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COVID-19

Pesquisa sugere: coronavírus evoluiu para infectar pessoas

Publicado: Quinta, 23 Abril 2020 16:12 , Última Atualização: Segunda, 11 Mai 2020 13:01

Trabalho da UFRGS propõe que o vírus causador da COVID-19 sofreu modificações que aumentam seu poder de infecção em humanos.

20042020 Vinicius Sortica UFRGS

Pesquisa recente do programa de pós-graduação em Genética e Biologia Molecular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) sugere que o vírus SARS-CoV-2, causador da COVID-19, sofreu mudanças genéticas e se “especializou” em infectar pessoas. E mais: os diversos povos humanos têm chances semelhantes de sofrer contaminação.

No estudo, que aguarda publicação, pesquisadores compararam dados sobre 70 sequências de genes de mamíferos placentários – entre eles, morcegos e macacos – com relação à enzima ACE2. Presente na parte externa de células pulmonares, essa substância é o alvo do vírus para invasão. Os dados foram cotejados com variações encontradas em genes de humanos, incluindo nossos parentes antigos, Neandertal e Denisova.

Duas conclusões resultam do estudo comparado. Uma delas aponta que o novo coronavírus evoluiu, o que o torna mais apto no ataque a seres humanos e menos habilidoso contra outros mamíferos de placenta. A outra hipótese da pesquisa é a de que os diversos grupos étnicos humanos têm potencial equivalente para a contaminação.

“O SARS-CoV-2 é altamente ‘generalista’ em relação à sua capacidade de infectar seres humanos, quaisquer indivíduos de qualquer população; pelo menos considerando sua porta de entrada para a célula, a proteína ACE2. Por outro lado, não é um coronavírus do tipo ‘generalista’ com capacidade de infectar, natural e facilmente, uma variedade de outras espécies, incluindo animais de estimação”, explica a bióloga Maria Cátira Bortolini, coordenadora do estudo.

Uma possível afirmação decorrente dos dados é a de que diferenças na taxa de infecção e mortalidade do vírus entre os seres humanos esteja relacionada a outros fatores: práticas culturais, densidade demográfica, capacidade dos sistemas de saúde, medidas de supressão ou mitigação. Também integram a lista de elementos as comorbidades (doenças prévias) e a capacidade de defesa de cada pessoa, além das diferenças nas cepas (variações) de SARS-CoV-2.

Vinicius Sortica UFRGS pesquisa

Dos animais até o ser humano
Investigar a então epidemia foi uma decisão coletiva. “No início das pesquisas sobre o surto do SARS-CoV-2, muito foi debatido sobre os possíveis hospedeiros intermediários do novo coronavírus antes de ele ter iniciado a infecção em humanos. Durante uma reunião do nosso laboratório, conversamos sobre as notícias recentes do surto, que na época ainda estava restrito à Ásia”, conta Vinicius Sortica, bolsista de pós-doutorado da CAPES e integrante da pesquisa, que trabalhou em um projeto que estudou variantes genéticas do hospedeiro humano relacionadas com a pandemia de gripe aviária de 2009, o H1N1.

Por outro lado, Bortolini, que atuou na epidemia de Zika no Brasil e integrou uma pesquisa que investigou os padrões evolutivos de genes relacionados à infecção e sua resposta em outros primatas, valoriza o conhecimento prévio: “Temos muita experiência em análise de evolução molecular e de organismos em geral, de modo que a usamos para entender como o SARS-CoV-2 tem tamanha capacidade de infectar humanos”.

A cientista pretende seguir no estudo sobre o novo coronavírus. “Diariamente o volume de informações desta pandemia tem aumentado, e assim conseguimos compreender melhor as mutações do vírus à medida que a pandemia se expande. Ou seja, logo teremos mais dados sobre as diferentes linhagens do SARS-CoV-2, bem como o perfil genético dos pacientes – tanto aqueles com sintomas, quanto os assintomáticos”, completa Maria Cátira.

CAPES contra a COVID-19
Desde o início da pandemia, a CAPES auxilia no combate à nova doença. Por meio do Programa de Combate a Epidemias, a fundação concede 2.600 novas bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado, para 30 projetos. No total, o investimento será de R$ 200 milhões. A chamada de propostas está aberta.

Confira no Programa de Combate a Epidemias os detalhes do três editais:
- CAPES - Epidemias - Edital nº 09/2020
- CAPES – Fármacos e Imunologia - Edital nº 11/2020
- CAPES – Telemedicina e Análise de Dados Médicos - Edital nº 12/2020

(Brasília – Redação CCS/CAPES)
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