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Natureza inspira o combate à COVID-19

Publicado: Quarta, 06 Mai 2020 10:02 , Última Atualização: Quinta, 07 Mai 2020 11:38

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Professor da Universidade Católica de Brasília (UCB) e da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Octávio Luiz Franco é coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) no Mato Grosso do Sul. Doutor em biotecnologia e biociências, ele usa fontes naturais para a criação de peptídeos bioinspirados que podem ser usados no combate à COVID-19.

Fale um pouco sobre o seu trabalho.
O meu trabalho hoje é focado no desenvolvimento de peptídeos bioinspirados - biomoléculas formadas pela ligação de dois ou mais aminoácidos. Eu pego conhecimento da natureza e crio novos peptídeos, a partir de algoritmos matemáticos, e depois testo para inúmeras funções. O foco principal são doenças infecciosas, principalmente bactérias, com esse advento da COVID-19, mas antivirais também.

Nós usamos como fontes os venenos de serpente e de vespa, animais marinhos e outros microrganismos, em vírus, como o da Herpes. Funcionou razoavelmente bem para inibir a absorção do vírus, assim como inibe sua replicação.

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Como surgiu o interesse em trabalhar com este tema?
O interesse surgiu depois do meu doutorado, que conclui na UnB, fazendo a parte prática na Embrapa. Eu trabalhava com o desenvolvimento de plantas transgênicas para resistência a inseto.

Um dia, ao ser hospitalizado, vi o quanto as pessoas precisavam de ajuda nos hospitais. Nesse cenário, as doenças infecciosas me chamaram a atenção. A partir daí, eu comecei a trabalhar no desenvolvimento de novos antibióticos e novos peptídeos que pudessem ajudar a população.

Qual o objetivo da pesquisa?
O maior objetivo é ajudar as pessoas do ponto de vista científico e criar novas estratégias para controle de doenças infecciosas. Embora tenha outras vertentes de cosmetologia, o objetivo dessa pesquisa é criar novos fármacos para controle de patógenos.

Qual a importância do seu trabalho para a realidade brasileira?
A importância do trabalho é a de controlar patógenos. Basicamente, todo mundo sofre em algum período do ano de alguma doença, uma infecção bacteriana, uma infecção viral e assim por diante. Então, eu acho que o nosso trabalho foca na ajuda direta a pessoas e pacientes. No caso da COVID-19, o nosso papel é achar peptídeos que possam ser utilizados tanto para diminuir a resposta imune do paciente, quanto para controlar o Sar-CoV 2, que é o vírus que causador.

Isso tem impacto internacional?
Isso tem impacto sim, no âmbito internacional. Eu coordeno um instituto de ciência e tecnologia no Mato Grosso. Esse INCT é para doenças infecciosas e produtos bioinspirados. Dentro do nosso grupo já temos 25 países que auxiliam no design desses peptídeos anti-COVID. Em âmbito internacional, a gente só está funcionando porque os nossos compostos vão ser testados lá no Estados unidos, vão para Portugal, China e Índia. A gente trabalha em colaboração.

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O que ele traz de diferente daquilo que já é visto na literatura?
São duas coisas. A primeira: os compostos que nós criamos tem a ideia de serem de origem natural, mas a gente os transforma de forma que possam ser aplicados na indústria farmacêutica. Muitas vezes os produtos naturais são muito complicados e difíceis de achar, então a gente cria estratégias de facilitar a produção desses compostos. A segunda coisa é: o que nós estamos tentando fazer com relação ao Sar-CoV 2 é evitar com que a gente tenha um aumento de pessoas em leito, além de controlar o vírus. A nossa ideia é reduzir os efeitos dos Sar-CoV no pulmão, diminuindo assim o efeito pulmonar dessa síndrome.

Qual a importância do apoio da CAPES?
A CAPES tem papel essencial, porque eu tenho hoje quase 80 alunos e parte desse recurso vem da CAPES. Sem esse apoio, nós não teríamos mão de obra, massa crítica e treinamento.

Quais são os próximos passos?
Os próximos passos serão feitos na Pensilvânia, com o Doutor Cesar de la Fuente Nuñez e a gente torce para que eles deem positivo. Uma vez dando positivo, nós vamos tentar entender como funciona a resposta imunomoduladora, como é que funciona em seres humanos e se a gente consegue contribuir não só nessa pandemia, como em várias outras que poderão surgir.


(Brasília – Redação CCS/CAPES)
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