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Inovação: telemedicina é novo campo para pesquisadores

Publicado: Terça, 07 Julho 2020 12:06 , Última Atualização: Quarta, 15 Julho 2020 10:55

Foram selecionados 23 projetos em edital sobre Telemedicina e Análise de Dados Médicos. Programa de Combate a Epidemias vai apoiar 92 iniciativas

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As consultas médicas virtuais estão ganhando espaço na sociedade. A modalidade é uma das formas encontradas para reduzir o fluxo de pessoas em hospitais e dar agilidade aos atendimentos. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) apoia, no âmbito do Programa de Combate a Epidemias, 23 projetos direcionados à Telemedicina e Análise de Dados Médicos com a participação de 272 pesquisadores.

Sergio Campos, professor de Ciência da Computação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), coordena uma dessas iniciativas. Os pesquisadores vão desenvolver um sistema amplo para registrar e organizar as informações das consultas. Segundo Campos, a maioria dos sistemas registra informações gerais e administrativas, como quantidade de consultas e pedidos de exames. “Cada especialidade médica é completamente diferente da outra. Queremos utilizar conceitos mais detalhados, o que o médico faz em cada consulta”.

O grupo pretende criar um programa com todas as especialidades médicas, que permita ao médico inserir detalhes dos pacientes, exames e que possa ser usado sem a necessidade de estar presencialmente em um hospital. “O paciente vai ter a história dele registrada, ter um acesso mais completo. Queremos que os dados estejam acessíveis aos médicos”, afirma Campos. O sistema pode atuar como um facilitador para os pacientes, armazenando o histórico de consultas e exames, diminuindo a necessidade de guardar por anos uma grande quantidade de resultados médicos.

A pesquisa conta com dez pesquisadores e recebeu cinco bolsas: duas de mestrado,  o mesmo número para doutorado e uma de pós-doutorado. Sérgio Campos afirma que o desenvolvimento do projeto requer alternativas inovadoras: “Os bolsistas vão aprender a desenvolver uma solução, serão capazes de organizar todo esse conhecimento de uma forma que ainda não existe”.

No Rio Grande do Sul, um grupo comandado por Cristiano André da Costa, professor de Ciências da Computação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), desenvolve um modelo de comunicação entre diversos provedores de saúde, conectando hospitais parceiros com dados de prontuários padronizados. O modelo desenvolvido tem a tecnologia blockchain, usada em moedas digitais e que garante a criptografia dos dados e segurança das informações.

Cristiano conta que o sistema vai gerar indicadores que podem ajudar outros pesquisadores a compreender melhor o novo coronavírus: “É possível achar relações, que hoje são suspeitas, como de comorbidades com a incidência da COVID-19 e o melhor prognóstico para os pacientes de acordo com os tratamentos”.

Cerca de 30 pesquisadores estão envolvidos na pesquisa e atuam em diferentes áreas, como computação e medicina. Ao projeto foram concedidas nove bolsas: quatro de doutorado, duas de mestrado e três de pós-doutorado. Para Cristiano, os pesquisadores terão a oportunidade de conhecer melhor o cenário brasileiro e gerar um retorno social. “Fazer um doutorado é muito bom, poder gerar uma contribuição social neste momento é fantástico. Alia o conhecimento científico ao uso de dados locais e gera melhoria para a sociedade”, afirma Costa.

“A CAPES fez vários programas emergenciais que são fundamentais para a evolução da ciência. Hoje em dia, por mais que tenham bolsas de pós-graduação, é esse tipo de programa que permite articular vários parceiros a um tema comum. Viabiliza uma pesquisa de maior envergadura”, conclui Cristiano André.

Programa de Combate a Epidemias
Programa, um conjunto de ações de apoio a projetos, pesquisas e formação de recursos humanos para enfrentar a COVID-19 e estudar temas relacionados a endemias e epidemias, é estruturado em duas dimensões: Ações Estratégicas Emergenciais Imediatas e Ações Estratégicas Emergenciais Induzidas em Áreas Específicas. No total, serão concedidas 2,6 mil bolsas com investimento de R$ 200 milhões ao longo de quatro anos.

Confira no Programa de Combate a Epidemias os detalhes dos três editais:
CAPES - Epidemias - Edital nº 09/2020
CAPES – Fármacos e Imunologia - Edital nº 11/2020
CAPES – Telemedicina e Análise de Dados Médicos - Edital nº 12/2020

(Brasília – Redação CCS/CAPES)
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