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Nervos sensoriais podem combater câncer de pele

Publicado: Quarta, 29 Julho 2020 15:16 , Última Atualização: Sexta, 31 Julho 2020 11:33

A pesquisa indica que a presença dos nervos neutraliza a progressão do câncer de pele, melanoma

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Bolsistas de mestrado, doutorado e pós-doutorado da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), liderados por Alexander Birbrair, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), estudam há três anos o papel dos nervos sensoriais – responsáveis por conduzir o estímulo de dor ao cérebro – na regulação do crescimento e progressão do melanoma ou câncer de pele.

”Nossos resultados demonstram que os nervos sensoriais são capazes de infiltrar o microambiente formado pelo melanoma”, explica Birbrair. Dentro dos tumores os nervos controlam seu crescimento, reduzem a formação de vasos sanguíneos – que são importantes para a nutrição, o crescimento e a disseminação do tumor – e aumentam a morte celular. “Ao retirarmos os nervos ou deixá-los sem função, observamos que esse controle é perdido e os tumores tornam-se maiores e mais agressivos”, completa.

29072020 FOTO DENTRO MATERIA BOLSISTA NERVOS SENSORIAIS 01

As descobertas, ainda que iniciais, podem  contribuir para tratamentos tradicionais, como a quimioterapia, tornando o processo menos doloroso e agressivo. Para Pedro Henrique Prazeres, doutorando do Programa de Patologia da UFMG, os resultados são bastante promissores: “Sabemos que o melanoma é um câncer de alta incidência e letalidade na população brasileira. Esse trabalho pretende fundamentar futuras propostas terapêuticas e complementar o conhecimento que temos sobre o efeito de diferentes quimioterápicos nos nervos”.

A próxima etapa é analisar como a ativação e a potencialização do sistema nervoso periférico, em diferentes estágios da doença, podem servir como alternativa terapêutica no tratamento e no combate ao câncer. “Pretendemos explicar mais a fundo o efeito que vimos na ausência dos nervos e, quem sabe, no futuro, utilizar isso como uma abordagem terapêutica inovadora”, afirma Pedro Henrique.

(Brasília – Redação CCS/CAPES)
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