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Pós-graduação Amazonas

Ecologia do Inpa: maior nota do Estado na avaliação

Publicado: Terça, 03 Dezembro 2019 09:40 , Última Atualização: Quarta, 04 Dezembro 2019 15:48

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A localização estratégica, no meio da maior floresta tropical do mundo, e a tradição de 43 anos de estudos, fizeram com que o programa de Pós-Graduação em Ecologia do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa) se consolidasse como um dos mais importantes da região. Com 80 alunos matriculados, o mestrado e doutorado têm a única nota 6 do Estado, numa escala de 3 a 7: a maior nota do Amazonas.

“Para atingir esse patamar, tivemos a colaboração de vários pesquisadores do Brasil e do exterior. São projetos de longo prazo, que têm impacto ambiental, e fazem com que o programa gere conhecimento na região”, explica Camila Ribas, coordenadora. O investimento na formação de recursos humanos, do estado ou de fora, tem contribuído para a fixação de pesquisadores na Amazônia. “Isso é importante para que possamos entender melhor a biodiversidade da floresta e planejar o seu desenvolvimento de forma sustentável”, completa.

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Na internacionalização, o programa possui diversos acordos de cooperação e recebe pesquisadores do exterior. Também foi beneficiado pela Escola de Altos Estudos oferecida pela CAPES, que promove visitas de professores de reconhecido prestígio no mundo. O curso teve a presença de acadêmicos dos Estados Unidos, Austrália e Singapura.

Para o desenvolvimento das atividades da pós-graduação, o Inpa, que é vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC), também possui áreas florestais que atendem aos mais diferentes estudos. Com 10 mil hectares, a reserva Adolpho Ducke é a mais antiga do instituto. “Aqui podemos fazer pesquisas de longa duração. Permite entender o que está acontecendo na floresta, estudar a biologia básica das espécies, descobrir novas espécies, coletar material para as pesquisas de biotecnologia e de produtos medicinais, e subsidiar várias tomadas de decisão”, explica Flávia Costa, pesquisadora.

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Bolsa da CAPES contribui para sucesso do programa
Atualmente, dos pós-graduandos, 26 são bolsistas da CAPES. “Esse apoio é fundamental para a continuidade das pesquisas do Instituto e para o sucesso do Programa. A pesquisa do Inpa é dependente da pós-graduação”, afirma a coordenadora do programa, que tem estudantes de diferentes áreas, como biologia, agronomia e engenharia florestal, e estimula a publicação de pesquisas em revistas científicas renomadas.

A doutoranda Jussara Dayrell avalia os impactos de hidrelétricas na fauna terrestre da região. “A partir de estudos de sapos, cobras e lagartos, averiguo o impacto das áreas inundadas e busco uma forma de mitigar seus efeitos”, conta a pesquisadora. Para ela, que é de Minas Gerais, a bolsa da CAPES é o recurso para viver no Amazonas e fazer a pesquisa, que ocupa de 10 a 12 horas de trabalho por dia.

Já Alexander Tamanini Mônico, do Espírito Santo, investiga em seu doutorado como fatores históricos, geográficos e ecológicos atuaram na evolução de uma determinada de rã e na descoberta de novas espécies. “Esse tipo de pesquisa ajuda a população a conhecer mais e, como consequência, contribui na proteção e preservação”, avalia. Como o seu trabalho é contínuo, a bolsa da CAPES é fundamental. “Os horários exigidos pela pesquisa não são convencionais. Às vezes, precisamos fazer estudos à noite e no final de semana”, conta.

CAPES apoia projeto de monitoramento da floresta
Com apoio financeiro da CAPES, por meio de bolsas e fomento, o Projeto AmazonFace, sigla em inglês para “Enriquecimento de CO2 ao Ar Livre”, busca formas de proteger a floresta e orientar as políticas de desenvolvimento para a região. “Estuda o funcionamento da área para tentar prever alterações, principalmente o aumento de gás carbônico”, explica Sabrina Garcia, pesquisadora do Comitê Científico do Programa, do MCTIC.

Um dos locais de pesquisa é a Reserva Biológica do Rio Cuieiras, do Inpa, ao norte de Manaus. Na área, há estações experimentais, como torres de observação de medidas micrometeorológicas, que aferem radiação, velocidade do vento, chuva, e temperatura nas diferentes partes da floresta. “Acompanhamos as espécies, medimos o crescimento das árvores e as condições do solo”, conta Sabrina Garcia. Para a pesquisadora, o trabalho contribui para conhecer e entender todos os processos de vida da floresta, e a sua interação com a atmosfera.

O projeto, que recebeu R$5 milhões da CAPES, tem a participação de 14 bolsistas. Nathielly Martins, Vanessa Ferrer, Gabriela Ushida e Ana Caroline Miron estão entre os pesquisadores atendidos. Elas estudam aspectos ligados à aquisição e perdas de nutrientes e estudam formas de mitigar possíveis danos à floresta. Como a atividade exige dedicação integral e dias de trabalho na reserva biológica, para as estudantes o apoio é importante para se manter na Amazônia.

(Brasília – Redação CCS/CAPES)
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