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Pesquisador representa o Brasil em conferência global sobre Alzheimer

Publicado: Quarta, 02 Setembro 2020 09:28 , Última Atualização: Quarta, 02 Setembro 2020 12:43

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Wagner Brum é bolsista pelo Programa de Bolsa Especial para Doutorado em Pesquisa Médica (PBE-DPM), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), o que lhe permite cursar o doutorado durante a graduação em medicina. Seu pré-projeto foi apresentado na Conferência Internacional da Alzheimer’s Association em 2019 (AAIC19) e lhe garantiu uma vaga entre os 20 voluntários de todo o mundo, na edição do evento de 2020.

Fale um pouco sobre seu trabalho.
Em 2018, ingressei no curso de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e no primeiro semestre, iniciei minhas atividades como aluno de iniciação científica no Laboratório de Neuroimagem. Nesse período, desenvolvi um projeto que aplica técnicas de neurociência computacional para estudar como a doença de Alzheimer impacta o consumo de glicose no cérebro. Os resultados parciais desse estudo foram selecionados para uma apresentação oral na edição de 2019 da Conferência Internacional da Alzheimer’s Association (AAIC), em Los Angeles. Desenvolver e apresentar esse projeto foi crucial para que eu pudesse entrar no programa MD-PhD, sob a orientação dos professores Eduardo Zimmer e Diogo Souza.

Fale um pouco sobre sua experiência como voluntário na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer.

A Alzheimer’s Association selecionou 20 estudantes do mundo inteiro para atuarem como voluntários na Conferência que aconteceria em julho desse ano, em Amsterdam, na Holanda. De representantes da América Latina no programa, estávamos eu e a Mariana Almeida, aluna de doutorado da Universidade de São Paulo (USP). Os selecionados recebem benefícios para comparecerem ao evento, além da participação ativa na sua organização. Em função da pandemia da COVID-19, a Conferência aconteceu virtualmente, afetando o nosso papel. Atuamos fortemente na divulgação, por meio de redes sociais e dos nossos círculos de convivência científica e acadêmica. No fim, o Brasil foi o segundo país do mundo em número de inscritos, ficando atrás somente dos Estados Unidos, evidenciando o crescimento dessa área no nosso País.

Como foi a sua atuação no evento?
Nós participamos na moderação de discussões entre palestrantes e plateia virtual. Promovemos discussões sobre desenvolvimento de carreira entre jovens pesquisadores e até ajudamos a resolver questões técnicas da plataforma virtual. Estivemos o tempo todo em contato direto com os diretores da Alzheimer’s Association, que é o maior financiador não-governamental de pesquisa em Alzheimer e demências no mundo.

Como essa experiência se reflete na sua vida profissional?
A minha participação no evento veio numa etapa muito inicial do meu doutorado e fez com que eu refletisse sobre a importância de valorizar não somente nossa produção como estudante, mas também nossa interação com o cenário internacional de nossas áreas de pesquisa. Ter apresentado meu trabalho no AAIC19 e interagido com líderes da área, além de me permitir participar na organização da edição de 2020, me cedeu uma bolsa-viagem para um curso de biomarcadores na Universidade de Gotemburgo, na Suécia, que foi adiado em função da pandemia. Ter esse tipo de interação nos desafia, motiva e inspira para darmos nosso melhor no desenvolvimento e execução dos nossos projetos.

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Qual a importância da CAPES no desenvolvimento do seu projeto?
O PBE-DPM é um programa de doutorado concomitante com a graduação em medicina, criado pela CAPES em 2008, com o objetivo de estimular a formação científica na classe médica. Doutorado durante o curso de Medicina só é possível dentro desse programa incrível e, sem ele, não poderia estar desenvolvendo meu projeto e as atividades da pós-graduação.

Como o seu trabalho contribui para a sociedade?
A expectativa de vida mundial vem aumentando e viveremos, pela primeira vez na história humana, em uma sociedade com mais idosos que crianças e adolescentes. Com esse envelhecimento da população, cada vez mais pessoas desenvolverão a doença de Alzheimer, que se manifesta principalmente na terceira idade. Sabe-se hoje que essa doença se inicia de 20 a 30 anos antes da aparição de qualquer sintoma clínico e, atualmente, não existe tratamento que a previna ou cure. Nesse sentido, é fundamental que saibamos quem são essas pessoas saudáveis que estão em maior risco de desenvolver Alzheimer, aproveitando esta larga janela pré-clínica para intervenções que possam prevenir sua manifestação. Meu trabalho contribui para que se possa identificar quem tem a doença silenciosa e que, consequentemente, poderia se beneficiar de um tratamento no futuro.

Explique um pouco sobre o seu projeto de pesquisa.
Valores de referência são fundamentais na interpretação de exames de sangue. Em 2020, foi desenvolvido um exame muito promissor para detectar a doença de Alzheimer, avaliar sua progressão e diferenciá-la de outras formas de demência. Estamos estudando diversas técnicas estatísticas para o desenvolvimento de valores de referência para esses testes laboratoriais, com o objetivo de fornecer os melhores instrumentos possíveis para integrá-los à prática clínica e de pesquisa.

Quais são os próximos passos?
Estamos preparando para submissão um artigo que avalia a utilidade clínica de diferentes valores de referência para interpretação dos resultados biomarcadores sanguíneos relacionados à doença de Alzheimer. Agora, daremos continuidade ao recrutamento de participantes no estudo que iniciamos recentemente para avaliar alterações nesses biomarcadores de sangue em pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) em Porto Alegre que apresentem queixa de problemas de memória. Além disso, avaliaremos como os valores de referência, por nós propostos, se relacionam com exames de imagem classicamente usados para o estudo dessa doença, como ressonância magnética e tomografia por emissão de pósitrons. O ambiente multidisciplinar do Laboratório ao qual estou integrado é singular e permite que pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento juntem esforços para o desenvolvimento dos nossos projetos.

(Brasília – Redação CCS/CAPES)
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