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  • Bolsista desenvolve novas tecnologias para representação geológica

    A tese de doutorado em Geologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) de Ivaneide Santos desenvolveu novas tecnologias para a representação do inventário de sítios de interesse científico na região do Cânion do São Francisco (Nordeste brasileiro), Fafe e Macedo dos Cavaleiros (Norte de Portugal). A pesquisadora recebeu bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) entre 2015 e 2016 para realizar doutorado-sanduíche na Universidade do Minho.

    19052017 Mapa Geologico

    O trabalho permitiu a integração de uma visita virtual a áreas de interesse geológico, com integração de elementos multimídia. Estes conteúdos podem ser explorados numa plataforma online interativa, onde a reunião de elementos fotográficos, obtidos com veículos aéreos não tripulados (VANTs), imagens panorâmicas a 360º interpretadas, modelos de representação tridimensional, elementos cartográficos e elementos informativos, promovem uma nova forma de representação dos aspectos Geomorfológicos, Geológicos ou do Patrimônio Geológico.

    Confira um dos resultados desta investigação, a visita virtual ao Geoparque Terras de Cavaleiros: http://www.dct.uminho.pt/macedo/macedo.html

    De acordo com Ivaneide, a representação dos elementos da geodiversidade e do patrimônio geológico têm sido cada vez mais foco de discussões e utilização de novas técnicas. “A última década proporcionou significativos avanços nos mecanismos de coleta de dados georreferenciados, no uso dos sistemas de informações geográficas e das tecnologias da informação e comunicação. Buscando superar estes desafios, a criação de ambientes virtuais surge como uma solução para a democratização do acesso aos conteúdos das geociências e da otimização da apreensão deste conhecimento por parte de diferentes públicos-alvo em diversos níveis”, explica.

    A estas tecnologias estão associados vários métodos de obtenção de dados remotos, cujos resultados permitem diversas aplicações científicas e técnicas. “No âmbito científico, a qualidade das imagens é fundamental, pois é esta faculdade que implicará o limite de ampliação do detalhamento das informações ali inseridas. A realidade aumentada quando integrada a conteúdos pode fornecer relevantes funcionalidades de consulta, análise, representação, valorização e divulgação da Ciência, como também de conteúdos didáticos e promocionais”, enumera a bolsista.

    A modelagem tridimensional proporciona vários pontos de vista privilegiados, além do detalhamento das feições e da interação proporcionada ao usuário através do computador. “Quando são utilizadas plataformas móveis providas de giroscópios, acelerómetros e GPS (smartphones e tablets), a informação pode ser contextualizada com o local e a navegação automatizada com o movimento do dispositivo, providenciando uma experiência única de interpretação da paisagem através de realidade aumentada. É possível, por exemplo promover a acessibilidade para indivíduos com necessidade especiais ou com escassez de recursos financeiros para visitar presencialmente o local desejado. E ainda, permite àquele que tem a possibilidade de ir ao local, aceder a informações mais detalhadas dos aspectos naturais locais, antes e após a visita”, enfatiza.

    Experiência no exterior
    A estudante de doutorado define o período na Universidade do Minho, em Portugal, como um divisor de águas na pesquisa. “Quando o Professor Gorki Mariano me desafiou a descobrir novas metodologias de representação e divulgação do patrimônio geológico, de fato proporcionou a busca por novas fronteiras e senti o tamanho do desafio. Na época, ele sugeriu as visitas virtuais e até indicou que eu procurasse o departamento de artes visuais e webdesign”, conta.

    Um dos desafios do Grupo de Pesquisas em Geoconservação da UFPE é levar à sociedade o conhecimento voltado às geociências através de uma linguagem acessível, simples e de qualidade. “Mas na verdade, ao me dirigir a estes locais, não encontrei a integração de que necessitava para superar este desafio. Foi mesmo no exterior, depois de ler alguns trabalhos neste âmbito, é que finalmente encontrei na Universidade do Minho o que procurava.”

    19052017 Trabalho de campo

    A bolsista conta que sem o apoio da CAPES teria sido complicado desenvolver esta pesquisa no exterior. “No Brasil, pesquisas neste âmbito ainda são muito incipientes e os recursos escassos. O ano do sanduiche foi fundamental para o desenvolvimento de protótipos e intercâmbio com outros pesquisadores. E mesmo sem recursos, no ano seguinte, retornei ao exterior ao abrigo da co-tutela, entretanto estabelecida entre a Universidade Federal de Pernambuco e a Universidade do Minho, para desenvolver melhor estas novas tecnologias e isto foi decisivo para o aprimoramento das técnicas e produtos”.

    Em 2016 foram também desenvolvidos produtos inovadores, baseados no trabalho desenvolvido na tese dos quais, como a construção de uma mesa de projeção 3D interativa e cartografia, com a colaboração com a Spin-Off Geosite.

    Impactos e inspirações
    Na tese, todas as soluções voltadas para a realidade aumentada foram adequadas à realidade portuguesa. Na impossibilidade de aplicação das soluções produzidas nas áreas de interesse científico no Brasil, foram delineadas como perspectivas algumas ações futuras visando a aplicação soluções multimídia no nosso país. “Estas soluções, inspiraram outros Projetos, tanto no âmbito científico, quanto empresarial, dentre os quais um projeto científico que será desenvolvido pela Universidade de São Paulo, aprovado com os recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), a desenvolver entre os anos de 2017 e 2019, intitulado: O Patrimônio Geológico da região costeira do estado de São Paulo: inventário e valorização com suporte de tecnologias geoespaciais, tendo como pesquisador responsável: Maria da Glória Motta Garcia, do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo.”

    19052017 Voo

    Ivaneide aposta no recurso tecnológico com como potencial de democratização científica. “Num país com uma beleza cênica inconfundível como o Brasil, estas tecnologias agregam valor e diminuem fronteiras. A divulgação e a representação virtual de locais de interesse científico e da Geodiversidade ultrapassa as fronteiras espaciais, econômicas e democratização do conhecimento. A quebra do paradigma da dificuldade de acesso de conteúdos didáticos e científicos está associada à forma de divulgação destes elementos. Sendo assim, as novas tecnologias de representação e divulgação não só do patrimônio geológico e da geodiversidade, como também do conteúdo científico como um todo, representa a oportunidade para a comunidade científica de democratizar o acesso ao conhecimento em um Brasil que são vários Brasis com fronteiras econômicas, espaciais e culturais significativas”.

    A pesquisadora acredita que o trabalho pode contribuir na construção de uma cultura de preservação e conhecimento geológico. “Ainda há um longo caminho a percorrer até conseguirmos incorporar à matéria legislativa e às práticas sociais a geodiversidade e a Geoconservação diante de medidas protetivas e de adequado manejo dos nossos recursos paisagísticos e geoturísticos. Mas, sem dúvida é preciso começar pelo conhecimento e representação nosso patrimônio natural. É preciso que estes conceitos sejam incorporados e compreendidos pela Sociedade. Nesta construção quero romper fronteiras e quebrar novos paradigmas e agora, com todo este aprendizado poderei repassar a outras pessoas e aplicar no meu país estas novas técnicas e ajudar a valorizar e representar o que Brasil tem de melhor além do seu povo, a grande diversidade natural e paisagística”, conclui a bolsista.

    A tese “Recursos interativos online no cânion do rio São Francisco no Brasil e de lugares de interesse geológico em Portugal utilizando Realidade Aumentada” foi realizado sob a supervisão do Dr. Renato Filipe Faria Henriques (Uminho) e pelo Dr, Gorki Mariano (UFPE). A tese deverá ser defendida na UFPE em meados de Junho de 2017.

    Consulte nesta página outras matérias sobre a atuação de bolsistas da CAPES.

    (Pedro Arcanjo)

  • Bolsista Costa Marfinense fala sobre experiência em doutorado pleno no Brasil

    Desde março de 2015, o Costa Marfinense Yéo N’gana realiza, com bolsa concedida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), doutorado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Yéo foi um dos contemplados pelo edital 2014 do Programa Estudantes-Convênio de Pós-Graduação (PEC-PG), que concede bolsas de doutorado pleno, em instituições de ensino superior (IES) brasileiras, a professores, pesquisadores e graduados do ensino superior de países em desenvolvimento com os quais o Brasil mantém acordo de cooperação.

    16052017 banner bolsista destaque costa marfim

    Graduado em Letras Português e mestre em Literatura da África Lusófona pela Université Félix Houphouët Boigny (UFHB– Abidjan), Yéo explica que seu doutorado trata da história da tradução, abordando as relações de poder no processo de retextualização, literaturas pós-coloniais africanas, interculturalidade e representatividade. “Minha pesquisa é uma tradução comentada de La carte d’identité, do escritor marfinense Jean-Marie Adiaffi Adé, do francês para o português brasileiro. Procuro neste trabalho, além de traduzir, refletir sobre o processo de tradução, sobretudo em uma perspectiva sul-sul. Trata-se, portanto, de uma abordagem ao mesmo tempo histórica (diálogo ex-colônia com outra ex-colônia), social (reflexão sobre as estratificações sociais e linguísticas, conforme aparecem na obra traduzida), antropológica (como a tradução, e, por meio dela, a literatura vêm ajudando a entender o homem, o seu pensamento e a formar a sua visão sobre o mundo) e cultural (como tanto o Brasil quanto a Costa do Marfim vem construindo, a partir do contato com o outro, uma cultura nacional, um ideal coletivo, esse multiculturalismo que presenciamos nos dois países)”.

    Segundo Yéo, em sua pesquisa, ele reflete sobre a possibilidade de uma tradução dialógica no âmbito de dar continuidade à visão e ao projeto de Adiaffi, no qual os nomes e expressões em anhi (sua língua) representam marcadores culturais essenciais. “Traduzir é, então, revelar essa diversidade. Enquanto tal, exige, por parte do leitor, um esforço de compreensão ao qual estamos todos convidados. Neste espaço ainda mais escorregadio, espaço de construção social e identitária, faz-se necessário e urgente refletirmos sobre as escolhas tradutórias que fazemos e as teorias que nos servem de guarida conceitual se quisermos evitar genocídios linguísticos, culturais e humanos como aqueles que vivenciamos durante a colonização e no caso do conflito Rwandês”, explicou.

    Experiência
    Segundo o doutorando, o PEC-PG é um programa de extrema relevância, pois propicia benefícios ao Brasil e aos países pertencentes ao convênio. “O PEC-PG abre janelas para outros mundos. Se por um lado ele torna possível a carreira acadêmica a pesquisadores estrangeiros que, por conta do custo não teriam condições de arcar com seus estudos, por outro ele robustece a presença do Brasil no mundo político, socioeconômico e cultural favorecendo, acima de tudo, a convergência do mundo em direção ao Brasil”, explica.

    Para o bolsista, o retorno ao país de origem faz dos pesquisadores embaixadores brasileiros em suas regiões. “Com este programa é possível descontruir estereótipos de um Brasil exótico, composto apenas de carnaval, samba e futebol e mostrar um Brasil onde a cultura e a alegria não impedem o conhecimento. Ao término de nossas pesquisas, somos como embaixadores brasileiros com a função de apresentar um Brasil de inovação, acolhedor e uma futura potência que tem muito a contribuir para um mundo melhor”, disse.

    A adaptação ao ambiente de pesquisa é apontada por Yéo como um dos maiores desafios de um pesquisador em sua atuação, razão pela qual ele qualifica sua experiência até o momento como excepcional. “Estou na universidade onde foi criada a primeira pós-graduação na área dos Estudos de Tradução na América do Sul e uma das mais importantes da área do mundo. Além de multidisciplinar e aberto para novas abordagens, o Programa de Pós-Graduação em Estudos de Tradução (PGET) dá aos alunos uma voz que nem sempre existe na academia, por meio da representação discente junto ao colegiado, debates e incentivos às publicações. Na mesma perspectiva, o programa possui um número extraordinário de eventos nacionais e internacionais com editores, tradutores, escritores/poetas e pesquisadores sobre a tradução que permite ao aluno juntar teoria e prática”

    Sugestões
    A partir de sua experiência no PEC-PG, o bolsista sugere a inserção de um fluxo bilateral no programa, de modo que pesquisadores brasileiros possam fazer suas pesquisas nos países membros do convênio. “Assim como os alunos e/ou pesquisadores vêm estudar no Brasil, outros estudantes brasileiros poderiam ir nesses países de intercâmbio. É importante destacar que tanto o Brasil quanto os países membros do convênio têm algo para oferecer em termos de conhecimento. As potencialidades que ficam nesses países são enormes e os alunos brasileiros poderiam aprender muito e reproduzi-las no retorno às suas comunidades acadêmicas”.

    O doutorando comenta ainda a importância da criação de uma rede de acompanhamento de egressos do programa. “Pelo investimento nessas pesquisas serem de suma importância, seria interessante poder acompanhar a pós-formação, o resultado do investimento. O governo brasileiro poderia renegociar os acordos com as universidades ou assinar novas parcerias engajando as universidades dos países membros do convênio para facilitar a inserção dos alunos bolsistas quando voltarem para seus países de origem. Essa rede de alumni teria uma representação tanto a nível das embaixadas do Brasil no exterior e quanto em suas universidades. Os alunos participariam da preparação dos futuros bolsistas pela troca de experiência e, especialmente, na busca por uma universidade e por um orientador do projeto de dissertação ou de tese”, sugeriu.

    PEC-PG
    O programa é fruto de parceria entre a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), o Ministério das Relações Exteriores (MRE) por intermédio da Divisão de Temas Educacionais (DCE), e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e tem o objetivo de conceder bolsas de doutorado pleno em IES brasileiras a professores universitários, pesquisadores, profissionais e graduados do ensino superior dos países em desenvolvimento com os quais o Brasil mantém Acordo de Cooperação Educacional, Cultural ou de Ciência e Tecnologia visando o aumento de qualificação necessária para que o estudante possa contribuir para o desenvolvimento de seu país.

    (Gisele Novais)

  • Bolsista da CAPES pesquisa benefícios do açaí no tratamento de distúrbio bipolar

    Os benefícios do açaí vêm sendo explorados nos últimos anos. Por ser rico em proteínas, fibras, lipídios, vitaminas e minerais, o fruto tipicamente brasileiro já foi assinalado como importante para prevenção de doenças como colesterol alto, aterosclerose e até mesmo câncer, além de impulsionar o sistema imunológico de forma geral. Um estudo recém-publicado foi além e definiu o açaí como uma nova esperança para o tratamento de doenças neuropsiquiátricas.

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    Os resultados da pesquisa Neuroprotective Effects of Açaí (Euterpe oleracea Mart.) against Rotenone In Vitro Exposure estão disponíveis no Portal de Periódicos da CAPES, na revista científica Oxidative Medicine and Cellular Longevity. Segundo Alencar Kolinski Machado, autor do trabalho, os indicadores sugerem que o açaí pode ser um suplemento alimentar importante para pacientes portadores de distúrbio bipolar.

    Machado explica que a matriz química do açaí possui diversas moléculas com potencial antioxidante e anti-inflamatório. “Estudos em idosos ribeirinhos de Maués, no interior do Amazonas, indicam que o consumo habitual de frutos como o açaí poderia contribuir para a desaceleração das disfunções associadas à velhice. Então, nós decidimos avaliar o quanto o extrato do açaí poderia reverter a principal disfunção mitocondrial associada com o distúrbio bipolar”, detalha o pesquisador.

    15052017 materia periodicos acai alencar ivana

    Segundo ele, por meio dos resultados obtidos observou-se que o extrato de açaí foi capaz de prevenir e reverter a disfunção nas mitocôndrias que foram induzidas, de maneira a reestabelecer o funcionamento correto das células. “Um trabalho adicional, que está em fase de publicação, mostrou que o açaí tem um poderoso efeito anti-inflamatório. Este estudo foi feito com células aqui no Brasil e com um peixinho chamado Zebrafish, no Canadá”, comenta Machado.

    O trabalho foi desenvolvido durante o doutorado de Alencar Machado que, nesse período, foi bolsista da CAPES. “O estudo fez parte de um projeto coordenado pela professora Ivana da Cruz (Universidade Federal de Santa Maria) e acompanhado também pelo professor Euler Ribeiro (Universidade do Estado do Amazonas), que investiga fatores genéticos e ambientais que influenciam a longevidade das populações amazônicas. Com base nos resultados, vamos implantar estudos pré-clínicos e clínicos com a fruta”, pontua o cientista.

    As próximas análises devem inicialmente avaliar o efeito da suplementação do açaí sobre o estresse de indivíduos saudáveis e, posteriormente, o efeito da suplementação em indicadores oxidativos e inflamatórios de pacientes portadores do distúrbio bipolar. Esses estudos serão conduzidos em parceria com diversas universidades e coordenados por Machado, que atualmente é professor adjunto no Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), de Santa Maria.

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    Alencar Machado frisa que os medicamentos que existem hoje para o tratamento de doenças neuropsiquiátricas são direcionados apenas para amenizar os sintomas, não existindo ainda nenhum recurso com potencial de eliminar ou reduzir as progressões. “Esse tipo de estudo é essencial para descobrir tratamentos alternativos que possam beneficiar a população acometida por doenças psiquiátricas”.

    Para o desenvolvimento do trabalho, o Portal de Periódicos foi item fundamental, atuando, de acordo com o pesquisador, como instrumento de revisão da bibliografia. “O Portal é bastante completo, é uma ferramenta de pesquisa muito boa. Além dos materiais disponíveis, que auxiliam no desenvolvimento de pesquisas experimentais e estudos de revisão de literatura, a organização da página facilita o acesso ao conteúdo disponível de forma rápida e moderna”, destaca.

    O pesquisador complementa. “A CAPES me proporcionou uma das maiores experiências que tive como estudante. Por meio da bolsa de Doutorado Sanduíche no Exterior foi possível a realização desse estudo no Departamento de Farmacologia e Toxicologia da Universidade de Toronto, no Canadá”.

    (Com informações do Portal de Periódicos da CAPES)

  • Bolsista da CAPES pesquisa aquecimento global no Oceano Pacífico

    Patrícia Eichler, professora filiada aos programas de pós-graduação em Ciencias Ambientais da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) e em Geofisica e Geodinamica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), foi uma das primeiras brasileiras a integrar o International Ocean Discovery Program e passou 63 dias a bordo do navio Joides Resolution (JR), no Oceano Pacífico, na Western Pacific Warm Pool (WPWP), ao norte da Austrália, para pesquisar sobre o aquecimento global. A partir dessa experiência, a pesquisadora foi convidada para continuar seus estudos, na Universidade de Texas AM, em College Station/EUA, ocasião na qual avaliará a assinatura das massas de água no sedimento do fundo do mar.

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    “Trabalho com indicadores ambientais marinhos e recentes que fornecem base para estudos atuais e passados da climatologia. Durante o embarque no Joides Resolution, minha expertise contribuiu para o conhecimento da microfauna de foraminíferos bentônicos, que são organismos unicelulares capazes de diagnosticar diferentes subambientes. O JR, navio que perfura a terra para descobrir novas fronteiras na ciência, recuperou 7 km de testemunhos de sedimentos marinhos antigos que foram coletados durante 63 dias,” conta.

    “Quando estamos a bordo do navio, nós analisamos apenas uma parcela das amostras, os chamados ‘core catchers’ que constam de uma amostra que é coletada no final do testemunho de 10 metros e que é imediatamente processada por nós, os micropaleontologistas, que trabalhamos com foraminíferos bentônicos, planctônicos e nanofósseis para estimar a idade geológica e o ambiente o qual está sendo perfurado. Fui convidada para dar continuidade à análise desses testemunhos na Universidade do Texas, em junho, também com financiamento da CAPES”, explica Patrícia.

    Experiência a bordo
    Para Patrícia, a experiência foi enriquecedora. “Foi bom para as relações interpessoais e profissionais. Eu, sendo a única brasileira da expedição, necessitei comunicar-me 24 horas por dia em inglês e fazer relatório das minhas atividades realizadas nas 12 horas anteriores, além de colaborar com pesquisadores de alto renome internacional. Os cientistas com os quais colaborarei nos próximos 10 anos são pessoas que conheci nesse embarque. São pesquisadores com artigos publicados em Revistas Nature e Science, sendo as pessoas de maior competência em suas áreas. Também apresentei oito seminários que envolveram escolas particulares e congressos brasileiros mostrando, ao vivo, o que estava acontecendo no navio com chances de interação entre os alunos e os pesquisadores a bordo.” Uma publicação com dados preliminares obtidos a bordo já está disponível.

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    Expectativas
    Para a pesquisadora, os objetivos e expectativas estão de acordo com o esperado. Patrícia considera, ainda, que o projeto tem futuro promissor com o estreitamento de relações profissionais nos EUA, Inglaterra e França, além de excelentes colaborações com a China e o Japão. “O material e as relações pessoais e profissionais iniciadas a bordo do navio irão gerar trabalhos, colaborações futuras e publicações com excelente qualidade. Os estudos são totalmente sinérgicos e evoluem para pontos em comuns para o estudo da variabilidade da região da WPWP e a climatologia. O estágio sênior financiado pela CAPES foi de inestimável importância nessa área estratégica que é a exploração do mar profundo.”

    Patrícia complementa dizendo que o Brasil ainda precisa crescer no palco da pesquisa. “A ciência no Brasil ainda é ínfima, com menos de 1% da população com grau de doutorado, e, assim mesmo, com poucas chances de absorção no mercado e nas universidades. A pesquisa brasileira é realizada ainda por poucos que conseguem transmitir com qualidade os resultados de suas pesquisas.”

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    Sendo assim, a bolsista espera chegar ainda mais longe. “Minha experiência no navio me ensinou o quão pouco eu sei e o quanto ainda preciso aprender para poder chegar perto do que seja uma pesquisa integrada com excelente qualidade científica e com tamanho comprometimento em descobrir acontecimentos passados em eras geológicas antigas glaciares ou não. Nesse sentido, acredito que, com os resultados, poderei contribuir com a pós-graduação brasileira apresentando novidades aos alunos e proporcionando a ampliação de novas colaborações com o objetivo de internacionalizar áreas importantes e estratégicas da ciência marinha e geológica, incluindo a biodiversidade e aspectos físicos e químicos integrados de áreas inóspitas e remotas que são as profundezas dos oceanos e a história escrita e descoberta nos sedimentos antigos marinhos.”

    IODP
    O International Ocean Discovery Program (IODP) é um programa internacional de pesquisas marinhas, que visa investigar a história e a estrutura da Terra, a partir do registro em sedimentos e rochas do fundo do mar, e monitorar ambientes de sub-superfície. O programa reúne parte significativa da comunidade científica atuante nas ciências do mar em águas profundas de diversos países.

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    Para alcançar seus objetivos, usa avançada tecnologia em perfuração oceânica como instrumento essencial para novas descobertas, permitindo a disseminação de dados e amostras a partir de arquivos globais, particularmente para os países membros do Programa.

    O sistema de perfuração é apoiado por um parque analítico a bordo do Navio de Pesquisa Joides Resolution, composto por equipamentos de última geração voltados a pesquisa geofísica, geoquímica, microbiológica e paleoclimática. Além da infraestrutura a bordo, o IODP conta com apoio de numerosas instituições de pesquisa e formação de recursos humanos nos diferentes países que atualmente compõem o Programa.

    Desde 2013, o Brasil, por meio de financiamento viabilizado pela Capes, é membro do consórcio Joides Resolution e colabora com o Programa IODP.

    Atualmente, a participação do Brasil prevê uma vaga em cada expedição no Navio de Pesquisa do Joides Resolution (até 2 vagas podem ser disponibilizadas dependendo da demanda); utilização por parte de brasileiros de amostras previamente coletadas de programas anteriores como o Deep Sea Drilling Project (DSDP) e do Ocean Drilling Program (ODP) e atualmente coletadas pelo Programa IODP, por meio da preparação da “Sample Request” com suporte do Comitê Cientifico do Programa no Brasil; um membro no “Facility Board” do Navio de Pesquisa Joides Resolution; um representante brasileiro no “Scientific Evaluation Panel” (SEP) do IODP; e um representante brasileiro no Subgrupo “Site Survey” do SEP/IODP.

    (Natália Morato)

  • Pesquisadora da área de construções sustentáveis fará estágio na Áustria

    Estudante do curso de doutorado em Planejamento Energético da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Rosa Esperanza González vai desenvolver sua pesquisa sobre nearly zero energy buildings (nZEB) - ou edifícios com necessidades quase nulas de energia - no International Institute for Applied Systems Analysis (IIASA), em Laxenburg, Áustria. Esperanza teve seu projeto aprovado no Programa de Verão Capes/IIASA e vai participar de um estágio de três meses no país europeu.

    Nascida na Colômbia, Esperanza está na UFRJ desde 2014, sob orientação do professor André Frossard de Lucena. Para ela, a participação no programa de jovens cientistas do IIASA contribuirá com sua formação e com seu desenvolvimento pessoal. “Terei a oportunidade de trabalhar em um ambiente multidisciplinar sob a orientação de pesquisadores altamente qualificados; além disso, poderei trocar ideias e experiências com estudantes de doutorado do mundo que estão trabalhando com questões relacionadas com minha pesquisa”, diz a estudante.

    03052017 materia bolsista sustentavel Esperanza

    A proposta apresentada à seleção avalia a viabilidade da implementação de edifícios de baixa demanda energética no Brasil até o ano 2050, com o objetivo de atender o atual déficit habitacional e a crescente demanda de energia. “Dentre os objetivos específicos está a aplicação de um modelo que atualmente estou desenvolvendo na linguagem de programação GAMS. A finalidade é obter o menor custo na implementação de tecnologias de geração on-site (no local onde é consumida) de energia nas edificações. O modelo também entrega a operação do sistema, ou seja, como essas tecnologias despachariam energia à edificação dependendo das condições climáticas, como irradiação solar e vento, por exemplo”, explica Esperanza.

    Outra vantagem de desenvolver a pesquisa no IIASA será trabalhar com métodos de ponta na área de edificações sustentáveis. “Poderei aplicar a metodologia proposta que inclui abordagens micro e macro. Micro, ao aplicar o modelo que estou desenvolvendo; e macro, ao usar o MESSAGE, modelo do qual eles são criadores e tem uma vasta experiência”, diz a aluna. MESSAGE é um modelo de otimização de engenharia de sistemas usado para o planejamento de sistemas de energia de médio a longo prazo, analisando as políticas de mudança climática e desenvolvendo cenário para regiões nacionais ou globais.

    Edifícios sustentáveis
    Nearly Zero Energy Buildings são edificações de alto desempenho energético que buscam tecnologias mais eficientes para suprir sua demanda por energia. Além disso, tentam implementar tecnologias renováveis para a geração de energia on-site. Quando integradas nos edifícios, as energias renováveis permitirão reduzir o nível líquido de energia fornecida.

    Segundo a União Europeia, desempenho energético é a energia demandada pela utilização típica do edifício: aquecimento, arrefecimento, ventilação, preparação de água quente e iluminação. Para estimar o desempenho energético é preciso inicialmente calcular a necessidade de energia final para aquecimento e arrefecimento; em seguida, deve ser calculada a energia primária líquida. O cálculo é feito partindo das necessidades energéticas do edifício para a fonte, ou seja, no sentido da energia primária.

    As necessidades de energia quase nulas ou muito pequenas deverão ser cobertas em grande medida por energia proveniente de fontes renováveis, incluindo energia proveniente de fontes renováveis produzida no local ou nas proximidades.

    03052017 materia bolsista sustentavel imagem projeto

    Para a pesquisadora, o Brasil vai enfrentar um grande desafio no setor de edificações. “Primeiro, por conta do atual déficit habitacional, que está cerca de 6 milhões de unidades, de acordo com a Câmara Brasileira da Industria da Construção. Segundo, porque a expectativa de crescimento de novas residências até o ano 2022 é de ser cerca de 24 milhões. Isso significa que os investimentos nos segmentos de geração, transmissão e distribuição deverão ser correspondentes à tendência crescente da demanda”, informa. O sistema de geração no Brasil tem suas próprias dificuldades, derivadas da energia hidroelétrica e do baixo potencial remanescente desta fonte. “Assim, o planejamento energético deveria não apenas considerar a expansão do sistema, mas também outras opções que vêm sendo avaliadas no mundo, principalmente nos países desenvolvidos. Esse é justamente o caso das edificações chamadas de nearly Zero Energy Buildings”, diz.

    Segundo Esperanza, o estudo possibilitará o cálculo do valor de uma edificação com necessidades quase nulas de energia no Brasil, levando em consideração o diferencial de recursos solares e eólicos por região, além de avaliar o papel de tecnologias como painéis de energia solar, turbinas minieólicas, baterias e outras tecnologias como banco de gelo e coletor solar térmico para o atendimento da demanda de ar condicionado e agua quente, respetivamente. “O resultado do estudo será uma ferramenta para os tomadores de decisão no Brasil, que poderão optar por continuar focando na oferta de energia centralizada ou incentivar a implementação de tecnologias em menor escala”, completou a pesquisadora.

    CAPES/IIASA
    O programa é fruto da cooperação entre a CAPES e o IIASA e promove o apoio a jovens cientistas que pretendem desenvolver sua pesquisa sob a supervisão dos experientes pesquisadores do Instituto Internacional para Análise de Sistemas Aplicados (IIASA). O IIASA é um instituto internacional envolvido na investigação científica que fornece suporte para os formuladores de políticas públicas sobre questões de importância em três áreas problemáticas globais: Energia e Alterações Climáticas; Água e Alimentação; Pobreza e Equidade.

    (Lucas Lopes)

  • Pesquisa sobre magnetismo rende prêmio a ex-bolsista do CsF

    Estudante do mestrado em Engenharia Metalúrgica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Lucas Kling e Silva, foi contemplado com o V Prêmio Crea-RJ de Trabalhos Científicos e Tecnológicos. O prêmio é mais um reconhecimento do sucesso de sua pesquisa, realizada na Alemanha pelo programa Ciência sem Fronteiras (CsF) durante a graduação.

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    De 2013 a 2015, Kling esteve no país europeu, onde aprendeu o idioma e estudou na Universidade Técnica de Berlim. Também foi estagiário no renomado Instituto Federal de Pesquisa e Teste de Materiais (BAM, em alemão). Com o êxito no estágio, o aluno recebeu um projeto para desenvolver de forma autônoma. O resultado surpreendeu: Kling desenvolveu um método inovador de estudo do magnetismo em deformações de estruturas de aço.

    Segundo Kling, a contribuição do CsF em sua vida foi além de seu trabalho de graduação. “Ao participar do programa, o aluno se torna uma pessoa de cultura muito ampliada: conhece outra língua, outras pessoas e culturas. Voltei com vontade de transformar o país”, afirma.

    Técnica
    Desenvolvida por Kling, a técnica usa o magnetismo para detectar eventuais deformações nos aços, de modo a desenvolver metodologias que detectem, avaliem e monitorem eventuais prejuízos aos materiais. O aço possui ferro e o ferro produz magnetismo (o fenômeno do ímã). Quando o aço se deforma, o magnetismo se altera, gerando um efeito que denuncia a deformação. “Essa técnica permite melhorar ensaios não-destrutivos. Isso é importante, por exemplo, para descobrir defeitos em tubulações de petróleo, que não podem ser danificadas”, explica. O método de Kling caracteriza os efeitos das deformações e pode ajudar a encontrar problemas. Em sua pesquisa de mestrado, o pesquisador está desenvolvendo sensores para detecção de defeitos em componentes da indústria de petróleo e gás.

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    De acordo com a Associação Brasileira de Ensaios Não Destrutivos e Inspeção (Abendi), ensaios não-destrutivos (END) são técnicas de inspeção de materiais e equipamentos que buscam não danificá-los. Os testes são feitos não apenas para manutenção, mas também na fabricação, construção e montagem. Considerados um dos métodos essenciais de controle da qualidade de materiais e produtos, os END são muito empregados nos setores petroquímico, químico, aeroespacial, siderúrgico, naval, eletromecânico e de papel e celulose. Sua utilidade é aumentar a qualidade de bens e serviços, reduzir custos, proteger vidas e o meio ambiente.

    Para o ex-bolsista do CsF, o teste pode trazer benefícios para o Brasil. "A técnica desenvolvida provê uma grande economia para a caracterização magnética dos materiais, uma vez que, em determinados casos, pode substituir equipamentos de centenas de milhares de dólares", diz o mestrando.

    Prêmios
    Antes do V Prêmio Crea, Kling já havia recebido outros cinco prêmios por seu trabalho. Em 2015, foi condecorado com a 1ª Semana Metalmat e o internacional XIV Brazilian MRS meeting. Já em 2016, foi agraciado no Concurso de Fotomicrografias PEMM/COPPE/UFRJ, no Universitário do Ano Adzuna e no Prêmio de Incentivo à Iniciação Científica Brasmetal Waelzholz.

    Leia aqui o trabalho de conclusão de curso de Lucas Kling.

    Consulte nesta página outras matérias sobre a atuação de bolsistas da CAPES.

    (Lucas Lopes)

  • Bolsista publica artigo na Nature Communications

    Bolsista de doutorado pleno no exterior da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Wendel Silva Paz, publicou um artigo sobre a fabricação de heteroestruturas de van der Waals, materiais artificiais construídos a partir do empilhamento individual de camadas 2D, na revista Nature Communications. O artigo faz parte da tese que o estudante brasileiro tem desenvolvido na Universidad Autónoma de Madrid, Espanha.

    19042017 wsp

    A pesquisa de doutorado de Wendel está relacionada com o estudo teórico das propriedades eletrônicas e de transporte quântico em materiais bidimensionais (2D). Nessa classe de materiais, inclui-se o grafeno, e o conjunto de materiais 2D que podem ser esfoliados ou crescidos sobre um substrato.

    O design de dispositivos eletrônicos de nova geração é um grande desafio, pois, à medida que o tamanho do dispositivo é reduzido aumentam as complicações na sua fabricação. “Dependendo da espessura das camadas com as quais são desenvolvidas estes dispositivos, o comportamento dos elétrons varia dentro deles”, ressalta o pesquisador brasileiro.

    Heterostruturas de van der Waals
    Em 2004, André Geim e Konstantin Novoselov provaram que é possível separar camadas de grafite de espessura atômica (grafeno) e de outros materiais bidimensionais usando apenas uma fita adesiva. Esse feito lhes rendeu o prêmio Nobel de Física em 2010. “Desde então, a comunidade científica tem buscado a possibilidade de construir materiais artificiais a partir do empilhamento artificial de diferentes materiais ultrafinos camada a camada. Esses materiais são chamados heteroestruturas de van der Waals. No entanto, esse processo não tem se mostrado eficaz devido a vários problemas como o alinhamento entre as diferentes camadas empilhadas e a dificuldade de controlar os resíduos atmosféricos que podem ser adsorvidos durante o processo de empilhamento, agravando assim a sua operação e impedindo a sua reprodutibilidade”.

    19042017 van der walls

    Portanto, além de criar materiais de tamanho cada vez menores, a comunidade científica pretende criar dispositivos mais estáveis e reproduzíveis em larga escala. “Até agora, a abordagem mais difundida para empilhar camadas 2D baseia-se em métodos de empilhamentos individuais. No entanto, o empilhamento a partir de estruturas individuais ainda não fornece heteroestruturas perfeitamente limpas devido ao descasamento no parâmetro de rede e a presença de adsorventes entre camadas não desejadas. Neste trabalho, apresentamos uma abordagem diferente para fabricar heteroestruturas ultrafinas por esfoliação da franckeita, que é uma heteroestrutura de van der Waals que ocorre naturalmente e é estável ao ar. Verificamos que o material pode ser esfoliado tanto mecanicamente como quimicamente até a espessura de poucas camadas”, explica.

    Aplicações
    O estudo apresenta também uma extensiva caracterização teórica e experimental do material, além de explorar algumas aplicações para fotodetectores de infravermelho. “Nossos resultados teóricos também mostraram que a franckeita é uma heteroestrutura de tipo-II, o que amplia, ainda mais, o leque de possíveis aplicações. Esse material tem potencial aplicação na fabricação de células solares e fotodetectores, capazes de funcionar no infravermelho. Esses dispositivos são muito interessantes para aplicações em câmeras de visão noturna e sensores para as telecomunicações”.

    A relevância do trabalho para o campo fez com que o artigo fosse destaque na seção news and views da revista Nature Nanotechnology. “O isolamento da franckeita como um material 2D de poucos átomos de espessura torna-se um marco no campo de pesquisa de materiais bidimensionais porque, a partir de agora, será possível obter heteroestruturas de van der Waals da própria natureza, evitando sua síntese complicada. Nosso trabalho demonstrou que procedimentos semelhantes aos empregados no isolamento do grafeno podem ser usados para obter camadas de espessura de poucos átomos da Franckeita permitindo, dessa forma, a fabricação de fotodetectores infravermelhos e células solares”.

    Cooperação internacional
    Wendel destaca a importância da experiência no exterior para a efetivação da pesquisa de doutorado. “A realização deste trabalho só foi possível devido à colaboração que firmamos com experimentais de Madrid, Barcelona e Delft na Holanda. Estou numa ótima universidade, trabalhando em grandes projetos e discutindo física (ciência) com pesquisadores altamente capacitados e motivados. Não tenho dúvidas que investimentos em programas, como o de doutorado pleno no exterior, devem sempre ser incentivados porque trabalhar em grandes centros de pesquisa, com pesquisadores de ponta e em grandes projetos é, sem dúvida, um valioso ganho científico pessoal e para o país de origem.”
    O bolsista brasileiro acredita que o benefício de um estudo como esse pode repercutir de maneira geral na ciência e tecnologia do país. “De forma geral, estudantes brasileiros envolvidos em projetos de pesquisa internacionais podem proporcionar uma ligação muito forte entre a comunidade científica brasileira e as instituições que recebem esses estudantes. Ambos os lados podem se beneficiar e muitas vezes, esse é o primeiro passo para colaborações de longo prazo, o que geraria mais conhecimento e desenvolvimento em ciência para o Brasil”, conclui.
    Título do Trabalho: Franckeite as a naturally occurring van der Waals heterostructure
    Acesse o artigo.

    (Pedro Arcanjo)

  • Pesquisa com insetos garante prêmio à bolsista nos EUA

    Após competir com os estudantes de pós-graduação de diversos cursos da University of Florida (UF), a bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) pelo programa Ciência sem Fronteiras (CsF) de doutorado pleno no exterior, Vanessa Dias, foi premiada com o Emerging STEM Scholar Award. Trata-se do prêmio de maior prestígio para jovens cientistas na área de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharias e Matemáticas – na sigla em inglês) da instituição.

    05042017 Vanessa segurando moscas das frutas da especie Anastrepha suspensa

    A premiação aconteceu no dia 1º de março, como parte das comemorações do Mês da História das mulheres na instituição. A Association for Academic Women (AAW) organiza todos os detalhes do prêmio que avalia não apenas as conquistas e o potencial de transformação e impacto da candidata na sua área de estudo, mas o papel de liderança desempenhado pela concorrente. “Acredito que a minha produção científica, os prêmios que recebi nos últimos anos e o meu papel de liderança na comunidade científica brasileira no exterior contaram muito para o recebimento do Emerging STEM Scholar Award”, afirma Vanessa.

    A estudante brasileira se diz honrada com a premiação. “Fiquei muito feliz em poder representar uma minoria e divulgar o potencial brasileiro na University of Florida, uma das melhores universidades públicas dos Estados Unidos. O programa Ciência sem Fronteiras conta com a participação de muitos bolsistas de doutorado na UF e receber um prêmio como este significa muito não apenas para mim, mas para todo o programa do CsF na universidade. Além disso, poder ser reconhecida como uma mulher de sucesso na área de STEM é extremamente gratificante. Sabemos do grande viés masculino dentro da área e ser escolhida como uma representante a nível de universidade é uma grande responsabilidade”, ressalta .

    Técnica do Inseto Estéril
    A pesquisa de Vanessa visa ao melhoramento de uma técnica de controle de insetos pragas chamada Técnica do Inseto Estéril (TIE), uma estratégia de controle ambientalmente segura. “A técnica consiste na liberação de machos estéreis nos pomares para que a população do inseto alvo seja reduzida por meio do acasalamento entre o macho estéril e a fêmea selvagem. A esterilização dos machos usados na TIE se dá pelo uso de radiação ionizante (raio X e raios gama, por exemplo), procedimento que resulta em efeitos colaterais nos insetos tratados de forma análoga a pacientes de câncer que sofrem com os efeitos negativos de uma radioterapia. Nas moscas usadas no meu estudo, a radiação ionizante afeta, por exemplo, a produção de feromônio sexual e a frequência do som emitido durante o comportamento de corte desses insetos.

    05042017 Vanessa na IAEA Laboratories

    Ambos aspectos, feromônio e som, são extremamente importantes para o sucesso de acasalamento dos machos estéreis. “Visando melhorar a qualidade dos machos estéreis e tornar a TIE mais efetiva, meu projeto usa moscas transgênicas com a capacidade de produzir grandes quantidades de enzimas antioxidantes para minimizar um dos principais efeitos colaterais da radiação, o estresse oxidativo. Vários fatores de estresse, como calor e radiação, geram estresse oxidativo como resultado do aumento significativo de moléculas e átomos instáveis, chamados de radicais livres, capazes de fazer ligações químicas com importantes biomoléculas (lipídios, proteínas e ácidos nucleicos). Quando os radicais livres reagem com biomoléculas, eles são capazes de alterar a conformação das mesmas, afetando o funcionamento de importantes aspectos do organismo. Usando técnicas de engenharia genética, fisiologia e comportamento numa abordagem multidisciplinar, meu projeto de doutorado contribuirá para a redução dos efeitos negativos do estresse oxidativo nos machos estereis usados na TIE”, explica. Para a bolsista, o trabalho permitirá o avanço da técnica não apenas no Brasil, mas em todo mundo.

    De acordo com a estudante, o desenvolvimento do estudo fora do Brasil é fundamental devido ao caráter de inovação da pesquisa. “Na University of Florida, consigo ter acesso a várias técnicas e especialistas que ainda não temos no nosso país. Por exemplo, em apenas uma instituição parceira, o United States Department of Agriculture (USDA), nossa equipe pode desenvolver trabalhos de análise química (feromônio), acústica (som) e genética (produção de insetos transgênicos). Um cenário como este é dificilmente encontrado no Brasil. Além disso, estou trabalhando com os melhores pesquisadores da minha área de estudo.”

    05042017 BRASCON board 2016 2

    Atualmente Vanessa está desenvolvendo os últimos experimentos do doutorado no Insect Pest Control Laboratory da International Atomic Energy Agency (IAEA) na Áustria, local que possui um dos melhores laboratórios de pesquisa em mosca-das-frutas. “Todo o treinamento recebido no exterior permitirá a produção de artigos científicos em revistas de grande impacto e a promoção da ciência brasileira pelo mundo. Hoje me sinto preparada para ser uma cientista de destaque, seja na universidade, em institutos de pesquisa ou na indústria. Estou muito otimista quanto ao meu futuro profissional devido à educação recebida na University of Florida. Isso tudo só está sendo possível por conta do apoio da CAPES”, enfatiza.

    Comunidade brasileira
    Outra parte importante que contou muito para o recebimento do prêmio foi o envolvimento de Vanessa com a comunidade de pós-graduandos brasileiros no exterior, principalmente nos Estados Unidos. “Em 2014, co-fundei a Brazilian Graduate Student Conference (BRASCON) com outras duas estudantes do CsF, a Gisele Passalacqua (Columbia) e a Carleara Rosa (SUNY). Hoje a BRASCON é a maior conferência de pós-graduandos brasileiros no exterior. A primeira edição da BRASCON aconteceu em Harvard (2016) e a segunda edição aconteceu na University of Southern California (2017). Em 2015, fundei a BRASA Grad na Brazilian Student Association (BRASA) para dar apoio aos brasileiros que querem estudar, estão estudando e já estudaram no exterior. Em 2016, atuei como presidente da associação de brasileiros na minha universidade, liderando projetos acadêmicos e sociais que impactaram mais de 100 pessoas”, conta.

    05042017 BRASCON 2017

    Para a bolsista, é importante divulgar a capacidade técnica e científica dos estudantes brasileiros no exterior. “O mundo precisa saber que os bolsistas do nosso país que estão no exterior hoje são muito bem selecionados e têm um alto perfil acadêmico e intelectual. O Brasil investe muito na formação e capacitação profissional dos estudantes brasileiros, algo que é difícil de se encontrar em muitos países desenvolvidos. Sou extremamente grata ao governo federal e à CAPES por todo incentivo financeiro concedido a minha formação. Espero poder continuar dando destaque para o nosso país por meio das minhas conquistas profissionais”.

    Dessa forma, Vanessa acredita que o conhecimento adquirido fora do Brasil pode reverberar positivamente em nossa realidade. “Apesar do grande potencial agrícola brasileiro, o que faz do Brasil o terceiro maior produtor de frutas do mundo, exportamos menos de 3% da nossa produção. Um dos grandes entraves para o aumento de competitividade no mercado de frutas brasileiros deve-se ao alto número de pragas que atacam os nossos pomares. Além disso, o Brasil está entre os países que mais consomem pesticidas em todo o mundo. Precisamos ampliar as possibilidades de controle de pragas nos pomares brasileiros, existem alternativas efetivas ao controle químico, a exemplo da Técnica do Inseto Estéril. Meu projeto visa ao melhoramento de uma técnica de controle de praga, que em combinação com outras técnicas de controle, poderá melhorar a eficiência da nossa defesa vegetal. O resultado disso pode ser o aumento do mercado de frutas brasileiros, gerando emprego, renda e desenvolvimento para o Brasil”, conclui.

    Consulte nesta página outras matérias sobre a atuação de bolsistas da CAPES.

    (Pedro Arcanjo)

  • Bolsista desenvolve plataforma de baixo custo para detecção de doença canina

    A bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) no Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da Universidade de São Paulo (USP), Julia Pereira Postigo, desenvolveu uma plataforma de baixo custo para detecção de cinomose em cães. Os dispositivos de papel funcionam independente do estágio de agravamento da doença, por meio da interação entre os anticorpos presentes no sangue do animal e as proteínas depositadas no dispositivo que permitem a identificação por meio da presença ou ausência de linhas vermelhas bem definidas e detectáveis a olho nu.

    31032017 Julia e Emanuel

    A pesquisa foi desenvolvida durante a dissertação de mestrado da aluna sob orientação do professor Emanuel Carrilho do grupo Bioanalítica, Microfabricação e Separações (BioMicS). “A cinomose é a segunda doença que mais mata cães em todo o mundo, perdendo apenas para a raiva. Seus sintomas iniciais são comuns a outras doenças do sistema nervoso, o que dificulta muito o diagnóstico clínico. Quando seus sintomas característicos aparecem, a chance de cura diminui consideravelmente, visto que o animal já está muito debilitado para responder ao tratamento”, explica Julia. Assim, o dispositivo desenvolvido tem grande importância para auxiliar no diagnóstico precoce e cura de animais de pequeno porte.

    Para o seu desenvolvimento, o papel foi quimicamente ativado para promover uma modificação na sua estrutura inerte e assim tornar possível a imobilização de antígenos e anticorpos que compõem as linhas teste e controle, respectivamente. Quando o anticorpo produzido pelo animal, para combater o vírus, entrar em contato com a linha teste resultará na formação de um sinal vermelho, indicando que o animal está doente, podendo ser iniciado o tratamento, mesmo sem apresentar seus sintomas característicos. Além de promover o diagnóstico precoce, o dispositivo tem custo menor que os importados e fornece o resultado em poucos minutos. Sendo assim, ele pode ser utilizado sempre que o animal passar por consulta preventiva, aumentando a sua expectativa de vida.

    Parceria com empresa

    O estudo foi feito em parceria com a empresa ParteCurae, especializada no desenvolvimento de testes imunocromatográficos para a detecção de doenças de animais de pequeno e grande porte, assim como testes diagnósticos para infecções virais em plantas. “A ParteCurae viu uma necessidade de mercado, visto que no país não existe diagnóstico rápido e barato para a cinomose canina. A empresa se propôs a produzir uma plataforma imunocromatográfica 100% nacional. Como a empresa é parceira do grupo BioMicS desde sua fundação, me foi oferecida a oportunidade de desenvolvimento do projeto, que resultou na dissertação. O grupo já é famoso pelo uso de papéis na fabricação de dispositivos de baixo custo, então a plataforma foi desenvolvida em papel de filtro, bem como nos moldes das plataformas convencionais”, ressalta.

    3103201 Plataforma em Whatman

    A empresa ParteCurae foi fundada por ex-alunos do professor Emanuel Carrilho, membros egressos do grupo BioMicS, dessa forma, desde o seu surgimento, foi estabelecida parceria entre ambos, para realização de pesquisas aplicadas. Para a bolsista, esse tipo de cooperação rende frutos positivos a todos os envolvidos. “A parceria entre empresas e a pós-graduação é muito bem-vinda, visto que direciona muito bem a pesquisa, pela união de conhecimentos vindos da universidade com os conhecimentos da iniciativa privada, onde sempre se visa maximizar os resultados com a diminuição dos custos. Além disso, a parceria beneficia a empresa, visto que as universidades têm um parque de equipamentos vasto, que pode ser utilizado para melhorar as pesquisas, sem deixar de beneficiar a universidade, pois aumenta a produção acadêmica e muitas vezes essas empresas parceiras acabam gerando empregos para mão de obra qualificada”, define Julia. Nesse tipo de parceria a propriedade intelectual é compartilhada entre as instituições envolvidas, considerando a extensão do envolvimento de cada participante em questão.

    Financiamento e fomento

    Julia foi financiada como bolsista da CAPES e a ParteCurae recebeu financiamento da FAPESP, por meio de um projeto PIPE (2014/50545-6). “Observando o cenário nacional e todos os cortes sofridos pela pesquisa, esse trabalho mostra o quão importante é o financiamento do governo à pesquisa, em todos os aspectos. No Brasil, a pesquisa de ponta, dentro das universidades é feita pelos alunos de mestrado, doutorado e pesquisadores pós-doutorandos que, por meio das bolsas, conseguem se sustentar e se dedicar com exclusividade ao trabalho, objetivando o crescimento e desenvolvimento do país. Sem o financiamento pela CAPES, a pesquisa seria inviável por falta de mão de obra para a sua realização”.

    31032017 Esquema Release Julia Postigo

    O grupo BioMicS/USP e a empresa ParteCurae continuam trabalhando na plataforma para realizar os ensaios de acurácia e finalmente levar o produto à comercialização. “O projeto atual continua em desenvolvimento pela empresa, nas etapas de validação da plataforma com amostras reais e, para posteriormente, realizar o desenvolvimento comercial (marketing, escala de produção e venda). Como pesquisadora, vou focar na publicação desse trabalho e encontrar novas oportunidades de projetos que estabeleçam parcerias similares a fim de ampliar o meu conhecimento.” A defesa pública da dissertação de mestrado de Julia Postigo aconteceu no último dia 24, no Instituto de Química de São Carlos-USP.

    (Pedro Arcanjo, com informações do IQSC)

  • Bolsista publica artigo em revista internacional

    Após realizar a pesquisa de pós-doutorado com bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, em Portugal, Almira Alves, teve um artigo resultante de seus estudos publicado na Revista Lusófona de Educação. “A publicação internacional em uma revista com Qualis A1 significa o reconhecimento da qualidade do artigo por meus pares. Reconhecimento este que se transforma numa maior divulgação do conteúdo produzido entre os pesquisadores da área, do meu ambiente de trabalho e da instituição de ensino superior (IES) da qual faço parte”, orgulha-se Almira.

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    O artigo “Educação em saúde: um mapeamento dos estudos produzidos no Brasil e em Portugal (2000-2013)” foi resultado da pesquisa com o mesmo título realizada no pós-doutorado, no período de março de 2014 a fevereiro de 2015. Em sua pesquisa, Almira fez um levantamento de estudos científicos publicados em revistas de referência em Portugal e no Brasil sobre Programas de Educação para a Saúde no período 2000 -2013 e quais os temas ou domínios abordados nas pesquisas selecionadas. “Dentro desse contexto, a pesquisa pôde ressaltar a baixa quantidade de programas e projetos elencados no levantamento, pois ainda não atendem à demanda das principais causas de mortalidade nem morbidade, ficando por saber se existe a falta de programas ou se é baixa a produção científica que relate ou mesmo avalie esses programas, dificultando a socialização do conhecimento”, explica.

    Experiência
    Almira conta que a experiência do pós-doutorado fortaleceu sua identidade como educadora e pesquisadora e contribuiu para a tomada de decisões mais assertivas e potencialmente indutoras de sucesso. “Ter tido a possibilidade de me dedicar integralmente aos estudos e à pesquisa por um ano foi uma das experiências mais gratificantes, pois o foco fica mais direcionado e as ações mais precisas e enriquecedoras. Durante esse período pude conhecer diversas IES na Europa e perceber as diferentes formas de fazer ensino superior em suas várias atuações, inclusive a pesquisa. Envio meus agradecimentos, em especial, ao prof. Antonio Duarte Teodoro, meu orientador, e à profa. Sandra Queiroz, co-orientadora. Foi uma experiência singular”, resume.

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    Para o futuro, a pesquisadora pretende intensificar as pesquisas na área do ensino na saúde e dedicar-se ao mestrado em Ensino na Saúde e Tecnologia oferecido pela Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL), IES à qual Almira é vinculada e cuja coordenação compete a ela. “Desejo produzir mais e melhor, além de juntar esforços para a estruturação de mais um mestrado na área de ensino.”

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    UNCISAL
    Além da publicação do artigo em uma revista de alta relevância, o pós-doutorado de Almira rendeu outros frutos. A pesquisadora e docente da UNCISAL, e agora coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ensino na Saúde e Tecnologia da instituição, diz que a experiência no pós-doutorado foi fundamental para que a universidade tivesse aprovada sua primeira pós-graduação stricto sensu. “Desde 2005, quando ingressei na Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (UNCISAL), apliquei meus conhecimentos e esforços em prol do fortalecimento da educação em saúde, estruturando o curso de especialização na área e a oferta da disciplina tanto obrigatória como eletiva. Depois disso, a UNCISAL já havia apresentado quatro APCNs e não havia aprovado nenhum. Quando da solicitação da bolsa à CAPES, minha proposta contemplava, então, a estruturação de um mestrado na instituição. Minha experiência no pós-doutorado, por meio da participação em bancas de defesa de doutorado, de mesas de discussão, grupos de pesquisa, congressos, seminários, conferências, comissão organizadora de encontro científico e visitas técnicas a centros de pesquisa, além do dia-a-dia na universidade e a exposição a uma cultura diferente, foram determinantes para uma visão mais ampla e assertiva e serviram como combustível para impulsionar a minha determinação em congregar todos os elementos necessários para estruturar e apresentar à CAPES um APCN de qualidade, alcançando assim a meta, com êxito na aprovação do curso”, conta.

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    A aprovação do mestrado profissional em Ensino na Saúde e Tecnologia da UNCISAL foi publicada em 5 de janeiro deste ano, após a 169ª Reunião do Conselho Técnico-Científico da Educação Superior (CTC-ES).

    (Natália Morato)

  • Artigo de bolsista da CAPES pode gerar melhorias na gestão hospitalar

    Com o objetivo de mapear a gestão de Sistemas de Informação (SI) e Tecnologia da Informação (TI) nos hospitais, o pesquisador brasileiro Antônio José Balloni, do Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer (CTI/MCTIC), desenvolveu o artigo científico “An Evaluation of the Management Information System And Technology in Hospitals (GESITI/Hospitals)”.

    Balloni, que foi bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), teve seu trabalho aceito para apresentação no congresso “The 10th International Multi-Conference on Society, Cybernetics and Informatics: IMSCI/2016/USA”, onde foi avaliado quantitativamente por seis revisores e considerado entre os 20-25% melhores do encontro. Em decorrência disso, o artigo está prestes a ser publicado pela revista científica Journal of Systemics, Cybernetics and Informatics (JSCI) – disponível no Portal de Periódicos da CAPES.

    Por meio do mapeamento, o pesquisador objetivou gerar um Relatório de Pesquisa Integrado (RPI) para apoio às tomadas de decisões. “Este é o principal impacto esperado do trabalho. Com a metodologia, o RPI poderá ser utilizado para uma melhoria significativa na tomada de decisão em âmbito nacional na gestão hospitalar. Isso deve refletir em pessoas (equipes e pacientes) mais satisfeitas, em consequência da qualidade do atendimento”, explica Balloni.

    De acordo com o cientista, a ferramenta prospectiva é multifocal e os resultados variam conforme a realidade de cada hospital. "Um mega hospital de São Paulo, por exemplo, apresentará resultados centrais diversos de um mega hospital de Campinas. Nesse sentido, podemos afirmar que o gestor público ou privado, com base na metodologia e nos resultados obtidos da análise local da pesquisa, poderá definir com segurança os melhores investimentos para aquela região. Os recursos financeiros devem ser alocados para que todo o sistema de saúde seja beneficiado de forma pragmática e sem redundâncias, de modo integrado e assertivo”, descreve.

    Segundo Balloni, a proposta é avançar e produzir um trabalho ainda mais abrangente, com mais participantes do Brasil e do exterior, que contemple análise integrada e comparativa dos resultados obtidos. “É um enorme desafio. Estamos convidando os interessados a nos contatar para saber mais sobre o projeto e aplicarem nossa metodologia. Alguns países, como Eslováquia e Bulgária, fizeram a aplicação do método em todo o país (amostragem)”, afirma.

    O pesquisador relatou que a concepção do projeto teve início em 2009. A metodologia foi finalizada em 2010, ou seja, houve a conclusão da parte principal do projeto piloto e agora avançando para a sua ampliação e conclusão final entre 2 e 3 anos. Os primeiros resultados (relatórios técnicos científicos) foram produzidos e publicados em 2011. Mais informações aqui.

    Bolsista da CAPES
    Balloni foi bolsista da CAPES em duas oportunidades. Recebeu apoio para um congresso na Grécia para apresentação do artigo Brazil of the Future: Strategizing with the Socio-Technical Management Approach e para o Pós-Doutorado nos Estados Unidos, no Departamento de Políticas Públicas. “O Pós-Doutorado também gerou um artigo científico que está em avaliação e, se aceito, será quebra de paradigma e poderá ser utilizado em todas as áreas da ciência, em gestão de projetos etc. As experiências como bolsista da CAPES foram extremamente enriquecedoras”, detalha o cientista.

    Journal of Systemics, Cybernetics and Informatics (JSCI)
    A revista científica JSCI, que vai publicar o trabalho citado no Volume 15 – Número 1 - Ano 2017, está disponível para acesso pela comunidade acadêmica brasileira por meio do Portal de Periódicos. O título é uma publicação internacional revisada por pares voltada a sistemas e tecnologias de informação e as relações entre as áreas que se colocam ao redor do tema de destaque. Para acessar, é necessário entrar na opção de pesquisa Buscar periódico.

    (Com informações do Portal de Periódicos da CAPES)

  • Bolsista de doutorado da CAPES publica artigo sobre tumores cerebrais

    O bolsista de Doutorado Pleno no exterior da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) Raul Bardini Bressan acaba de publicar um artigo científico no renomado periódico Development. O trabalho descreve a implementação da tecnologia CRISPR/Cas9 para edição genômica de células troncos neurais e uso desse método para estudos de tumores cerebrais. O artigo, de livre acesso, foi disponibilizado dia 15 de fevereiro e pode ser lido na íntegra no link.22022017 bolsista capes tumores cerebrais

    O projeto de doutorado de Raul na University Of Edinburgh, no Reino Unido, tem como objetivo investigar o papel de determinadas mutações genéticas em tumores cerebrais. “Meu foco específico é um tipo de tumor altamente agressivo e letal que afeta crianças por volta de 5-15 anos de idade, chamado glioblastoma pediátrico. Até o momento, não existem terapias eficazes para tratar esse tipo de tumor, e a maior dificuldade para o estudo da doença é a falta de modelos experimentais”, explica.

    Dessa forma, o principal objetivo do trabalho publicado foi estabelecer uma tecnologia conhecida como CRISPR/Cas9 para engenharia genômica de células-tronco neurais. “Tais células, durante o desenvolvimento, dão origem ao nosso sistema nervoso central, mas, infelizmente, em alguns casos, são responsáveis também pela formação de tumores cerebrais. As técnicas que desenvolvemos nos permitem agora inserir mutações no DNA dessas células e recriar no laboratório esse tipo de tumor. Assim, podemos entender melhor qual o papel de cada uma das mutações gênicas, bem como desenvolver e testar drogas que possam ser mais eficazes para o tratamento da doença - que é o objetivo do meu último ano de pesquisa de doutorado”, afirma o bolsista.

    A publicação é de extrema importância, pois descreve métodos úteis e eficientes para o estudo de células-tronco neurais e que poderão ser implementados por diversos laboratórios, inclusive aqueles com recursos mais limitados e sem acesso a equipamentos de alta tecnologia, como é o caso da maioria dos laboratórios de pesquisa no Brasil. “Tais métodos poderão ser aplicados não apenas para o estudo de tumores cerebrais, mas também de diversas outras doenças que afetam o desenvolvimento do sistema nervoso central, tal como a microcefalia causada pelo Zika vírus. Nesse caso, as técnicas que desenvolvemos podem ser utilizadas, por exemplo, para entender melhor as causas da microcefalia, bem como para desenvolver formas de atenuar ou reverter os efeitos da infecção viral.”

    Experiência no Exterior
    Para o bolsista, a realização do curso de doutorado no exterior tem proporcionado imensa aprendizagem e crescimento como cientista. “O Centro de Medicina Regenerativa da Universidade de Edimburgo é uma referência mundial e conta com vários cientistas renomados na área de pesquisa com células tronco. O centro abriga também diversos especialistas técnicos em áreas multidisciplinares e equipamentos de alta tecnologia. Tudo isso cria um ambiente muito rico e que favorece a formação profissional dos estudantes de doutorado”, ressalta.

    A interação no ambiente acadêmico é um dos pontos destacados da experiência por Raul. “Tenho aqui a oportunidade de interagir, aprender e colaborar com todos esses profissionais altamente capacitados, o que certamente se reflete na qualidade do artigo que publicamos e no projeto que venho desenvolvendo. Espero em breve poder retribuir os investimentos do programa Ciência sem Fronteiras e utilizar todo esse conhecimento e rede de contato adquiridos para contribuir com o desenvolvimento científico do Brasil”.

    O objetivo do doutorando é que sua pesquisa nessa nova área se relacione com o desenvolvimento da ciência brasileira. “A tecnologia CRISPR/Cas9 e o avanços recentes nas ferramentas de engenharia genômica têm proporcionado uma verdadeira revolução científica no mundo afora, principalmente nas áreas de médica e biotecnológica. Tais avanços abriram uma gama de oportunidades que vão desde o tratamento de doenças até então consideradas incuráveis, como por exemplo infecções por HIV, até o desenvolvimento de biocombustíveis como forma de energia sustentável e melhoramento genético de espécies cultiváveis para aumento da produtividade agrícola. Essas são obviamente áreas de grande interesse para o Brasil, e o desenvolvimento científico-tecnológico do país nos anos futuros vai certamente depender da formação de pesquisadores com competência técnica em engenharia genômica”, conclui.

    Consulte nesta página outras matérias sobre a atuação de bolsistas da CAPES.

    (Pedro Arcanjo)

  • Bolsista do ProFis apresenta artigo em evento internacional

    Em novembro de 2016, Arivaldo Lopes concluiu na Universidade Federal do ABC (UFABC) o curso de Mestrado Profissional em Ensino de Física ofertado em rede (MNPEF). “Meus estudos divulgam jogos e experimentos para o ensino-aprendizado de Física. Acredito que professores de Física e Ciências podem se beneficiar bastante com meus trabalhos, usando as atividades propostas em sala”, explica o professor.16022017 bolsista porfis img 1

    Após o término do curso, o bolsista apresentou diversos resultados de destaque, que atribui ao bom desempenho durante os estudos. ”Um resultado muito significativo após o fim do MNPEF foi a produção de vários artigos, a melhora nas minhas aulas e, por fim, recentemente, um convite para trabalhar na Secretaria de Educação de Mauá. Também fiz apresentações no Simpósio do Grande ABC, que ocorreu na Faculdade de medicina do ABC, no Simpósio Nacional de Ensino de Física, em São Carlos, e em um Simpósio feito em São Caetano do Sul. No Simpósio do ABC fiz muitas amizades e pude enviar e-mails para muita gente divulgando meu trabalho. No Simpósio Nacional de Ensino de Física apresentei três trabalhos, o que foi uma grande maratona, já que tinha trabalhos para apresentar todos os dias”, conta.

    O XXII Simpósio Nacional de Ensino de Física aconteceu de 23 a 27 de janeiro deste ano. “Aprendi muito neste evento. Em uma de minhas apresentações, na qual mostrei um dominó que uso em aula, os professores que assistiam a minha palestra fizeram muitas contribuições em meu trabalho. As alterações que eles sugeriram durante o período destinado a perguntas e sugestões me ajudarão a melhorar ainda mais o dominó.”

    O professor também fez uma exposição na XV Reunión de La Sociedad Uruguaya de Física, que aconteceu nos dias 11 e 12 de novembro de 2016, em La Paloma, no Uruguai. “A experiência em La Paloma foi muito peculiar. Fui recebido como atração internacional. De estrangeiros, só havia eu e um mexicano, algo que não esperava.”16022017 bolsista porfis img 2

    Arivaldo afirma que as propostas dos mestrados profissionais em rede nacional são uma solução para os profissionais que não têm tempo para fazer um mestrado no formato tradicional. “Foi o meu caso. Eu cursei esta modalidade por sua flexibilidade. O curso tinha aulas nas quartas à noite e aos sábado, o dia inteiro. Além disso, os orientadores tinham ciência das nossas atividades em sala de aula. A experiência foi fantástica e trouxe muitos elementos novos à minha prática docente. Sem dúvida sou outro profissional depois do mestrado.”

    Mestrados Profissionais
    A Diretoria de Educação a Distância da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (DED/CAPES) é responsável pela gestão dos mestrados profissionais em rede nacional no formato semipresencial voltados a professores da educação básica nas áreas de: Matemática (Profmat); Letras (Profletras); Ensino de Física – MNPEF (ProFis); Artes (ProfArtes); e História (ProfHistória). Também são ofertados neste mesmo formato os cursos em Administração Pública (ProfiAP) e em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos (ProfÁgua).

    (Natália Morato)

  • Bolsista publica quatro artigos em 11 meses de estágio no exterior

    A pesquisadora Gislaine Fongaro acaba de finalizar o doutorado pelo Programa de Biotecnologia e Biociências da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Nesse período, teve oportunidade de atuar por 11 meses no Instituto Agrario de Castilla y León, na Espanha, com bolsa do Programa de Doutorado-sanduíche no Exterior (PDSE) da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

    09022017 bolsista destaque 4 artigos Gislaine Espanha

    O estágio no exterior foi de alta produtividade: foram quatro artigos publicados em revistas internacionais com fator de impacto relevante. “Além de tudo que pude viver e aprender, tive a oportunidade de gerar muitos trabalhos para nosso país”, define Gislaine.

    A tese doutoral teve como base o estudo de patógenos entéricos em dejetos suínos no Brasil. “Em linhas gerais, houve o estudo da produção de biogás, inativação de patógenos entéricos, estabelecimento de metodologias envolvendo biologia molecular, microbiologia, cultura celular e análise de risco microbiológico aplicado no reciclo agrícola seguro de dejetos suínos como fertilizantes”, explica.

    O tema trata de uma importante demanda no Brasil e no mundo, dentro do contexto de “Saúde Única”, que visa à proteção da saúde humana, animal e ambiental. “É um assunto importantíssimo para a cadeia produtiva nacional: a produção de suínos. A destinação e reciclagem correta de efluentes gerados nesta produção são essenciais para garantir a inocuidade de segurança alimentar, ambiental e da saúde humana/animal. Sendo assim, todos os trabalhos publicados e a tese doutoral colaboram para o desenvolvimento de tal setor produtivo, impactando positivamente em sustentabilidade e saúde”, ressalta a pesquisadora.

    Doutorado-sanduíche
    O período de doutorado-sanduíche no exterior foi de ampliação das linhas de pesquisa e estabelecimento de parcerias. “Foram 11 meses intensos, de muito trabalho, aprendizagem e troca de conhecimento com o grupo do Instituto. As publicações geradas durante o estágio sanduíche reportam o comportamento de patógenos em solo, água e alimentos, bem como apresentam resultados de trabalho em parceria com a área de inocuidade alimentar e metodologias de avaliação de patógenos entéricos”, afirma Gislaine.

    09022017 bolsista destaque 4 artigos grupo de trabalho

    “Ressalto ainda a alta qualificação do meu grupo de origem, do Laboratório de Virologia Aplicada da UFSC e também a parceria da EMBRAPA Suínos e Aves, que possuem um histórico de relevantes produções e trabalhos de alto impacto científico”, acrescentou a doutoranda.

    Agradecimentos
    Com a conclusão do doutorado no início de 2017, Gislaine Fongaro reforça a construção coletiva da pesquisa em pós-graduação. “Agradeço ao Programa de Pós-Graduação em Biotecnologia e Biociências da UFSC, ao Laboratório de Virologia Aplicada-UFSC, Embrapa Suínos e Aves, aos meus orientadores no Brasil (Dra. Célia Barardi e Airton Kunz), aos supervisores/orientadores no exterior (Dra. Mari Cruz, Dr. David Rodrígues e Dra. Marta Hernandéz), CAPES e CNPq pelo fomento, a rede interdisciplinar formada neste estudo e a minha família. Sou inteiramente grata ao povo brasileiro, por permitir minha formação. A este povo quero retribuir, oferecendo trabalho, moral e ética ao nosso país”.

    Os artigos publicados por Gislaine podem ser acessados nos seguintes links:
    https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26742766
    https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5156952/
    http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0956713517300233
    http://journal.frontiersin.org/article/10.3389/fmicb.2017.00074/full

    Consulte nesta página outras matérias sobre a atuação de bolsistas da CAPES.

    (Pedro Arcanjo)

  • Bolsista publica artigo com novo método para estudo e conservação de aves

    A bolsista de doutorado pleno no exterior pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) Bianca Vieira publicou o trabalho Using field photography to study avian moult na revista internacional Ibis, que tem foco em trabalhos inovadores de ornitologia (estudo das aves) ligados a conservação, ecologia, comportamento e sistemática. Bianca desenvolve seu doutorado no Instituto de Biodiversidade, Saúde Animal e Medicina Comparada da Universidade de Glasgow, Reino Unido, pelo programa Ciência sem Fronteiras. O estudo avaliou o uso da fotografia para análises de troca de penas, conhecida como muda, das aves.

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    Todo ano, as aves precisam trocar suas penas para continuar a voar, pois estas se desgastam com o voo e exposição ao sol. “O estudo da muda historicamente sempre foi realizado com aves capturadas ou depositadas em museus. Essa limitação de ter que segurar a ave acabou tornando o conhecimento sobre o assunto bastante restrito apenas a pesquisadores com acesso a museus com muitas peles ou quem possuísse financiamento para toda a logística de captura das aves, incluindo equipamentos e licenças”, explica Bianca.

    Com a confirmação da fotografia como método válido de estudo, a técnica agora pode ser amplamente aplicada por pesquisadores que possuem diferentes orçamentos. O estudo das aves por meio das fotos também torna a ciência mais participativa, pois permite incluir mais pessoas nos grupos de estudo e, inclusive, cidadãos interessados em colaborar com as pesquisas.

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    A pesquisadora complementa dizendo que a estrutura disponibilizada pela Universidade de Glasgow com o apoio da CAPES permitirá o avanço em diversos campos das Ciências Biológicas. “Aves sempre foram utilizadas como modelo de estudo para o desenvolvimento de teorias importantes que sustentam a nossa sociedade, a exemplo do estudo do bico dos tentilhões que permitiu verificar os efeitos da seleção natural na evolução das espécies. O método de uso sistemático da fotografia para verificar a muda nas aves pode trazer grandes avanços por ser mais fácil e barato de executar. Com as informações das fotos sobre a muda das aves, será possível realizar avanços na estimativa de idade das aves, no efeito do estresse sobre o animal durante períodos vulneráveis, em padrões de ecologia espacial, critérios de seleção de habitat, evolução, migração e estrutura de voo”, finalizou Bianca.

  • Bolsista da Capes publica artigo em periódico internacional

    A ex-bolsista de doutorado-sanduíche Helen Barros publicou, em novembro de 2016, um artigo na revista Journal of Zoological Systematics and Evolutionary Research, que tem foco no estudo sistemático das ciências animais, ligado à pesquisa evolutiva.

    Helen desenvolveu seu doutorado nos Departamentos de Zoologia e de Genética da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em colaboração com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), a Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, orientada pelo prof. Doutor Diego Astúa.

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    O estudo inclui a análise morfométrica de aproximadamente 190 crânios das três espécies de peixe-boi e a descrição do cariótipo antes desconhecido da população brasileira de peixe-boi marinho. “Além de permitir uma melhor compreensão da variação morfológica existente nas espécies atuais de peixe-boi e suas implicações evolutivas, nossos dados mostram que a população brasileira de peixe-boi marinho é morfologicamente distinta da população do Caribe e a magnitude desta diferença é maior que entre as subespécies de peixe-boi marinho reconhecidas e até maior que entre algumas espécies reconhecidas. O cariótipo também é distinto da população do Caribe. Nossos resultados, aliados a dados já publicados derivados de estudos de genética molecular, sustentam a ideia que a população brasileira de peixe-boi marinho é claramente distinta, estando provavelmente evoluindo em separado da população do Caribe, e pode até constituir uma subespécie ainda não nomeada. Isto terá implicações profundas nas estratégias de conservação destes mamíferos carismáticos e ameaçados, já que estas populações terão que ser consideradas separadamente quando se tratar de manejo e estimativas de tamanho populacional”, explica Diego.

    24012017 bolsista destaque peixe boi foto 02

    A pesquisadora complementa dizendo que o trabalho permitiu que a população brasileira de peixe-boi das Antilhas fosse analisada mais adequadamente por meio de abordagens de morfometria geométrica e citogenética, o que proporcionou verificar sua diferenciação. “As conclusões alcançadas também mostram que os peixes-bois brasileiros precisam ter suas estratégias vigentes de conservação e manejo reavaliadas urgentemente. Outro ponto importante que a pesquisa realizada auxiliou foi na decisão de não translocação de peixes-bois do Brasil para a ilha de Guadalupe, no Caribe, reforçando que a população do Brasil é diferente da encontrada no Caribe, o que ocasionaria várias consequências negativas para essa espécie ameaçada”, completou Helen.

    PDSE
    Sobre o período no exterior, Helen conta que a bolsa de doutorado-sanduíche auxiliou bastante. “Durante o período de pesquisa fora, pude visitar vários museus para registrar os crânios dos táxons de peixes-bois, etapa essencial no estudo. Além disso, pude aprimorar a língua inglesa, conhecer pesquisadores da área, além de vivenciar a vida acadêmica na Universidade da Flórida como Visiting Graduate Student. Certamente, foi uma experiência muito gratificante e enriquecedora para minha formação pessoal e profissional. O conhecimento adquirido é válido e engrandecedor. Assim espero que a Capes continue concedendo bolsas aos estudantes brasileiros, para que possam realizar suas pesquisas no exterior, contribuindo para um maior desenvolvimento da ciência no país.”

    Futuro
    De posse dos resultados, Helen diz “a próxima etapa poderá ser a de registrar mais amostras de crânio da população brasileira de outras localidades, que estejam disponíveis, bem como de outras populações e espécies de Trichechidae, para deixar o trabalho mais ajustado, de forma a permitir sua continuidade para um enfoque de estudo taxonômico. Para isto, será necessário, além da digitalização de outros crânios, reunir caracteres adicionais, para ter uma análise refinada e assim poder descrever a população brasileira, como outra subespécie ou mesmo espécie nova. E, futuramente, realizar um estudo de pintura cromossômica comparativa que possibilitará que rearranjos cromossômicos ocorridos entre os triquequídeos possam ser revelados, propiciando sugerir o cenário da evolução cromossômica na família.”

    (Natália Morato)

  • Bolsista da Capes é premiado em conferência em Portugal

    O bolsista de doutorado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) Esequiel Mesquita recebeu o prêmio “Best Young Research Paper Award” durante a XII International Conference on Structural Repair and Rehabilitation – Cinpar, que aconteceu na cidade do Porto, em Portugal, de 26 a 28 de outubro de 2016. O artigo premiado, intitulado “Bond-slip monitoring of reinforced concrete through optical fiber sensor”, trata de um novo dispositivo baseado em tecnologia ótica para medir deslocamentos relativos no interior das estruturas de concreto armado, com precisão micrométrica e possibilidade de monitoramento em tempo real.10012017 bolsista destaque ezequiel img 01

    O Cinpar é um dos mais prestigiados eventos técnico-científicos da área de patologia e reabilitação de estruturas de engenharia civil, e teve sua XII edição sediada na cidade do Porto, em Portugal. O evento contou com a participação de cerca de 250 pesquisadores de 19 nacionalidades diferentes. “Como este é um dos eventos mais importantes na minha área, eu apresentei dois artigos e um deles foi premiado”, disse Esequiel.

    Pesquisa
    Natural de Irauçuba, uma pequena cidade do interior do estado do Ceará, com cerca de 20 mil habitantes, Esequiel atualmente desenvolve a tese “Tools in the support of characterization and structural health monitoring of heritage constructions” na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP). O doutorado está sendo orientado por Humberto Varum, António Arêde e Paulo Antunes. Em Portugal, o bolsista tem desenvolvido sensores óticos para monitoramento dos parâmetros estruturais do patrimônio histórico e estudado o comportamento destas construções sob influência dos diversos mecanismos de dano ao longo do tempo, com o objetivo de identificar cenários de risco que, com antecedência, permita propor uma intervenção adequada no edificado, de modo a garantir sua segurança estrutural.

    “Iniciei meu doutorado em janeiro de 2014 e estou aqui desde então. Devo terminar os estudos em janeiro de 2018 e retornar ao Brasil. Até agora, cursar o doutorado no exterior tem sido uma experiência incrível e de grande proveito para a minha qualificação profissional, sem sombra de dúvidas. A oportunidade de integrar e colaborar com grupos de pesquisa de excelência, de diferentes partes do mundo e de, efetivamente, contribuir com a ampliação do conhecimento e aplicá-lo, constituem experiências de bastante impacto na qualificação profissional. O pensamento muda, as práticas mudam, e até a própria postura como pesquisador muda. Você acaba percebendo, de fato, o real significado do termo globalização e aprende a trabalhar com equipes multidisciplinares e, do ponto de vista profissional, cresce bastante”, conta Esequiel.10012017 bolsista destaque ezequiel img 02

    Neste sentido, o pesquisador agradece à Capes pela oportunidade de obter uma bolsa de doutorado pleno. “Este tipo de ação é fundamental para que a pesquisa científica brasileira seja vista e alcance patamares de reconhecimento perante a comunidade científica internacional. A ampliação destes programas de internacionalização, bem como um maior incentivo ao desenvolvimento científico são vitais ao próprio desenvolvimento tecnológico do Brasil.”

    Resultados
    O bolsista acredita que sua pesquisa já tem gerado impactos no Brasil. “Primeiramente, porque temos poucos estudos desta natureza realizados no Brasil. Infelizmente ainda não aprendemos a valorizar de maneira expressiva o nosso patrimônio histórico e a cuidar dele como deveríamos. Então, a realização desse tipo de estudo não só contribui para a valorização do nosso patrimônio histórico, como também é desafiador do ponto de vista da engenharia, pois precisamos entender como estas edificações funcionam, que, em geral, são tipologias construtivas não abrangidas pelos códigos de projeto atualmente em vigor, e qual será a melhor maneira de intervir, de modo não-destrutivo. É uma lacuna no conhecimento que estamos ajudando a superar. E, em segundo lugar, porque já temos algumas colaborações firmadas como, por exemplo, com o IPHAN do Ceará, desde 2015, que tem nos garantido aplicar os conhecimentos aqui adquiridos em casos práticos do patrimônio histórico brasileiro. Aqui em Portugal, os estudos nesta área estão bastante avançados e eu tenho tido a oportunidade de estudar construções mais antigas que o próprio Brasil, por exemplo”, finaliza.

    (Natália Morato)

  • Bolsista recebe prêmio de melhor apresentação em congresso na Tailândia

    Em dezembro de 2016, a bolsista de pós-doutorado da Capes Larissa Conceição Gomes Oliveira teve a oportunidade de apresentar sua pesquisa no Congresso Internacional de Física Médica (International Conference on Medical Physics 2016), que aconteceu em Bangkok, na Tailândia. Na ocasião, seu trabalho apresentado, “Radiation Dose for Patients Undergoing Diagnostic CT: Follow-up Breast Cancer – Part I”, recebeu o Prêmio de Melhor Apresentação “Best Presentation Gold Award of IOMP - International Organization for Medical Physics”.02012017 bolsista congresso tailandia 01

    Larissa era a única estudante bolsista brasileira no evento, que aconteceu de 9 a 12 de dezembro. “No Congresso, tive o privilégio de conhecer importantes e influentes físicos médicos de diferentes países, trocar experiências com os estudantes da Tailândia, assim como aprimorar meus conhecimentos sobre os avanços tecnológicos na área”, disse a bolsista sobre sua participação.

    Estudo
    A pesquisadora desenvolve seu pós-doutorado no Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD/CNEN) no Rio de Janeiro, sob a orientação de Simone Kodlulovich Renha e colaboração de Lawrence Dauer do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, de Nova Iorque (MSKCC).02012017 bolsista congresso tailandia 02

    O tema principal da pesquisa é a Avaliação da Dose Absorvida na Mama em exames de Tomografia Computadorizada para o Diagnóstico e Tratamento Radioterápico. “Desenvolver este trabalho em conjunto com o Instituto Oncológico de Referência no Rio de Janeiro está sendo uma tarefa desafiadora e de suma importância, já que o câncer de mama representa a segunda neoplasia maligna mais frequente entre as mulheres brasileiras, sendo a primeira causa de óbito desta população”, revela a bolsista.

    Segundo Larissa, a maioria dos tumores de mama ainda são diagnosticados em estádios avançados – aproximadamente 45% dos casos – o que contribui significativamente para a elevação da taxa de mortalidade por câncer de mama no país. “O diagnóstico em estadiamentos mais avançados e o difícil acesso aos serviços de saúde pública são os principais motivos para tratamentos mais radicais e muitas vezes ineficientes.”02012017 bolsista congresso tailandia 03

    A bolsista conta ainda que a Tomografia Computadorizada (TC) não é rotineiramente utilizada como ferramenta de diagnóstico para o rastreio do câncer de mama. “Entretanto, pode ser útil para identificar o aumento de lesões próximas a parede torácica, avaliar o tórax, fígado e metástases ósseas e pélvicas, assim como acompanhamento pós-tratamento oncológico. Como resultado, para verificar possíveis reincidências do câncer, uma mesma paciente poderá ser submetida a exames de TC de tórax várias vezes durante suas vidas. O aumento da frequência de exames de tomografia computadorizada, nem sempre justificado e otimizado é objeto de grande preocupação. Aproximadamente 40% das TC realizadas são desnecessárias. Mesmo que as doses individuais de cada exame sejam pequenas, quando multiplicados pelo número crescente de exames realizados, o balanço entre benefícios e riscos aponta para um potencial risco futuro na saúde dessa população exposta indevidamente. Sendo assim, um dos grandes desafios dessa pesquisa é estimar da dose total de radiação (dose efetiva e dose em órgãos) recebida pela paciente feminina a partir do momento que ela é diagnosticada pela primeira vez com câncer de mama e após os 5 anos de acompanhamento médico.”

    Larissa conclui dizendo que a pesquisa trará benefícios para o paciente e maior responsabilidade e conscientização da equipe médica em prescrever uma Tomografia Computadorizada sem justificativa médica, assim como instruir as ações corretivas necessárias, possibilitando reduzir ao mínimo a realização de exames desnecessários e diminuir a variabilidade das doses empregadas por meio de Programas de Controle e Garantia da Qualidade dos exames.

    (Natália Morato)

  • Bolsista da Capes publica livro em Portugal sobre Comunicação e Política

    O doutorando da Universidade de Brasília (UnB) e bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) na modalidade doutorado-sanduíche em Portugal, Bruno Araújo, publicou, em parceria com os professores Liziane Guazina, também da UnB, e Hélder Prior, da Universidade da Beira Interior, o livro “Diálogos Lusófonos em Comunicação e Política”. O projeto foi patrocinado pela Universidade da Beira Interior.22122016 materia coimbra 9692

    Segundo Bruno, a obra começou a ser idealizada antes mesmo do início das pesquisas do doutorado-sanduíche no exterior. “Surgiu, mais precisamente, no âmbito de debates que realizamos no Núcleo de Estudos sobre Mídia e Política, da Universidade de Brasília, coordenado por Liziane Guazina. Após a ideia inicial, submetemos o projeto à Editora da Universidade da Beira Interior, de Portugal, com a qual a Faculdade de Comunicação da UnB mantém boas relações institucionais, que aceitou prontamente a nossa ideia.”

    A publicação é resultado do esforço conjunto de pesquisadores da área da comunicação e da política provenientes de vários espaços da lusofonia. “Além de focalizar temas de grande atualidade para as nossas sociedades trabalhados sob perspectivas teórico-metodológicas diversas, um dos objetivos primordiais da obra é contribuir para a afirmação da pesquisa em comunicação e política no âmbito do espaço regional lusófono. Isso porque, apesar de já termos dado muitos passos nesse sentido, ainda são reduzidos os projetos de natureza científica que apostam nesse tipo de aproximação. Por outro lado, a obra é também uma oportunidade de projeção de vozes críticas que poderão estimular espaços de pensamento alternativos aos tradicionais círculos anglo-saxônicos que têm dominado a pesquisa em ambas as áreas. É, por isso, a meu ver, também um esforço de luta contra-hegemônica e de criação de alternativas”, explica Bruno.22122016 materia coimbra 9276

    Interdisciplinaridade
    O bolsista da Capes destaca a abordagem interdisciplinar da obra como um dos pontos fortes do trabalho. “O livro procurou privilegiar pesquisas de natureza comparativa e interdisciplinar. Por um lado, a comparação é uma das melhores formas de compreender as singularidades dos meios de comunicação e dos sistemas políticos, como chegaram a afirmar os pesquisadores Hallin e Mancini. Por outro lado, a interdisciplinaridade, que, na obra, manifesta-se pela convergência de saberes múltiplos, provenientes de diferentes domínios das ciências sociais e humanas, obedece a um movimento epistemológico, encabeçado por diferentes autores, que procura rebelar-se contra um certo ‘midiacentrismo’ que demarcou a pesquisa em comunicação por muito tempo. Em outras palavras, compartilho da ideia de que não será possível compreendermos o desempenho dos meios de comunicação social e os seus impactos sobre a vida social e política sem considerarmos conhecimentos formulados em outras esferas do saber, com as quais a comunicação necessariamente terá de dialogar, sem perder de vista, naturalmente, os seus interesses epistemológicos enquanto campo científico. Um desses campos - daí o próprio título da obra - é a ciência política.”

    Estudos
    Na UnB, Bruno, em sua pesquisa de doutorado pretende compreender o processo de “mediatização” da corrupção política no Brasil e em Portugal por meio da análise de uma cobertura jornalística específica. Sobre a oportunidade no exterior, o bolsista analisa a oportunidade como “riquíssima” tanto do ponto de vista acadêmico e profissional quanto sob o prisma cultural.22122016 materia coimbra foto1

    “Estou tendo a oportunidade de desenvolver parte da pesquisa no Centro de Investigação Media e Jornalismo, fundado por Nelson Traquina - um nome incontornável na pesquisa em jornalismo - sob a orientação de Isabel Ferin Cunha, da Universidade de Coimbra, que acabou de coordenar um projeto internacional de pesquisa dentro do qual a minha investigação de doutoramento se enquadra perfeitamente. Essas referências certamente se refletirão na tese que devo apresentar dentro de alguns meses. Ao longo dos meses em Portugal, além do trabalho de pesquisa quotidiano, também tenho participado em diversas iniciativas acadêmicas. Além disso, a experiência no exterior é uma oportunidade muito profícua para estabelecer contatos e fortalecer laços em torno de novos projetos de pesquisa que envolvam Brasil e Portugal, o que vai diretamente ao encontro dos esforços de internacionalização do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UnB”, finaliza.

    (Natália Morato)

  • Tese busca aproveitamento de gás carbônico para a construção civil

    A tese de doutorado do engenheiro Alex Neves Júnior encontrou a solução para a emissão de gás carbônico (CO2) liberado na produção de cimento na indústria da construção civil. O trabalho "Captura de CO2 em materiais cimentícios através da carbonatação acelerada” foi o vencedor do Prêmio Vale-Capes de Ciência e Sustentabilidade na categoria de Redução de Gases do Efeito Estufa. O prêmio, resultado de uma parceria entre a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a Vale, já está em sua quarta edição.

    O objetivo do trabalho foi estudar e desenvolver a capacidade de capturar o CO2 que seria emitido no processo de fabricação do cimento e reutilizá-lo na produção de materiais à base de cimento, como telhas e pavimentos. De 7% a 15% do gás carbônico que seria emitido pela fábrica de cimento pode ser absorvido pela indústria que produz esses materiais e dessa forma deixar de chegar à atmosfera.

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    No estudo, Alex filtrou o gás carbônico das cimenteiras antes da sua emissão para a atmosfera e o injetou na fabricação de materiais à base de cimento, substituindo o processo de cura convencional pela cura com CO2.

    O trabalho foi apresentado no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) sob a orientação dos professores Romildo Dias Toledo Filho, Jo Dweck e Eduardo de Moraes Rego Fairbairn.

    A iniciativa pode contribuir para a redução das emissões de CO2 da indústria cimenteira, uma das que mais polui o mundo. Ela representa de 5% a 7% do total das emissões globais de gases poluentes.

    Em 2013, foram produzidas no Brasil 70 megatoneladas de cimento. Se esse estudo fosse colocado em prática seria possível absorver até 10,5 megatoneladas de gás carbônco antes de ser emitido ao meio ambiente. Isso equivale aproximadamente ao que 10 milhões de carros populares emitem em um ano rodando em média 422 km por mês, de acordo com o site idesam.org.br.

    "Queríamos quantificar e verificar a potencialidade que materiais à base de cimento apresentam de capturar CO2 da atmosfera durante as fases iniciais de produção do material. Havia pouca pesquisa sobre o assunto. Nós fomos pioneiros, no Brasil, em iniciar um projeto de estudo nessa área", explica Alex Neves Júnior, atualmente professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).

    Prêmio Vale-Capes
    O Prêmio Vale-Capes de Ciência e Sustentabilidade foi criado inicialmente a partir de parceria firmada durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, realizada em 2012. A primeira edição teve cerimônia de entrega em Belém, em 2013; a premiação da segunda edição foi realizada na cidade do Rio de Janeiro, em 2014; e a da terceira edição aconteceu em Brasília, em 2015. A quarta edição aconteceu no último dia 30 de setembro, em Brasília.

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    O Prêmio tem o objetivo de identificar, divulgar e premiar trabalhos que apresentem ideias inovadoras com potencial para transformação em produto ou processo e também promover o reconhecimento da atividade científica e tecnológica em áreas temáticas que versem sobre o desenvolvimento sustentável e, em especial, sobre tecnologia socioambiental.

    Os trabalhos premiados dividem-se nos grupos "Processos eficientes para redução do consumo de água e de energia"; "Aproveitamento, reaproveitamento e reciclagem de resíduos e/ou rejeitos"; "Redução de Gases do efeito estufa (GEE)"; e "Tecnologias socioambientais, com ênfase no combate à pobreza".

    Os vencedores do Prêmio Vale-Capes de Ciência e Sustentabilidade de Tese de Doutorado recebem R$ 15 mil e uma bolsa para realização de estágio pós-doutoral de até três anos em instituição nacional, podendo ser convertida em um ano fora do país em uma instituição de notória excelência na área de conhecimento do premiado. Já os ganhadores de Dissertação de Mestrado recebem R$ 10 mil e uma bolsa para realização de doutorado em instituição nacional de até quatro anos.

    Os orientadores também são prestigiados, recebendo auxílio equivalente a uma participação em congresso nacional e internacional, relacionado à área temática da tese. No caso de mestrado, o orientador recebe R$ 3 mil e o de doutorado, US$ 3 mil.

    (Com informações da Vale)

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