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Biodiversidade

Espécies invasoras são tema de artigo de pesquisadora brasileira

Publicado: Segunda, 27 Mai 2019 12:52 , Última Atualização: Quarta, 24 Julho 2019 15:32

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Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em São Paulo, mestre em Biodiversidade e Conservação, pela mesma instituição e doutora em Biologia e Ecologia pela University of St Andrews, na Escócia, Alessandra Kortz teve seu artigo, "Increases in local richness (α-diversity) following invasion are offset by biotic homogenization in a biodiversity hotspot" publicado na revista científica internacional Biology Letters, em maio de 2019.

Bolsista da CAPES em suas duas pós-graduações, Kortz cursa um pós-doutorado no International Institute for Applied System Analysis (IIASA), na Áustria, também com auxílio da CAPES.

Fale um pouco sobre o seu projeto de pesquisa e seu objetivo.
A invasão biológica é considerada uma das maiores ameaças à biodiversidade. Isso acontece quando espécies são transportadas intencionalmente ou por acidente, para fora de sua região de ocorrência nativa, e encontram condições de se reproduzir, muitas vezes se tornando dominantes por não terem predadores naturais ou não serem atingidas por doenças presentes na região nativa.

No meu doutorado avaliei o impacto de pinheiros invasores na biodiversidade da vegetação nativa do Cerrado. Fiz trabalho de campo na Estação Ecológica de Itirapina, uma área protegida, localizada no estado de São Paulo. Os pinheiros, nativos do hemisfério norte, foram plantados amplamente no Hemisfério Sul e têm invadido muitas dessas áreas, causando sérios danos aos ecossistemas nativos. Além dos pinheiros, mais três gramíneas africanas estão invadindo a área de estudo. O objetivo deste artigo foi verificar o que acontece com a composição das espécies nativas conforme o número de invasoras aumenta.

Como se deu o interesse em realizar a pesquisa?
Uma das coisas que me levou a fazer biologia foi o fascínio pela biodiversidade, principalmente no Brasil, um dos países de maior biodiversidade do mundo. Durante a iniciação científica na UFSCar fiz trabalho de campo para identificar quais espécies de plantas ocorrem na região. No doutorado fiquei mais interessada pela quantificação da biodiversidade, ecologia e também pelo problema das invasões biológicas. Fui aprovada no programa de doutorado na University of St Andrews, na Escócia, e obtive o financiamento da CAPES, com o Ciência sem Fronteiras, para fazer o doutorado pleno sob orientação da Professora Anne Magurran, co-autora do artigo publicado na Biology Letters, uma das líderes mundiais em pesquisa em biodiversidade e ecologia.

Qual a importância do seu trabalho para a realidade brasileira? E no âmbito internacional?
Para a realidade brasileira, a importância do trabalho se dá na valorização da biodiversidade do Cerrado, além de enfatizar a necessidade de manejo de espécies invasoras, especialmente no contexto de áreas protegidas.

No âmbito internacional, a importância está no fato de que esse mecanismo onde foi identificado um aumento na riqueza local, seguido de invasão balanceada pela homogeneização biótica, pode ser aplicado para outras regiões e outras espécies. Só foi possível detectar esse mecanismo justamente porque focamos em uma escala local.

O que a sua pesquisa traz de diferente daquilo que já é visto na literatura?
Nós já sabemos que a nível global há uma profunda perda na biodiversidade, com muitas espécies sendo extintas devido à ação humana em uma taxa muito mais acelerada comparada às taxas de extinção do passado geológico. Na escala local, no entanto, o cenário é mais complexo, com áreas com ganhos, perdas de espécies ou sem diferença ao longo do tempo.

Neste artigo nós apresentamos um mecanismo para explicar como um aparente aumento no número de espécies seguido de invasão está associado a uma perda em termos da composição de espécies nativas.

O que você destaca nesta experiência?
A universidade esperava bastante de nós como pesquisadores, mas também nos dava todo o suporte para o trabalho, o que faz toda a diferença para avançar a pesquisa. A bolsa da CAPES junto com os recursos da universidade e do projeto da orientadora me deram suporte para fazer cursos, participar e apresentar em congressos, e também para a pesquisa de campo, que é trabalhosa.

Outro aspecto que eu acho interessante foi ter conseguido conciliar o doutorado em uma universidade de excelência no exterior com o trabalho de campo sobre a biodiversidade do Brasil.

Brasília – Redação CCS/CAPES)
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