse método para estudos de tumores cerebrais. O artigo, de livre acesso, foi disponibilizado dia 15 de fevereiro e pode ser lido na íntegra no link.

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O projeto de doutorado de Raul na University Of Edinburgh, no Reino Unido, tem como objetivo investigar o papel de determinadas mutações genéticas em tumores cerebrais. (Foto: Arquivo pessoal)

O projeto de doutorado de Raul na University Of Edinburgh, no Reino Unido, tem como objetivo investigar o papel de determinadas mutações genéticas em tumores cerebrais. “Meu foco específico é um tipo de tumor altamente agressivo e letal que afeta crianças por volta de 5-15 anos de idade, chamado glioblastoma pediátrico. Até o momento, não existem terapias eficazes para tratar esse tipo de tumor, e a maior dificuldade para o estudo da doença é a falta de modelos experimentais”, explica.

Dessa forma, o principal objetivo do trabalho publicado foi estabelecer uma tecnologia conhecida como CRISPR/Cas9 para engenharia genômica de células-tronco neurais. “Tais células, durante o desenvolvimento, dão origem ao nosso sistema nervoso central, mas, infelizmente, em alguns casos, são responsáveis também pela formação de tumores cerebrais. As técnicas que desenvolvemos nos permitem agora inserir mutações no DNA dessas células e recriar no laboratório esse tipo de tumor. Assim, podemos entender melhor qual o papel de cada uma das mutações gênicas, bem como desenvolver e testar drogas que possam ser mais eficazes para o tratamento da doença - que é o objetivo do meu último ano de pesquisa de doutorado”, afirma o bolsista.

A publicação é de extrema importância, pois descreve métodos úteis e eficientes para o estudo de células-tronco neurais e que poderão ser implementados por diversos laboratórios, inclusive aqueles com recursos mais limitados e sem acesso a equipamentos de alta tecnologia, como é o caso da maioria dos laboratórios de pesquisa no Brasil. “Tais métodos poderão ser aplicados não apenas para o estudo de tumores cerebrais, mas também de diversas outras doenças que afetam o desenvolvimento do sistema nervoso central, tal como a microcefalia causada pelo Zika vírus. Nesse caso, as técnicas que desenvolvemos podem ser utilizadas, por exemplo, para entender melhor as causas da microcefalia, bem como para desenvolver formas de atenuar ou reverter os efeitos da infecção viral.”

Experiência no Exterior
Para o bolsista, a realização do curso de doutorado no exterior tem proporcionado imensa aprendizagem e crescimento como cientista. “O Centro de Medicina Regenerativa da Universidade de Edimburgo é uma referência mundial e conta com vários cientistas renomados na área de pesquisa com células tronco. O centro abriga também diversos especialistas técnicos em áreas multidisciplinares e equipamentos de alta tecnologia. Tudo isso cria um ambiente muito rico e que favorece a formação profissional dos estudantes de doutorado”, ressalta.

A interação no ambiente acadêmico é um dos pontos destacados da experiência por Raul. “Tenho aqui a oportunidade de interagir, aprender e colaborar com todos esses profissionais altamente capacitados, o que certamente se reflete na qualidade do artigo que publicamos e no projeto que venho desenvolvendo. Espero em breve poder retribuir os investimentos do programa Ciência sem Fronteiras e utilizar todo esse conhecimento e rede de contato adquiridos para contribuir com o desenvolvimento científico do Brasil”.

O objetivo do doutorando é que sua pesquisa nessa nova área se relacione com o desenvolvimento da ciência brasileira. “A tecnologia CRISPR/Cas9 e o avanços recentes nas ferramentas de engenharia genômica têm proporcionado uma verdadeira revolução científica no mundo afora, principalmente nas áreas de médica e biotecnológica. Tais avanços abriram uma gama de oportunidades que vão desde o tratamento de doenças até então consideradas incuráveis, como por exemplo infecções por HIV, até o desenvolvimento de biocombustíveis como forma de energia sustentável e melhoramento genético de espécies cultiváveis para aumento da produtividade agrícola. Essas são obviamente áreas de grande interesse para o Brasil, e o desenvolvimento científico-tecnológico do país nos anos futuros vai certamente depender da formação de pesquisadores com competência técnica em engenharia genômica”, conclui.

Consulte nesta página outras matérias sobre a atuação de bolsistas da CAPES.

(Pedro Arcanjo)

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