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Vírus Vaccínia Cantagalo é objeto de pesquisa de bolsista

Publicado: Segunda, 08 Abril 2019 11:25 , Última Atualização: Terça, 09 Abril 2019 16:13

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Formada e graduada em Ciências com especialização – mestrado e doutorado – em microbiologia e imunologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Aline Rosa é pesquisadora de pós-doutorado no Laboratório de Biologia Molecular de Vírus da mesma instituição.

Aline Rosa procura entender possíveis relações entre o vírus Cantagalo e bactérias causadoras de mastite bovina, criando uma correlação com as características genéticas e biológicas destes vírus, determinadas em seu primeiro ano de pós-doutorado. Segundo a pesquisadora, “conhecer os vírus que circulam no Brasil permite-nos atentar para a introdução de novos vírus potencialmente mais patogênicos no país”, afirma.

Fale um pouco sobre o seu projeto de pesquisa.
No meu primeiro ano de pós-doutorado atuei na elucidação de características genéticas e biológicas do vírus Vaccínia, cepa Cantagalo, estudando sua relação com cepas usadas na produção de vacinas antivariólicas fabricadas no Brasil na década de 1970 (cepa IOC). Esta cepa foi descrita pelo nosso grupo de pesquisa, no município de Cantagalo, no estado do Rio de Janeiro, em 1999.

Atuo também em outro projeto, analisando o genoma de cepas de vírus Vaccínia utilizadas na elaboração de vacinas antivariólicas do começo do século XX. Este segundo projeto pode nos ajudar a entender melhor a origem do Vaccínia, que permanece desconhecida.

Qual o objetivo da pesquisa?
O estudo dos genomas e características biológicas do vírus Vaccínia cepa Cantagalo, de forma a permitir o entendimento de sua relação com as vacinas antivariólicas usadas no Brasil. Além disso, queremos também entender características que possam estar associadas ao espalhamento deste vírus pelo país.

Qual a importância do seu trabalho para a realidade brasileira? E no âmbito internacional?
O meu estudo auxilia alertando as autoridades de saúde em caso de surtos, como o que está ocorrendo do estado de Rondônia. Dessa forma ajudamos no diagnóstico médico da infecção em humanos e na tomada de medidas de profilaxia destas infecções em gado leiteiro, evitando significativas perdas na indústria. Vale ressaltar que meu grupo de estudo é referência para o diagnóstico de Orthopoxvirus no Brasil.

No âmbito internacional é importante destacar que somente o Brasil e a Índia possuem vírus Vaccínia circulantes na natureza. Assim, monitorar as características associadas ao espalhamento desse vírus na natureza ajuda na tomada de medidas de contenção dessa infecção em qualquer local do mundo onde sejam identificados esses vírus.

Além disso, os resultados obtidos com o vírus Vaccínia podem ser extrapolados para o vírus da varíola, o que nos torna capazes de responder às ações de bioterrorismo e alertar à Organização Mundial da Saúde (OMS).

O que a sua pesquisa traz de diferente?
Há muito pouco sobre o vírus Vaccínia, cepa Cantagalo, na literatura. Nosso diferencial é que não apenas monitoramos, de forma epidemiológica, a circulação desses vírus: também tentamos elucidar características genéticas que possam estar associadas com a maior virulência de algumas amostras clínicas, bem como sua capacidade de espalhamento.

Estudamos ainda as relações desse vírus com uma cepa usada na vacinação contra a varíola na década de 1970 e demais vacinas no mundo, incluindo aquelas do início do século XX. Tudo isso pode ajudar a encontrar a origem do vírus Vaccínia, até hoje um mistério.

(Brasília– Redação CCS/CAPES
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